<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387</id><updated>2011-12-27T09:03:51.868-08:00</updated><category term='Arte'/><category term='Literatura e afins'/><category term='Música'/><category term='Impressões do cotidiano'/><category term='Produção literária própria'/><category term='Turismo'/><category term='Televisão'/><category term='Cinema'/><title type='text'>THE GIRL WITH KALEIDOSCOPE EYES</title><subtitle type='html'>Completamente descompromissado, este blog existe apenas para que eu escreva sobre ideias que elaboro a partir de filmes, músicas, livros, programas de TV e da observação do cotidiano. Assim, você encontrará em "Música" não necessariamente comentários sobre uma música, mas talvez reflexões que alguma música suscitou em mim. I hope you enjoy it!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>59</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-7615335548737942263</id><published>2009-09-13T17:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-13T17:42:36.354-07:00</updated><title type='text'>Meu novo blog:</title><content type='html'>Uma vez que a plataforma WordPress oferece-me alguns recursos interessantes, resolvi migrar para lá. Importei todos os post daqui para lá, e já fiz novas novas postagens lá também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O endereço é: www.anamariamontardo.wordpress.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abs!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-7615335548737942263?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/7615335548737942263/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=7615335548737942263&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7615335548737942263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7615335548737942263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/09/meu-novo-blog.html' title='Meu novo blog:'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-4754905992711678788</id><published>2009-02-26T19:29:00.001-08:00</published><updated>2009-02-27T09:50:26.890-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Yes, we can!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SagnsTEiUbI/AAAAAAAAAJg/DttIAfofEjI/s1600-h/obama.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SagnsTEiUbI/AAAAAAAAAJg/DttIAfofEjI/s400/obama.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307535802843156914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cair por acaso naquele comercial que postei aqui em que aparece a Adriana de Oliveira, fiquei mexida com o assunto "morte". O caso dela me fez lembrar o de outras mortes prematuras - Daniella Perez, morta aos 22, Fernanda Vogel, aos 21, e, mais recentemente, Mariana Bridi, aos 20 - e, pensando na morte, acabei pensando na vida. Olhei para as fotos delas - coincidentemente, eram todas lindas e vivazes - e pensei que elas não tiveram a chance de... bom, eu nem sei o que elas queriam da vida. Quando pessoas jovens morrem, o comentário mais comum dos familiares é "Tantos sonhos pela frente..." E, de fato, além da dor da ausência e da saudade, fica o luto pelos sonhos que ficaram pelo caminho a serem realizados. Não sei que sonhos elas tinham, nem sei se tinham sonhos - tem gente que não os tem. De qualquer maneira, o que quer que elas quisessem fazer, elas não podem fazê-lo. A gente pode. E ter me dado conta disso me deu uma deliciosa sensação de estar viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensemos nos sonhos mais absurdos ou distantes: passar em Medicina na UFRGS, engravidar aos 40, tornar-se jogador de futebol aos 30, emagrecer 20 quilos, ganhar um Oscar, atravessar o Canal da Mancha a nado, criar um conglomerado de empresas, fundar um orfanato, voar de foguete, superar um fracasso... Tudo parece impossível. Mas só é impossivel para elas. Para elas, sim, não há cursinho pré-vestibular que resolva, nem tratamento de fertilidade, nem treino, nem dieta, nem trabalho, nem dedicação, nem perseverança, nem terapia. Para elas está tudo perdido. Já era. Eu fico imaginando as pessoas do outro mundo olhando para nossas caras de derrota e pensando o mesmo que o protagonista daquele filme argentino &lt;em&gt;Valentín&lt;/em&gt;: "Existem umas pessoas que passam os dias como se a vida não lhes fosse algo útil".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente pode não ter todas as condições necessárias para começar o nosso plano de ação rumo nossas metas, mas o principal a gente tem: vida. Os vivos podem um monte coisas. Um operário pode ser eleito e reeleito presidente do Brasil. Um negro pode ser eleito presidente dos Estados Unidos. Um fisioculturista austríaco pode se tornar ator em Hollywood e depois ainda ser eleito governador da Califórnia. Uma coelhinha da Playboy pode se tornar a apresentadora de programa infantil mais famosa do Brasil. Uma professora desempregada pode escrever um livro infantil e ficar mais rica do que a Rainha da Inglatera. Um escritor brasileiro renegado pela crítica pode vender milhões de exemplares ao redor do mundo e passar a integrar a Academia Brasileira de Letras. Uma brasileira pode ter um filho do Mick Jagger. Uma ex-namorada do Mick Jagger pode casar com o presidente da França. E o Mick Jagger, apesar de todos os excessos - e de tantas namoradas - pode chegar aos 60 anos com a agenda lotada de shows - e shows de rock n' roll, fosse de bossa nova, a gente não se admirava tanto. Só quem já morreu não pode nada disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente pensa que não pode usar minublusa porque está acima do peso, ou minissaia porque está acima da idade, que não pode largar o emprego que detesta, terminar o casamento infeliz, enfrentar determinadas pessoas e lhes falar tudo o que a gente pensa e sente... Mas a gente pode. A gente precisa pagar um preço por isso, é verdade ( e entenda-se por "isso" quaisquer das alternativas, falar ou calar, terminar ou manter, etc), mas pelo menos a gente pode escolher qual preço quer pagar. E nem isso quem já morreu pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que conhecimento é poder. Que dinheiro é poder. Que &lt;em&gt;networking&lt;/em&gt; é poder. Que posição social é poder. Concordo. Mas o maior poder mesmo, o poder indispensável é a vida. Na vida, tudo o que é impossível para os mortos é apenas improvável. E realizar o improvável é uma questão de vontade. Mais, é uma questão de determinação. Uma vez alguém comentou com minha mãe sobre uma pessoa que tinha conseguido emagrecer muito caminhando. Ela não podia pagar academia, então caminhava pelas ruas da cidade todos os dias, sem exceção. Quando chovia - olha lá que imagem bela, que metáfora! - ela saía a caminhar... de guarda-chuva. Esse alguém disse "É muita força de vontade, não é?", ao que minha mãe respondeu "Isso não é vontade, é determinação". Concordo! Duvido que a tal pessoa tivesse sempre vontade de sair caminhando na chuva, levando banho dos carros que passavam por ela. Alguns argumentarão que é vontade, sim: vontade de emagrecer. Eu insisto que não. As vontades são inconstantes, mudam de direção, enfraquecem-se e enfraquecem-nos, levam-nos aos caminhos errados. "Escutar a voz do coração" é um perigo! O coração nem sempre manda fazermos o que é melhor para nós a longo prazo. O coração é infantil, selvagem: só pensa na satisfação imediata. É por isso que precisamos da determinação, que não nos pergunta se estamos com vontade nem consulta a previsão do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raul Seixas diz numa de suas músicas que "o negócio é saber que o mar não está pra peixe e sair pra pescar". Ele tem razão. E, se pensarmos bem, o mar só não está pra peixe para quem não pode mais pescar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós podemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-4754905992711678788?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/4754905992711678788/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=4754905992711678788&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/4754905992711678788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/4754905992711678788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/blog-post_26.html' title='Yes, we can!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SagnsTEiUbI/AAAAAAAAAJg/DttIAfofEjI/s72-c/obama.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-6961973794174416069</id><published>2009-02-26T09:28:00.001-08:00</published><updated>2009-02-26T09:38:01.745-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Falando em comerciais...</title><content type='html'>...Eu não podia deixar de dedicar um post exclusivo ao meu comercial favorito: o de lançamento da revista Época. É uma verdadeira obra-prima. É de 1998. Só tem uma coisa com a qual não concordo: uma semana não é "nada" para a História. Muita coisa pode mudar em uma semana e até em menos tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KU7pUs2opis&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KU7pUs2opis&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-6961973794174416069?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/6961973794174416069/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=6961973794174416069&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/6961973794174416069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/6961973794174416069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/falando-em-comerciais.html' title='Falando em comerciais...'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-8710851298083977368</id><published>2009-02-26T08:01:00.000-08:00</published><updated>2009-02-26T17:49:32.946-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Comerciais da década de 80!</title><content type='html'>No último post eu falei dos comerciais antigos, lembram? Pois pesquisei no YouTube e encontrei alguns. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é da Estrela, mas não consegui encontrar o comercial mesmo, só o jingle. Mesmo assim, é de arrepiar. Isso é a infância inteira de quem nasceu por volta de 1980. Aos mais emotivos, preparem os lenços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/IaFxBpSOBCo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/IaFxBpSOBCo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este também marcou época: Chambinho da Chambourcy, ao som de &lt;em&gt;Carinhoso&lt;/em&gt;, do Pixinguinha, cantado por crianças. Passou em 1984 - eu tinha 4 anos, e lembro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qQi9FhUg23M&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qQi9FhUg23M&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é da Faber-Castell, com a música &lt;em&gt;Aquarela&lt;/em&gt;, do Toquinho. Não há quem não lembre. Fizeram outras versões depois, mas a mais mágica é esta, porque a voz é de uma criança. Estou chegando à conclusão de que crianças gostam de ouvir crianças cantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ckxlPxNNigM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ckxlPxNNigM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um em que crianças cantam e que todas as crianças amavam: o comercial de Natal do Banco Nacional. "Quero ver você não chorar, não olhar pra trás..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bNlb_udmzOQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/bNlb_udmzOQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o da Bolinha de Sabão, de que eu falei no post anterior. É claro que eu queria ter uma, mas era muito cara. Só conheci uma menina que tinha. Ela tinha a Lu Patinadora também. Ela tinha tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/kBy2asyWBDY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/kBy2asyWBDY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é do jeans Pool, do "Pool da Gata", que ficou bem conhecido principalmente por causa da música, &lt;em&gt;Wishing Well&lt;/em&gt;, do Terence Trent D'Arby. Alguém vê comercial de jeans na TV hoje em dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_IpMDyZcC4Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_IpMDyZcC4Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este é do "Pool do Gato". A modelo do final do comercial é a Adriana de Oliveira. Para quem não lembra - ou para quem não era nascido na época - essa menina era lindíssima - como podem ver aqui - e tinha uma carreira promissora, mas morreu em janeiro de 1990, aos 20 anos, vítima de overdose. Numa noite com amigos e o namorado em um sítio, bebeu, fumou maconha e cheirou &lt;em&gt;muita&lt;/em&gt; cocaína. O fato teve muita repercussão - leiam, se quiserem, reportagem de capa da Veja sobre o assunto: http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/capa_14021990.shtml - porque, além de envolver uma pessoa famosa, a tragédia poderia ter sido evitada caso a modelo tivesse sido socorrida imediatamente, o que não aconteceu porque seu namorado e seus amigos temeram as consequências legais que isso certamente acarretaria. Deu em morte.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/u0yJmyw4hd0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/u0yJmyw4hd0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como já disse no post anterior, uma das mudanças que mais gostei nos últimos anos foi a invenção do YouTube. Eu ficaria uma tarde inteira só olhando comerciais e aberturas de novelas da minha infância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-8710851298083977368?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/8710851298083977368/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=8710851298083977368&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8710851298083977368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8710851298083977368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/comerciais-da-decada-de-80.html' title='Comerciais da década de 80!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-406970324007018575</id><published>2009-02-25T16:00:00.000-08:00</published><updated>2009-02-26T11:09:39.530-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Tudo muda o tempo todo no mundo</title><content type='html'>Este mundo tem mudado muito, fala a verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava aqui pensando que eu tenho blogado muito ultimamente – que é uma coisa de que eu gosto porque posso fazer quando, como e no tamanho que eu quero –, e aí eu pensei que já existe o verbo “blogar”, olha que coisa. “Blogar” vem de “blog”, que vem de “&lt;em&gt;weblog&lt;/em&gt;”, que é uma palavra inglesa que surgiu da aglutinação de “&lt;em&gt;web&lt;/em&gt;” – teia, mas que nesse caso se refere à rede mundial de computadores – e “&lt;em&gt;log&lt;/em&gt;”, que significa “diário de bordo ou de vôo” ou então “registrar”. De tudo isso surgiu “blogar”. É um verbo informal, quer dizer, não foi dicionarizado. E talvez nunca venha a ser, porque em português é assim, só existe o que sempre existiu, e o que existe a partir de agora nunca existirá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é uma coisa que eu admiro na língua inglesa: eles criam palavras a torto e a direito. Surgiu a necessidade, eles criam. Hoje em dia existe o verbo “&lt;em&gt;email&lt;/em&gt;”, sabiam? Eles dizem “&lt;em&gt;Email me&lt;/em&gt;”, que significa “me manda um email”. Eles poderiam dizer “&lt;em&gt;Send me an email&lt;/em&gt;”, mas dizer “&lt;em&gt;email me&lt;/em&gt;” é mais fácil e igualmente compreensível, portanto eles optam por “&lt;em&gt;email me&lt;/em&gt;”. “&lt;em&gt;To google&lt;/em&gt;” também já existe. Em inglês você não precisa dizer que pesquisou no Google, você diz “&lt;em&gt;I googled&lt;/em&gt;”. Assim como “&lt;em&gt;YouTube&lt;/em&gt;”, que acho que como forma verbal dá para escrever com “t” minúsculo, né? “&lt;em&gt;I youtubed that band you told me to&lt;/em&gt;”, por exemplo. É que eles tem uma vantagem de não precisar acrescentar terminações verbais, né? &lt;em&gt;Write&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;read&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;play&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;cry&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;stop&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;begin&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;fish&lt;/em&gt; são todos verbos, e nenhum termina do mesmo jeito. Em português, no infinitivo, tudo precisa terminar com –ar, –er ou –ir. É muito limitante. E lembrem do velho Wittgenstein: “os limites da minha língua são os limites do meu pensamento”. Será que isso quer dizer alguma coisa sobre os países luso-falantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês sabem como as reedições do dicionário Oxford são feitas? A equipe responsável sai pelas ruas das principais cidades da Inglaterra e dos Estados Unidos com um gravador e vai gravando tudo pelas ruas. Os taxistas, as pessoas conversando nas estações de trem, etc. Depois eles escutam tudo, tomam nota das palavras e termos novos e analisam o sentido deles dentro do contexto em que foram usados. E então incorporam o novo verbete na nova edição. Lá é assim, primeiro o povo fala, depois se dicionariza. No Brasil é diferente. Existe o dicionário cheio de palavras que ninguém usa – isso não lhes lembra um verso de Raul Seixas? – e as palavras que todo o mundo usa, mas que nenhum dicionário registra. Um não precisa do outro e vice-versa. Se o povo consultasse o dicionário, se espantaria. Se o dicionário consultasse o povo, então, nem se fala! A regra e a prática são completamente independentes. Aliás, lá em Salvador um taxista disse que no trânsito soteropolitano se dá mal quem segue os sinais de trânsito. E o demonstrou: “Quer ver que eu vou ligar a seta, e ninguém vai me dar lugar?”, desafiou. Dito e feito. “É por isso que o melhor é não dar sinal e se jogar na frente do carro”, explicou. E foi o que fez. Que selvageria!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas eu estava aqui falando do verbo blogar. Vocês já pensaram como tem um monte de palavras que antes não tinha, e se tinha, não com o uso que tem hoje? Pardal. Provedor. Torpedo. Celular. Portabilidade. Sala de bate-papo. &lt;em&gt;Pendrive&lt;/em&gt;. MP3. &lt;em&gt;Webcam&lt;/em&gt;. Avatar. DVD. LCD. Para cada coisa que se inventa, tem que dar um nome. O único lugar em que os nomes vieram antes das coisas é a Bíblia. Lá Deus diz “Faça-se a luz” e só então a luz passa a existir. A palavra “luz” existe antes de a coisa “luz” existir. Mas Deus tinha a vantagem de só precisar saber de antemão os nomes do que Ele ia inventar em sete dias. Opa, em seis, no sétimo Ele descansou. A gente não tem essa moleza. De lá para cá, já foi inventada tanta coisa, que a gente não ocupa memória no nosso HD com os nomes das coisas que estão por serem criadas. A realidade exige mais praticidade: a gente só decora os nomes das coisas que já existem, e ainda assim, só das que fazem parte do nosso dia-a-dia. Ou vocês acham que quem mora no sertão nordestino sabe o que é portabilidade? Não, a gente guarda tantos nomes quantas coisas existem no nosso mundo. Portanto, a restrição do seu vocabulário é a restrição do seu mundo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez que muita coisa é inventada, muitas outras caem em desuso. E as palavras que lhe dão nome, conseqüentemente, também. Anágua. Datilografia. Disquete. Vitrola. Videocassete. Toca-fitas. Filme de fotografia (da época em que a gente tirava as fotos e ainda tinha que pagar para mandar revelar). Revista de letras traduzidas. Eram revistas que vinham com as traduções de músicas estrangeiras. Eu cheguei a pegar esse tempo, comprei na adolescência revistas com letras do Doors e do Led Zeppelin. Outras coisas continuam a existir, mas como já se nos tornaram íntimas, não precisam ser referidas com nome e sobrenome. Quem hoje em dia diz que comprou uma televisão com controle remoto? Ninguém. Mas na década de 80, falava-se – e com orgulho. Hoje soaria tão absurdo quanto dizer “TV a cores”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa que eu acho curiosa são os comerciais de TV. Analisar comerciais de TV através das décadas é um estudo antropológico e tanto! Eu não vejo muita televisão – não é por não gostar, acho a maior cafonice as pessoas quererem se engrandecer ao dizer que não gostam de TV! –, mas quando eu assisto, não costumo ver comerciais de brinquedos. No meu tempo de criança tinha comercial da Barbie, da Lu Patinadora, da Bolinha de Sabão, do Anfibius, dos Comandos em Ação, do Genius, e mais um monte de brinquedos da Estrela e da Glasslite. Tinha comercial de cigarro – os do Free eram ótimos, teve uma campanha cuja trilha era uma música estilo Joe Satriani em que apareciam jovens descolados pintando uns quadros de arte abstrata muito bonitos e dizendo coisas do tipo “Quando nada é certo, tudo é possível”, e acabava com o slogan do Free, que era “Questão de bom senso”. Tinha comerciais de marcas de lingerie, como a DeMillus e a Valisère. Não lembro de ter visto comerciais disso ultimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, não havia comerciais de certas coisas, algumas porque não existiam, outras porque não era necessário. Provedor da Internet, por exemplo, não existia, assim como operadoras de telefonia celular. Outras coisas existiam, mas não faziam anúncios na TV. Escolas particulares não tinham com quem concorrer, por isso podiam se dar ao luxo de esperar os pais procurarem a escola para fazerem as matrículas. Clínicas de cirurgia plástica não faziam procedimentos em milhões de vezes no cartão, por isso a clientela se restringia a um seleto grupo que não justificava pagar milhões pelo minuto na TV. E tem outras coisas que, sinceramente, não sei porque anunciam. Outro dia eu vi um comercial de um cemitério daqui de Porto Alegre. O que será que passou pela cabeça do dono do cemitério quando teve a idéia de anunciar? “Nunca se sabe quais são os sonhos de consumo das pessoas”, será? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as despesas? Quando eu era criança, meu pai não precisava pagar conta de celular, conta da Internet banda larga, conta da TV a cabo, conta do sistema de segurança da casa...  E no preço da cerveja que ele bebia no bar também não vinha embutido a despesa que o bar tinha com o seu sistema de segurança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, minha gente, e pensar que houve tempo em que o Michael Jackson era preto, a Madonna era puta, o Arnold Schwarzeneger era ator, o Paulo Coelho era letrista do Raul Seixas, o João Gordo era punk, o FHC era de esquerda, o Lula era sindicalista, o PT era honesto, o rock era rebelde, o futebol era arte, homossexual era bicha, afro-descendente era negro, consequência se escrevia com trema, e todas as mulheres sonhavam com o George Michael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou querendo dizer com tudo isso que de lá para cá as coisas pioraram. Na adolescência, se eu gostava muito de uma música tocando num carro qualquer no trânsito, tinha que conviver com a angústia não só de não saber que música e que banda eram aquelas, mas também com a de nunca mais escutá-la, até que um dia, anos depois, por acaso, eu escutasse a música de novo na casa do primo do vizinho do ex-namorado de uma colega de faculdade e perguntasse “Que música é essa? Quem canta? Me empresta este CD?” Hoje eu digito parte do que eu entendi da letra no Google, descubro o nome da música, encontro-a no YouTube e naquele dia mesmo já estou cantando-a no chuveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve tempo em que a gente carregava papelada pra cima e pra baixo. Depois nós começamos a levar as coisas armazenadas num disquete ou num CD e a já achávamos o máximo. Hoje a gente leva tudo na &lt;em&gt;pendrive&lt;/em&gt;, quando não envia para si mesmo por &lt;em&gt;email&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve tempo em que a gente se perguntava “Que fim terá levado o Fulano?” E continuávamos sem ter notícia do Fulano. Hoje tem Orkut. Dá para saber no que ele está trabalhando e se está casado ou separado, e pelos &lt;em&gt;scraps &lt;/em&gt;e comunidades, dá até para saber quem deu o pé na bunda de quem. Se ele for discreto – ou anacrônico – e não estiver no Orkut, a gente procura no Google. Ninguém escapa ao Google. É só digitar lá “Fulano de Tal” e pronto. Podemos não descobrir seu estado civil, mas dá para saber até os concursos públicos que fez – e se foi aprovado – e as multas que levou do Detran. Se ele não estiver no Google, já sabe: é porque morreu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já experimentou assistir a um filme no videocassete depois de anos só assistindo em DVD? Eu já. Foi uma tortura. Nem consegui ver até o fim. Você já navegou em Internet discada depois de ter tido Internet banda larga? Pois é. E teve um tempo em que você achava que Internet discada era tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é assim. A gente vive coisas que, na hora, a gente pode achar o máximo, e tempos depois, a gente se pergunta como é que conseguia viver daquele jeito. Naquela cidade. Naquele emprego. Com aquele salário. Com aquela pessoa. E a gente conseguia viver porque a gente não sabia – a ignorância é um excelente regulador de apetites! – como era a imagem do DVD, a rapidez da Internet banda larga e a vida em outra cidade, em outro emprego, com outro salário, com outra pessoa. Ou, vá lá, na mesma cidade, com o mesmo emprego e com o mesmo salário, só que sem aquela pessoa, não precisa nem estar com outra, só de estar sozinho já é uma evolução e tanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a gente vai mudando, e, assim como as coisas e as palavras que dão nome às coisas, algumas de nossas versões ficam ultrapassadas conforme vamos descobrindo outras formas de ser - e muitas vezes só percebemos a mudança muito tempo depois, do mesmo modo como percebemos que deixamos de dizer "televisão com controle remoto". Se a gente parar pra pensar, todo o mundo é meio inglês: a gente vai se inventando de acordo com a necessidade e descartando as pessoas que não nos servem mais ser, e isso pode ser bom e pode ser ruim, depende da maneira como se usa esta habilidade – se é porque é bom para nós ou se é porque é bom para os outros. Poderão alguns pensar que às vezes o que é bom para nós é ser bom para os outros, mas eu desconfio que depender dos outros – ainda mais para ser – nunca é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a gente é tanta gente ao longo da vida, que é preciso um dia inteiro para conseguir lembrar de tanta gente que a gente já foi, da mesma forma como para conseguir lembrar de tanta coisa e palavra que já existiu no mundo e não existe mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesma às vezes leio coisas que escrevi aqui e, diante dessa outra pessoa que eu era e que escreveu aquilo, chego até a sentir aquele constrangimento que se sente ao reencontrar uma pessoa de quem já se foi íntimo, mas já não se é mais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas não deleto o que escrevi. Estranhar-se não é se arrepender. Não necessariamente. Pode ser só a surpresa de ser lembrado de como se era, como quando se encontra por acaso um cartão de visita ou uma nota de dois reais no bolso de uma calça que não se usa com frequência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reencontrar todo o mundo que a gente foi é uma ótima maneira de analisar o que fizemos de nossas vidas e também de projetar o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você está fazendo pelas pessoas que você ainda vai ser? Elas lhe serão gratas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você se deparasse com você criança, seja honesto consigo mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...quem daria colo a quem?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-406970324007018575?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/406970324007018575/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=406970324007018575&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/406970324007018575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/406970324007018575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/tudo-muda-o-tempo-todo-no-mundo.html' title='Tudo muda o tempo todo no mundo'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-9114470406419408144</id><published>2009-02-24T14:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T18:46:19.578-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Nostalgia</title><content type='html'>Não sei por quê, mas hoje eu passei o dia inteiro com a sensação de que eu estava em 2005. Sensação desagradável, porque 2005 não foi um ano do qual eu tenha muitas saudades. Foi um ano de muita melancolia. Mas para exorcizar esta sensação, fui ao YouTube escutar uma banda maravilhosa que eu escutei muito em 2005: Cocteau Twins. Melancólica, como só os britânicos sabem ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/WybSSagVvoU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/WybSSagVvoU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-9114470406419408144?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/9114470406419408144/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=9114470406419408144&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/9114470406419408144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/9114470406419408144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/nostalgia.html' title='Nostalgia'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-2602305027004109809</id><published>2009-02-24T08:59:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T18:45:56.542-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>A última a saber</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaQwTrLSSnI/AAAAAAAAAI4/ecW9_NLXOEw/s1600-h/gabriella+cilmi.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 223px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaQwTrLSSnI/AAAAAAAAAI4/ecW9_NLXOEw/s400/gabriella+cilmi.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306419375514995314" /&gt;&lt;/a&gt;Ai, credo, estou me sentindo marido traído! Se não sou eu a fuçar essa Internet de meu Deus, eu fico pra trás das novidades da música. Foi sozinha que descobri Amy Winehouse. Agora essa: ninguém me conta que existe uma garota australiana arrasando! Descobri por acaso, lendo um blog dedicado à... Amy Winehouse. Fui pesquisar e vi que no Orkut já existem comunidades dedicadas a ela criadas em 2007!!! E dizem até que teve um comercial do Rexona aqui no Brasil com uma música dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você está mais por fora do que eu e também não está sabendo de nada, eu te apresento: Gabriela Cilmi é o seu nome - se pronuncia "Tilmi", é de origem calabresa. A menina - nasceu em 10 de outubro de 1991! - é de Melbourne. Parece que agora ela mora em Londres. Ah, sei lá, para maiores detalhes, procure na Wikipedia. O que importa mesmo é que o repertório é muito bom e a voz é maravilhosa. Já estão comparando com a Amy - que saco! Bom, Cilmi tem uma voz muito poderosa, mas acho que é um pouco mais aguda que a de Amy, e seu repertório é um pouco mais pop (e algumas, mais alegres), também. E, pelo pouco que vi até agora, a menina, apesar de ter personalidade, não tem intenção nenhuma de ser maldita. Em suma, Amy é Amy e Gabriella é Gabriella. Curtamos ambas sem moderação! Êta década que tem sido bem boa, hein?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esta é música dela de que eu mais gostei. Tem o clipe no YouTube, mas não tem permissão para incorporação aqui, então...&lt;/strong&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/IEdP1f2h0tE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/IEdP1f2h0tE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E este é o seu maior &lt;em&gt;hit&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/VJuqRmE_YHk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/VJuqRmE_YHk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Também gostei muito desta:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TDJxv8KEuXg&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/TDJxv8KEuXg&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não vou encher meu blog de vídeos. Procurem &lt;em&gt;Einstein&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Awkward Game&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Sorry&lt;/em&gt;, são músicas interessantes também, todas do único álbum dela, &lt;em&gt;Lessons to be learned.&lt;/em&gt; Há outras canções de que não gostei tanto - me lembram as músicas de que eu não gosto do Pixies, sabe aquela gritaria? Pois é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-2602305027004109809?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/2602305027004109809/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=2602305027004109809&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2602305027004109809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2602305027004109809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/ultima-saber.html' title='A última a saber'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaQwTrLSSnI/AAAAAAAAAI4/ecW9_NLXOEw/s72-c/gabriella+cilmi.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-1059289782547001549</id><published>2009-02-23T19:38:00.000-08:00</published><updated>2009-02-25T19:11:34.396-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>As razões das exceções</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaNywGDFsPI/AAAAAAAAAIw/MHeKz0DdD_M/s1600-h/diferente+3.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaNywGDFsPI/AAAAAAAAAIw/MHeKz0DdD_M/s400/diferente+3.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306210956555432178" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Por que só aquela é vermelha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já escrevi alguns posts atrás, passei férias em Salvador. Logo, não sobrou dinheiro para eu fazer algo neste carnaval. O carnaval de 2009 está sendo aqui, em Porto Alegre, em frente ao computador, ouvindo música no YouTube, lendo alguns parágrafos de &lt;em&gt;A jangada de pedra&lt;/em&gt;, de Saramago, escrevendo no blog, pensando, pensando, pensando... E tem sido muito bom, sabe? É um retiro espiritual forçado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha irmã disse que, se fosse homem e fosse apresentado a mim, me acharia a mulher mais desinteressante do mundo por estar passando o carnaval sozinha em casa (a Sandra e seus preconceitos...) Pois eu discordo dela. Discordo dela totalmente. Se a maioria esmagadora das pessoas faz alguma coisa no carnaval, o que haverá de especial com a minoria que não faz nada? As exceções, me interessam muito elas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois só vim a pensar nisso hoje, alguns minutos atrás. Está chovendo em Porto Alegre, de modo que não pude levar Diná, minha companheira de todas as horas que, aliás, completou um ano ontem, para passear. Por isso, levei-a agora à noite ao pequeno jardim do meu prédio, só para ela se divertir um pouquinho - pelo menos ela! -, e pude ver que, no bar em frente, havia duas pessoas conversando. Duas pessoas conversando no bar que fica em frente ao meu prédio! Numa segunda de carnaval chuvosa em Porto Alegre! Único! Insólito! Se eu tivesse levado meu celular, teria tirado foto. Se eu não tivesse pudor nenhum, deixaria a Diná desvendando os mistérios daquele jardim pelos quais só os cães se interessam em desvendar e atravessaria a rua e pediria uma cerveja e me sentaria àquela mesa e perguntaria com real curiosidade pela resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Por que vocês estão aqui? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, essa ideia de que se intrometer na vida alheia é falta de educação impede diálogos incríveis! Evita encontros inesquecíveis! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo de volta ao meu apartamento, o inusitado continuou. A janela do meu quarto dá para os fundos do meu prédio, aliás dá para os fundos dos outros prédios também. Telhados, janelas, garagens, varais e peças de roupas que caíram deles e que ninguém fez questão de resgatar. Pois ao passar pela janela do meu quarto, ouvi vozes. Ouvi vozes e não vi luz brilhando de nenhuma janela. Na minha vizinhança, pensei, alguém conversa no escuro. No carnaval, milhões de pessoas bebem, beijam, tiram o pé do chão e batem na palma da mão. Mas quantas conversam no escuro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vontade de ir até lá e perguntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Por que vocês estão aqui? E por que estão no escuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu nem sei o número do apartamento. Por que não gritar? Poderia gritar, eles ouviriam, pois eu não os estou ouvindo conversar? Mas eu perturbaria a ordem se o fizesse. Ordem do quê, criatura? Não tem ninguém no bairro inteiro a não ser aquelas duas pessoas conversando no bar e essas outras duas no escuro! Ah, mas mesmo assim... Vocês nunca tiveram a impressão de que o próprio silêncio se incomoda com o barulho? Vocês nunca se flagraram cochichando com alguém de madrugada até que esse alguém perguntasse porque vocês estão falando baixo, já que não tinha ninguém dormindo mesmo, e daí vocês começaram a falar alto e sentiram um desconforto e tiveram a impressão de que estavam violando alguma coisa, mas não sabiam o quê? Pois era o próprio silêncio. Era a ordem das coisas. Leiam a crônica &lt;em&gt;Insônia&lt;/em&gt;, de Luis Fernando Verissimo, e vocês vão me entender. Aliás, vocês vão &lt;strong&gt;&lt;em&gt;se&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; entender – que é pra isso que existem literatura e gênios como o Verissimo. Diz ele nessa crônica que à noite sua casa não é sua. Ele tem razão. À noite, nosso bairro também não é nosso, nem a cidade. Mesmo e principalmente quando ela está vazia numa segunda de carnaval. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como sou tão respeitosa em relação ao silêncio e à ordem das coisas, eu não grito. Eu só imagino. Imagino o que poderia acontecer se eu saísse pela cidade a visitar todos que ficaram em Porto Alegre no carnaval e lhes indagaria o porquê de estarem aqui. O que não viria como resposta, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um senhor, ouvindo Coltrane e com um DVD de &lt;em&gt;Um miterioso assassinato em Manhattan&lt;/em&gt; nas mãos, me diria que simplesmente detesta carnaval. Diria que houve outrora tempos bons de carnaval, tempos em que a trilha sonora ainda era composta de bons sambas e em que até a malandragem era inocente, mas que nada mais disso existia e que, por isso, ele preferia ignorar a data. Então nós ficaríamos até o amanhecer da quarta-feira de cinzas assistindo a todos os filmes de Woody Allen. Que boas risadas não renderiam!   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma viúva diria que todos os filhos foram passar o carnaval na praia e a deixaram só. E eu perguntaria quais seriam as razões de os filhos deixarem-na só, e ela contaria tudo desde o início, desde que conhecera o pai deles, e de como tinha sido sua reação ao descobrir sua primeira gravidez. E eu perguntaria se na segunda e na terceira tinha sido a mesma coisa, e que expectativas ela tinha criado para cada um deles, e se ela não teria negligenciado de alguma forma um ou outro ou todos. Que boa reflexão renderia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um homem me diria que está com o pai hospitalizado e que é filho único. E eu perguntaria se o pai cuidava da saúde, e ele diria “Que nada! Enxugava uma garrafa de cana por dia!”. E então ele contaria que na juventude seu pai saía a fazer serenatas para diversas mulheres, e como a sua mãe sofrera por causa disso. “Mas a sua mãe não sabia que ele fazia isso antes de casarem?”, eu perguntaria, e ele diria “Claro que sabia, pois foi ouvindo a que ele fez para ela que ela se apaixonou, só que ela pensou que depois dela, ele pararia”, e eu retrucaria “E por que ele não parou?”, e ele responderia “Porque o que ele gostava não era tanto da musa, mas da serenata em si”. E assim ele continuaria descrevendo todas as mulheres para quem seu pai havia cantado e, às vezes, até arriscaria alguns versos das canções de que se lembrasse. Que boas histórias não renderiam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma moça, com olhar triste e violão em punho, me diria que não está em clima de carnaval porque está sofrendo por amor. Diria que foi a mulher da transição. “O que é a mulher da transição?”, eu perguntaria, e ela explicaria “É a mulher com quem um homem fica no período que compreende o fim de um amor e o início de outro”. “E por que tu te sujeitaste a este papel?!”, eu questionaria, e ela diria que não sabia que era este o papel que ele lhe havia reservado. “E que desculpa ele te deu quando começou a amar essa outra?!”, eu perguntaria, e ela diria “Nenhuma, ele não disse nada, ele simplesmente sumiu”. E então ela começaria a dedilhar o violão e cantaríamos juntas “Trama em segredo teus planos, parte sem dizer adeus...” Que bons sambas não renderiam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muito interessantes, sim, as pessoas que não fazem nada nas datas em que todo o mundo faz alguma – e, geralmente, a mesma – coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-1059289782547001549?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/1059289782547001549/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=1059289782547001549&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1059289782547001549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1059289782547001549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/as-razoes-das-excecoes.html' title='As razões das exceções'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaNywGDFsPI/AAAAAAAAAIw/MHeKz0DdD_M/s72-c/diferente+3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-7777260190809116156</id><published>2009-02-23T11:46:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T16:15:14.907-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Brilhante legítimo - mas não único</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaMLx_8CAYI/AAAAAAAAAIQ/IlBi8asJov8/s1600-h/elis.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaMLx_8CAYI/AAAAAAAAAIQ/IlBi8asJov8/s400/elis.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306097739577295234" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Elis: depois dela não apareceu mais ninguém?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou mexer em vespeiro, mas vamos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um de meus passatempos favoritos é ver vídeos no YouTube. Eu simplesmente amo música, amo ver os artistas que admiro cantando/tocando e amo ver as versões que os anônimos deste mundo dão às canções. Em vários desses vídeos, deixo comentários. E em vários deles, leio os comentários alheios e, não raro, me deparo com o velho clichê: “nunca vai haver uma cantora como Elis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo. Em parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, porque obviamente não podemos prever o futuro. Podemos dizer no máximo que, desde que Elis morreu, nunca houve, até os dias de hoje, uma cantora como Elis. E ainda assim, só no Brasil. Quem ousará discutir que Amy Winehouse não está no patamar de Elis? Timbre magnífico, talento indiscutível, interpretações carregadas de emoção e repertório nota 10. Alguém vai contrariar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaMP2Da7GyI/AAAAAAAAAIY/v-qV7M9BYT0/s1600-h/amy.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 273px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaMP2Da7GyI/AAAAAAAAAIY/v-qV7M9BYT0/s400/amy.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306102207278160674" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Amy Winehouse: só quem ama o passado é que não vê&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, o que eu acho é que até hoje nunca houve uma cantora que pudesse cantar &lt;em&gt;As curvas da estrada de Santos&lt;/em&gt; como Elis. Ou &lt;em&gt;Atrás da porta&lt;/em&gt;. Ou &lt;em&gt;Como nossos pais&lt;/em&gt;. Ou &lt;em&gt;Me deixas louca&lt;/em&gt;. Estas são músicas desesperadamente cheias de sentimento que, sim, exigem uma intérprete que lhes imprima emoção, e isso, de fato, no Brasil, nunca ninguém fez como Elis. Talvez Maria Bethânia o faça, mas, ainda assim, tento imaginar &lt;em&gt;Grito de alerta &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Olhos nos olhos &lt;/em&gt;na voz de Elis, e acredito que ela faria miséria dessas canções – da mesma forma que teria feito miséria de algumas composições de Cazuza, se tivesse vivido a tempo de conhecê-lo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, há músicas que surgem numa versão qualquer e, depois, carregadas pela emoção de uma outra intérprete, ficam muito melhores. É o caso de &lt;em&gt;Will you still love me tomorrow?&lt;/em&gt;, que surgiu com as Shirelles na década de 60, ganhou diversas versões nas décadas subsequentes (Carole King fez uma, procurem no YouTube), mas, pelo menos para mim, tornou-se definitiva com Amy Winehouse. Amy parece cantá-la com o coração sangrando, e aí está seu mérito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Will you still love me tomorrow?&lt;/em&gt; com The Shirelles&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cbxxkwBQk_o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/cbxxkwBQk_o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Will you still love me tomorrow?&lt;/em&gt; com Amy Winehouse&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Ludxpkyrab0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Ludxpkyrab0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, o que faz de Elis e de Amy cantoras únicas é a intensidade de suas interpretações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, aí vem a minha tese: NEM TODA CANÇÃO É INTENSA. Nem toda canção canta dores lancinantes e paixões rasgadas e desesperadoras. Há as que cantam a indiferença, o tédio, a covardia, e essas pedem vozes amenas. Vamos falar de &lt;em&gt;Pessoa&lt;/em&gt;, música a que me refiro no meu último post. O sujeito da canção rejeitou alguém especial pelo medo de amar. Covardia. Cansaço. Descrença. Conseguem imaginar versão melhor do que a de Marina? Conseguem imaginar Elis fazendo uma versão muito melhor do que a dela?    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda há as canções que cantam nada. Ou quase nada. &lt;em&gt;O barquinho&lt;/em&gt;, de Roberto Menescal e Roberto Bôscoli, por exemplo. É uma canção sobre a calma de um entardecer de verão. Ouçam a versão de Elis e comparem com a de Maysa. A de Maysa é muito melhor, e ainda assim, a voz de Maysa também é muito dramática para esta letra. Prefiro a versão de Nara Leão, suave... como um entardecer de verão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O barquinho&lt;/em&gt; com Elis Regina&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vpFsSLFs78A&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vpFsSLFs78A&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O barquinho &lt;/em&gt;com Maysa&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zCkeyPyB73s&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zCkeyPyB73s&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;em&gt;O barquinho &lt;/em&gt;com Nara Leão&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YH3ACStz-P0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YH3ACStz-P0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-7777260190809116156?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/7777260190809116156/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=7777260190809116156&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7777260190809116156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7777260190809116156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/elis-e-melhor-ponto-no-brasil-ponto-na.html' title='Brilhante legítimo - mas não único'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaMLx_8CAYI/AAAAAAAAAIQ/IlBi8asJov8/s72-c/elis.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-1045934211839234812</id><published>2009-02-22T07:34:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T13:52:55.804-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>A pessoa mais linda do mundo</title><content type='html'>A música &lt;em&gt;Pessoa&lt;/em&gt;, do compositor Dalto e interpretada por Marina Lima, vai ao encontro do que escrevi no &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Mulheres em extinção?&lt;/strong&gt; Às vezes, só de olhar, não reconhecemos a pessoa mais linda do mundo. Porque o olhar só enxerga a saia curta e o decote generoso, para usar os mesmos exemplos que usei no já mencionado &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; - e poderia ser um exemplo da contrapartida, pois estou falando das mulheres vítimas de estereótipos porque a questão me surgiu assim através daquela comunidade do Orkut, mas é claro que as mulheres também rotulam os homens através de estreitas frestas e os rejeitam de acordo com elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutem a música, ela está entre as minhas preferidas da Marina. Aliás, as músicas que são especiais para mim, assim como as pessoas que o são também, eu sempre lembro como eu conheci. &lt;em&gt;Pessoa&lt;/em&gt; é de um álbum de 1993 da Marina, mas eu só fui ouvi-la pela primeira vez em fevereiro de 1999, num comercial da GNT que anunciava a programação especial que o canal exibiria durante a semana da mulher. Eu estava almoçando, cabeça baixa, olhando para o prato, quando ouvi aquela breve introdução seguida daqueles versos na voz da Marina.  Ergui imediatamente a cabeça para ver do que se tratava. "Que música linda!", pensei. Agora ouçam e pensem vocês também. &lt;strong&gt;E não cansem nunca de acreditar!&lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1Fg7xGZM8s4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1Fg7xGZM8s4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-1045934211839234812?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/1045934211839234812/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=1045934211839234812&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1045934211839234812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1045934211839234812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/pessoa-mais-linda-do-mundo.html' title='A pessoa mais linda do mundo'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-8141258303192528801</id><published>2009-02-22T06:49:00.000-08:00</published><updated>2009-02-25T19:02:39.411-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Mulheres em extinção?</title><content type='html'>Esses dias eu estava percorrendo a esmo algumas comunidades do Orkut quando me deparei com uma de nome &lt;em&gt;Mulheres em extinção&lt;/em&gt;, que conta com cerca de 66 mil membros. Cliquei no ícone para ler a descrição - o que seria uma mulher em extinção? - e descobri que a comunidade se refere a mulheres "finas, inteligentes, educadas, que se dão valor e que não saem fazendo barracos e falando palavrões". Então chamou-me a atenção o tópico mais recente do fórum de discussões: um rapaz criticava a suposta hipocrisia dos membros daquela comunidade, pois não pode haver 66 mil mulheres que não falam palavrões e que não transam com o primeiro bonitinho que aparece. "Se for investigar o passado de cada uma delas, não se salva uma", dizia o autor do tópico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se seguiu à colocação deste rapaz foi um, a meu ver, festival de opiniões estreitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os participantes masculinos da discussão mostraram-se indignados com o comportamento feminino atual - e não lhes tiro totalmente a razão. A questão é que eles e - olha lá o perigo das generalizações, mas vamos lá - a maioria dos homens analisa a questão de uma perspectiva, na minha opinião, distorcida. Não se trata de promiscuidade gratuita ou de - como muitos acreditam, e eu às vezes custo a acreditar que eles realmente acreditam nisso - interesse pelas condições materiais do rapaz. Pelo menos, não na maioria dos casos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu penso acontecer é que as mulheres, incentivadas pelos primórdios do feminismo, pensam-se inferiores aos homens, e por isso, querem competir com eles. Homens adoram conquistar e colecionar mulheres - e, homens, acreditem, isso incomoda muito as mulheres. Então elas fazem o mesmo para lhes dar o troco. E conseguem, pois como a tal discussão comprova, os homens estão incomodados com isso. Eu sei que em homens isso pode ser natural, mas isso não deve servir de desculpa para tal comportamento, pois nem tudo o que é natural é bom: o câncer é natural, assim como os terremotos, o infanticídio dos filhotes defeituosos - e o interesse feminino pelos machos que lhe dêem mais segurança, seja ela de que natureza for! ; )  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente penso ser uma forçação de barra da parte das mulheres fingirem realização ao seguir o modelo masculino de fazer sexo. Cheira-me a um modo de compensação, uma vingança. É mais ou menos como se uma menina visse um menino brincando alegremente com seus carrinhos e, largando súbita e raivosamente suas bonecas, dissesse: “Ah, é? Você gosta de brincar com carrinhos? Pois eu também gosto!”, e pegaria os carrinhos e brincaria com voracidade, fingindo contentamento, e diria “Olha só, como eu também gosto de brincar com carrinhos!” Mas na verdade ela não gosta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fato que chamou a minha atenção no debate em questão é a maneira absolutamente precipitada com que os homens julgam as mulheres. Uma saia curta e um decote generoso já basta para que a moça mereça rótulos nada abonadores. E o pior é que, uma vez que rotula aquela cristã, o cara não consegue enxergar mais nada na moça a não ser o estereótipo que ele mesmo criou para ela - eis o perigo dos estereótipos! -e nem leva em consideração que, mesmo que ele esteja certo em seu preconceito, a moça pode vir a mudar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, no tópico nenhum homem questionou o porquê de estas mulheres se comportarem assim, muito menos levantou a hipótese de que elas podem ser promíscuas, sim, &lt;em&gt;mas não apenas isso&lt;/em&gt;. Elas podem ser promíscuas e carinhosas, promíscuas e batalhadoras, promíscuas e competentes, promíscuas e aspirantes a um relacionamento que as façam não querer mais ser promíscuas. E o mesmo vale para os homens ditos cafajestes. A questão é que como quase ninguém está disposto a ter o trabalho de mudar, pensam que todas as demais pessoas também não podem. Mas todas podem, se quiserem e se tiverem um bom motivo para isso. E qualquer um de nós pode ser esse motivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-8141258303192528801?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/8141258303192528801/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=8141258303192528801&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8141258303192528801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8141258303192528801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/mulheres-em-extincao.html' title='Mulheres em extinção?'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-3120160495740327311</id><published>2009-02-21T12:59:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T17:02:29.101-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Turismo'/><title type='text'>Salve Salvador!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCI0Oe-zHI/AAA&lt;br /&gt;AAAHg/Ko9qTykful8/s1600-h/DSC02099.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCI0Oe-zHI/AAAAAAAAAHg/Ko9qTykful8/s400/DSC02099.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305390791865060466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive em Salvador nestas férias e adorei! Além de ter revisto minha querida irmã Eliz, seu namorido, Fabiano, e sua simpática cachorrinha Hiena "Pimpom", pude conhecer esta apaixonante cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira tarde, fomos, por recomendação do taxista que levou minha outra irmã e eu do aeroporto à casa de Eliz, à praia de Piatã. &lt;em&gt;Bad move&lt;/em&gt;! Piatã é suja e lotada! De bom, só mesmo um belo pôr-do-sol, que por sinal, lá acontece por volta das 17h30 ou 18h - a Bahia não adota o horário de verão. Lá amanhece supercedo, o que nos forçou a levantar todos os dias mais ou menos às 7h ou 7h30- em plenas férias! - para aproveitarmos bem a praia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaBr9X0VcfI/AAAAAAAAAGw/QdGSpuWhKVU/s1600-h/DSC01904.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaBr9X0VcfI/AAAAAAAAAGw/QdGSpuWhKVU/s400/DSC01904.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305359063152161266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pôr-do-sol em Piatã&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, a Eliz nos levou ao paraíso: Stella Maris. De onde ela mora, nas redondezas das avenidas Luiz Viana Filho e Jorge Amado, dá uns 40 minutos de ônibus tipo lotação (R$ 3,00 a passagem). Praia belíssima, ótimas piscinas naturais, coqueiros, poucos turistas e bons restaurantes – a moqueca de mariscada estava excelente, o peixe vermelho, nada de mais. Ponto positivo: os preços não eram exorbitantes, como se espera de lugares turísticos, principalmente em praias isoladas como a praia em questão. Pagamos lá por boa comida o mesmo que se paga em Porto Alegre por comida da mesma qualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCIDxU7IjI/AAAAAAAAAHY/HbIaw5djpYs/s1600-h/DSC02030.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCIDxU7IjI/AAAAAAAAAHY/HbIaw5djpYs/s400/DSC02030.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305389959404528178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eliz e eu em Stella Maris&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha tomado banho em uma piscina natural, e adorei. Não corremos o risco de sermos sugados pelo mar – há ondas, mas elas não quebram, não repuxam e nem cometem a indiscrição de tirar nossos biquínis –, ficamos mergulhados até o pescoço e, o que é melhor, dá para enxergar não só nossos pés, mas os peixinhos coloridos que nadam em torno deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaBuL0JfVnI/AAAAAAAAAG4/hN5PLlPksjY/s1600-h/Salvador+2009+019.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaBuL0JfVnI/AAAAAAAAAG4/hN5PLlPksjY/s400/Salvador+2009+019.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305361510298506866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu, Eliz e Sandra em uma piscina natural de Stella Maris&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro paraíso é a Praia do Forte, que fica a uma hora e meia de Salvador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaBu_RitLsI/AAAAAAAAAHA/fFfZF17AqXk/s1600-h/DSC02000.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaBu_RitLsI/AAAAAAAAAHA/fFfZF17AqXk/s400/DSC02000.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305362394362228418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Praia do Forte&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem para lá foi uma aventura. Se vocês tiveram oportunidade de assistir à novela &lt;em&gt;Tieta&lt;/em&gt;, transmitida pela Globo no horário das 8 em 1989 e reprisada no &lt;em&gt;Vale a pena a ver de novo&lt;/em&gt; em 1994, devem lembrar da marineti, dirigida pelo personagem de Elias Gleiser. Pois é, foi numa mais ou menos assim que nós fomos à Praia do Forte. Havia um motorista e um outro carinha a cuja função não sei dar um nome específico, mas ele praticamente, a cada parada de ônibus, tentava convencer as pessoas a entrarem no veículo. Ah, e claro, ele também era o repsonsável por segurar a porta direita da “marineti” – senão, cairia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Praia do Forte é como uma &lt;em&gt;villa&lt;/em&gt; supercharmosa, com restaurantes e butiques com aquele tipo de elegância descontraída, sabem? A propósito, comi um bobó de camarão inesquecível lá, mas esqueci o nome do restaurante – hehe –, só lembro que foi num restaurante italiano – sim, há comida para os “malucos” que não gostam de frutos do mar. Tem turistas de todo o mundo lá, mas também tem moradores locais, pois eu vi até uma escola municipal de ensino fundamental entre uma loja e outra – deve ser para os filhos das pessoas que trabalham lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo, eu odiei a praia em si, porque na hora de tomar banho, não queríamos entrar numa pequena baía onde havia alguns barcos, por medo de que a água estivesse meio suja em função do óleo das embarcações. Então tentamos as piscinas naturais, mas havia muitas pedras, de modo que os pés doíam. Por fim, acabamos nos rendendo à baía... e foi maravilhoso, o melhor banho que já tomei na minha vida. Água parada, morna e limpa. Nem sinal de óleo. Uma delícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCLFjuvWQI/AAAAAAAAAHo/gSCseDZ_5Qc/s1600-h/DSC02090.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCLFjuvWQI/AAAAAAAAAHo/gSCseDZ_5Qc/s400/DSC02090.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305393288649332994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu na Praia do Forte&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É na Praia do Forte que fica o Projeto Tamar – aquele das tartarugas –, muito bem organizado, interessante e bonito. É um excelente programa para fazer com crianças – para quem as tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCLurlej_I/AAAAAAAAAHw/qAzuvIDBWeo/s1600-h/DSC02052.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCLurlej_I/AAAAAAAAAHw/qAzuvIDBWeo/s400/DSC02052.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305393995132604402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Projeto Tamar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a cidade de Salvador, propriamente dita, eu gostei dos bairros Pelourinho, Rio Vermelho, Pituba – fui a um restaurante chamado Côco Bahia neste bairro, muito bom, ótimo atendimento, ótimo crepe, ótima decoração, ótimo tudo – e mais um bairro elegante cujo nome não lembro, só lembro que o taxista disse que era ali que o ACM morava. Mas de modo geral, Salvador é muito feia e tem um trânsito horroroso – muito pior do que o de Porto Alegre, não tem nem comparação, na hora do rush fizemos em uma hora e meia um percurso que havíamos feito em dez minutos às 11h da noite no dia anterior! Outra coisa de que não gostei foi o fato de ninguém jamais ter troco – dos taxistas aos cobradores de ônibus. A passagem de ônibus comum lá custa R$ 2,20 – R$ 0,10 a menos do que aqui em POA –, e mesmo quando demos uma nota de R$ 10,00 para pagar para três pessoas, o cara não tinha troco! Ele não tinha R$ 3,40!!!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a maior decepção de todas foi o show do Olodum. Paguei R$ 40,00 esperando ver uns trinta percussionistas tocando ritmos africanos que me fizessem eu me sentir como se tivesse recebendo um santo, e o que vi não foi nada além de um show de axé music, no maior estilo “tira o pé do chão, joga a mãozinha pra cima e bate na palma da mão!” Horrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de modo geral, adorei a viagem e já disse à minha irmã que ano que vem estarei lá novamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCNddILTtI/AAAAAAAAAH4/NTZFOhlfM1k/s1600-h/DSC02107.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCNddILTtI/AAAAAAAAAH4/NTZFOhlfM1k/s400/DSC02107.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305395898217090770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Projeto Tamar - Praia do Forte&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-3120160495740327311?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/3120160495740327311/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=3120160495740327311&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/3120160495740327311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/3120160495740327311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/estive-em-salvador-nestas-ferias-e.html' title='Salve Salvador!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaCI0Oe-zHI/AAAAAAAAAHg/Ko9qTykful8/s72-c/DSC02099.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-6234540853121720036</id><published>2009-02-21T11:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T13:53:17.245-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>It's too late</title><content type='html'>Olhem que lindo o que eu achei, um cover só em cordas da música &lt;em&gt;It's too late&lt;/em&gt;, clássico da Carole King dos anos 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" 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title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/6234540853121720036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/6234540853121720036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/blog-post.html' title='It&apos;s too late'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-1424432399778419369</id><published>2009-02-08T09:28:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T15:43:05.905-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>É bom, mas é ruim e vice-versa</title><content type='html'>No ano passado eu tive uma aluna chamada Carolina. Como tinha muita facilidade com a Língua Inglesa, ela era sempre uma das primeiras a concluir as atividades, e, por causa disso, enquanto esperávamos que os outros ficassem prontos para correção, costumávamos bater papo. Um dia, Carolina comentou que fazia ballet. Disse que devia à dança sua disciplina e que adorava dançar. Mas, ela também contou que havia dias em que não aguentava mais fazer &lt;em&gt;ballet&lt;/em&gt;, e que por várias vezes prometeu a si mesma, sem sucesso, abandonar este compromisso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora em que ela relatou tudo isso, não atinei em lhe dizer, mas a verdade é que ela, nos seus tenros 16 ou 17 anos, estava aprendendo, da maneira mais saudável possível – graças a Deus! –, que tudo na vida tem um preço. Mais do que isso, tudo tem valor – os preços são objetivos, os valores, não. Estes variam. Determinadas coisas podem ter valores diferentes para pessoas diferentes e até mesmo para a mesma pessoa em momentos diferentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam bem, não se trata da velha questão de que tudo tem um lado bom e um lado ruim. Isto é muito simples. A questão aqui é mais complexa: trata-se de a mesma coisa ser ruim e boa ao mesmo tempo. Para Carolina, fazer &lt;em&gt;ballet&lt;/em&gt; é bom, mas é ruim. É ruim ter de interromper o que se está fazendo para preparar a mochila com sapatilhas e malhas, pegar um ônibus, chegar à escola, fazer aquecimento, dançar, levar xingão da professora rígida e voltar para casa toda dolorida. Mas, se Carolina conseguisse cumprir sua promessa de abandonar o &lt;em&gt;ballet&lt;/em&gt;, do que ela mais sentiria falta? Das colegas? Não, ela poderia encontrar as colegas em um bar ou no cinema. Das músicas? Ela poderia baixá-las todas da Internet. De calçar as sapatilhas? Que as calce em casa e dê rodopios na ponta dos pés em plena sala de estar, qual é o problema? Não, Carolina sentiria falta de calçar as sapatilhas, de ouvir aquelas músicas e de encontrar aquelas colegas &lt;em&gt;naquele contexto&lt;/em&gt;. Em outras palavras, ela sentiria falta de ter de interromper o que está fazendo para preparar a mochila com sapatilhas e malhas, pegar um ônibus, chegar à escola, fazer aquecimento, dançar, levar xingão da professora rígida e voltar para casa toda dolorida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis uma dificuldade da vida, presente em diversos âmbitos e faixas etárias: gostar do que nos incomoda – ou sermos incomodados por aquilo de que gostamos, &lt;em&gt;whatever&lt;/em&gt;, a ordem dos fatores não altera o problema – ou será que altera? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se altera ou não, não sei, o que sei é que faz toda a diferença termos consciência desta ambivalência. Quantos não abandonam sua profissão, seu emprego, seu casamento – ou até mesmo a condição de solteiro – porque pensam que não são felizes, e só pensam isso porque, ao contrário da jovem Carolina, ainda não se deram conta de que felicidade é isso aí mesmo... ela vem com uma dose de insatisfação. Há um conto de Clarice Lispector – se não me engano, chama-se &lt;em&gt;Amor&lt;/em&gt; – em que a protagonista tem nojo dos filhos. E como não ter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não abandonei minha profissão até hoje, é porque as férias dos professores é mais longa do que a de outros profissionais, o que me permite perceber minha saudade de planejar aulas, corrigir pilhas de provas, ir a conselhos de classe... e conversar com alunos interessantes como Carolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;; )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-1424432399778419369?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/1424432399778419369/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=1424432399778419369&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1424432399778419369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1424432399778419369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2009/02/e-bom-mas-e-ruim-e-vice-versa.html' title='É bom, mas é ruim e vice-versa'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-8362705563173104633</id><published>2008-10-25T08:20:00.000-07:00</published><updated>2009-02-23T13:53:42.490-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>A pessoa certa?</title><content type='html'>Para quem não sabe, eu canto – ou finjo que – em uma banda. Recentemente, decidimos tocar duas canções de Marina Lima, sobre quem falei em um post aqui mesmo no dia 16 de janeiro. Uma delas é &lt;em&gt;Virgem&lt;/em&gt;, que não tenho em CD. Por isso fui procurá-la no YouTube – encontrei, mas com péssima qualidade de som. Mal conhecia esta música (ela não está em nenhuma das duas coletâneas que eu tenho da cantora) e achei a letra – além da própria música – muito interessante. Ela faz uma série de referências a elementos do Rio de Janeiro para dizer que eles não dão a mínima para uma pessoa com quem o sujeito teve uma relação amorosa. Os primeiros versos são de matar: “As coisas não precisam de você/quem disse que eu tinha que precisar?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma bela reflexão sobre a tendência de algumas pessoas de se apaixonarem e praticamente cismarem que aquela é “a pessoa certa”, e que ninguém mais no mundo vai ser tão o seu número como ela. Bobagem! Tempos atrás um amigo me disse que às vezes podemos estar ao lado da pessoa certa e não nos darmos conta. Eu concordo não só com isso, mas também com o contrário: às vezes podemos jurar que aquela pessoa é a certa, e ela ser um grande equívoco! (O problema é, depois de se desvencilhar desta paixão, cair em outra semelhante, pois, como diz a música, “o Farol da Ilha procura agora outros olhos... e armadilhas!”. É, a tendência é repetir, e sobre isso eu também já falei aqui no blog.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o maior equívoco de todos é o de acreditar que a tal pessoa certa existe, assim, já na condição de “certa”. Conheço pessoas – homens e mulheres – de 50 anos que dizem nunca terem casado e tido filhos não porque não quiseram fazê-lo, mas porque “não aconteceu” ou não encontraram “a pessoa certa”. Românticas todas elas! Não existem pessoas feitas sob medida pra gente – e nem nós somos “a pessoa certa” para alguém! Todas precisam de alguns ajustes, e para qualquer uma delas nós também temos que nos ajustar. Pode acontecer de entre duas pessoas haver menos arestas para aparar. Mas também pode ser que uma destas pessoas não esteja disposta a fazer estes pequenos acertos, ao passo que outras, com muitas e muito maiores diferenças, podem topar superá-las. Quem é a pessoa mais “certa” neste caso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quer me parecer que é justamente o processo de “ajuste” que dá graça à relação. Pense nos contos de fada – e nas comédias românticas – que sempre terminam no “e foram felizes para sempre...” Passamos horas entretidos com a série de obstáculos que o príncipe tem de superar para conquistar a princesa, e a história acaba exatamente quando o casal consegue ficar junto e ser feliz. Mas, afinal, o que é ser feliz para sempre? O que aconteceu com este casal depois da última página? Por que o autor não conta o resto? Por que a felicidade não é digna de ser contada? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, porque esta felicidade ou é enfadonha ou é fajuta. Ou o príncipe e a princesa não precisaram superar nenhum outro obstáculo para se manterem juntos – história que não teria graça nenhuma, o que põe em dúvida se eles foram mesmo felizes para sempre – ou eles tiveram, sim, que passar por uma série de dificuldades, o que contraria o ideal de felicidade que consiste em ser tudo divino e maravilhoso sem esforço nenhum. Se houvesse, vá lá, &lt;em&gt;Cinderela – Parte II&lt;/em&gt;, a gente teria ficado sabendo que o príncipe não era tão encantado, e que a Cinderela nunca deixou de levar consigo um pouquinho de gata borralheira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que faz um conto de fadas – e uma relação – ser interessante são os desafios. É a transposição destes que emocionam. E quando eles forem instransponíveis, paciência. Nunca esqueçamos que as coisas não precisam “daquela pessoa” – e tampouco de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-8362705563173104633?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/8362705563173104633/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=8362705563173104633&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8362705563173104633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8362705563173104633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/10/pessoa-certa.html' title='A pessoa certa?'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-1082077328530862260</id><published>2008-08-24T14:33:00.000-07:00</published><updated>2009-02-22T09:54:35.934-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>ALL YOU NEED IS LOVE!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaGRAfJhEcI/AAAAAAAAAII/TAZcey1OSXg/s1600-h/DSC00909.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaGRAfJhEcI/AAAAAAAAAII/TAZcey1OSXg/s400/DSC00909.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305681273566597570" /&gt;&lt;/a&gt;Diná: love is all you need!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que falei de paixão no post anterior, venho agora falar de amor. Todos nós já assistimos a uma porção de filmes sobre o amor, já lemos poemas e histórias de amor, já nos encantamos com canções como &lt;em&gt;Eu sei que vou te amar&lt;/em&gt; e outras tantas. Mas o que de melhor eu li sobre o amor, algo que repercutiu de fato na minha vida, foi, pasmem, uma reportagem da revista &lt;em&gt;Vida Simples&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem é fantástica em vários aspectos. Em primeiro lugar, ela diferencia amor de paixão. Em segundo, joga um balde de água fria em muita gente que pensa que já amou ou que pensa que amor está dentro de si, adormecido, esperando a pessoa certa para ser despertado. Não, segundo os especialistas referidos pela reportagem, o amor é fruto de prática e exercício, esforço e paciência. E sua recompensa não é o amor recíproco do objeto do amor, mas o próprio amor, um sentimento que nos transborda de felicidade. Para finalizar, a revista recomenda que comecemos o treino do amor por algo pequeno, como cuidar de uma planta ou animalzinho. Ah, já ia esquecendo, a reportagem diz que o amor só surge de uma rotina em que cuidamos de algo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li esta reportagem em 2005, e ela nunca me saiu da cabeça. Concluí, ao lê-la, que eu nunca tinha amado e que estava disposta a fazer os tais exercícios. Como na época, por razões que não vem ao caso explicar, eu não podia ter um animal, resolvi comprar algumas flores. Coitadas, morreram todas. Mas, professora que sou, sabia que não se aprende uma coisa de uma hora para outra e que o erro faz parte do processo de aprendizagem. Eu precisava, na verdade, de um desafio maior, algo que fizesse reivindicações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, diante da disponibilidade de ter um animal, voltei a pensar no assunto. Considerei a hipótese de adotar um gato, porque eles são mais higiênicos, independentes e silenciosos. Mas aí pensei melhor e, quer saber?, decidi adotar um cachorro justamente porque cães dão mais trabalho e exigem maior envolvimento. Quem quer aprender a amar não pode ter medo de se envolver – ou pelo menos, tem de aprender a dominar este medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 5 de abril deste ano, eu peguei um ônibus e fui até a Vila Cruzeiro buscar uma cachorrinha que eu tinha visto no site www.bichoderua.com.br. Ela ainda não tinha 45 dias de vida, tinha pulgas, carrapatos, vermes e diarréia, e pesava 600 gramas. Louca de medo da aventura em que eu estava me metendo, disse aos donos da ninhada “Vou ficar com ela” no tom mais hesitante possível. Não lembro de ter dito outra coisa na minha vida com menos convicção. Peguei outro ônibus e voltei para minha casa carregando-a dentro de uma caixa de sapatos. Ela era minúscula, e ao caminhar, parecia ser de brinquedo. “Arranjei uma sarna para me coçar!”, eu pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, esta sarna já teve desidratação e teve de ser internada por uma noite para tomar soro. Preço da brincadeira: R$ 175,00, entre internação e remédios. Depois disso ela ainda teve seborréia seca e tosse. Mais consultas veterinárias, mais remédios. Ela consome cerca de R$ 60,00 por mês em ração. Já destruiu uma cadeira, um CD, vários rolos de papel higiênico, algumas canetas, duas havaianas. Eu já vi, na boca dela, nada menos do que meus óculos, meu celular e um parquê que ela arrancou do piso. Já cheguei na cozinha e a vi confortavelmente deitadinha sobre um pano de prato. Mas tudo isso é comédia. O que me irrita mesmo é a quantidade de pêlo que ela solta. Seus pêlos estão em toda parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora não sei mais viver sem ela. Não posso devolvê-la ou abandoná-la. Já a amo. O que ela faz para compensar suas estripulias? Nada! Simplesmente me acostumei a ter uma presença constante em casa, alguém que faz barulho, que tira as coisas do lugar, e que às vezes – bem às vezes – senta-se quietinha próxima aos meus pés, ou põe as patinhas nas minhas pernas, enquanto escrevo algo no computador, pedindo colo. Alguém que fica pertinho da minha cama resmungando porque eu não deixo ela dormir comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite em que ela teve tosse, minha irmã me convidou para sair com ela. Disse que não podia por causa da Diná. Eu não conseguiria me divertir na noite sabendo que ela estaria em casa tossindo como um ganso. Minha irmã se irritou e não compreendeu. Mas eu compreendi todos os que já “sacrificaram” programas de prazer pelos seus cães, filhos ou quaisquer outros objetos de amor. Quando a gente ama, não é custoso deixar de sair. Custoso é o contrário, é ter de sair, quanto tudo o que queremos é estar perto de quem a gente ama e que está passando por um momento difícil. Passei aquela noite em casa, e todas as vezes em que ela acordou com seu acesso de tosse, parecendo uma buzina, me acordei também e fiquei do lado dela, que tossia com as orelhinhas baixas, dirigindo, de vez em quando, um olhar tristinho para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto: o exercício recomendado pela revista havia dado certo! E posso dizer: realmente o amor é uma sensação indescritível que nos faz transbordar de felicidade! E não acredito que seja passível de ser experimentado via animais, filhos e maridos (!) dos outros. “Amar” o afilhado ou o cavalo que você cria no haras distante 400 Km da tua casa não é amar. Amar exige convivência e incomodação. Não me venha falar que você ama o cachorro da sua namorada: não é no seu tapete que ele faz cocô e não é pela sua casa que ele espalha o lixo do banheiro; não me venha falar que ama o filho da sua melhor amiga: não está deixando de ir à academia para ficar mais tempo com ele e para poder pagar seu colégio, e também não é você que a coordenadora pedagógica da escola dele chama quando ele tem baixas notas ou mau comportamento; não me venha falar que ama seu amante: não precisa tolerar a mãe dele e você não está nem aí se ele resolveu torrar o dinheiro que ele juntou para pagar a parte dele na entrada do apartamento. Só se ama quando tem uma boa parte do seu na reta!    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerro este post com o endereço eletrônico da referida reportagem (leiam, vale a pena!) e com a música &lt;em&gt;All you need is love&lt;/em&gt;, dos Beatles, que dispensa comentários!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/024/grandes_temas/conteudo_237951.shtml?pagina=0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/__gl5UC_21I&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/__gl5UC_21I&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-1082077328530862260?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/1082077328530862260/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=1082077328530862260&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1082077328530862260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1082077328530862260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/08/all-you-need-is-love.html' title='ALL YOU NEED IS LOVE!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SaGRAfJhEcI/AAAAAAAAAII/TAZcey1OSXg/s72-c/DSC00909.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-236159435663785737</id><published>2008-08-23T11:14:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T15:45:40.362-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Paixão: s.f. do grego pathos, sofrimento</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SLBbiyVznkI/AAAAAAAAAEA/43Q2LqZkZFU/s1600-h/dor.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SLBbiyVznkI/AAAAAAAAAEA/43Q2LqZkZFU/s400/dor.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237787019818802754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe no Orkut uma comunidade chamada &lt;em&gt;Caetano, o que é Vaca profana?, &lt;/em&gt;cujo objetivo é discutir as letras mais esdrúxulas da MPB. &lt;em&gt;Vaca profana&lt;/em&gt; ganhou o privilégio de aparecer no nome da comunidade por ser mesmo a mais enigmática, mas creio que a segunda canção mais comentada pelos participantes seja &lt;em&gt;Açaí&lt;/em&gt;, de Djavan. Para mim, entretanto, não só &lt;em&gt;Açaí&lt;/em&gt; é muito clara, como eu concordo plenamente com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em determinada altura da música, o sujeito lista uma série de características da paixão: puro afã, místico clã de sereia, castelo de areia, ira de tubarão, ilusão, zum de besouro... Concordo com tudo. Afã é desejo, sereias são seres mitológicos, castelo de areia é efêmero, a ira do tubarão é violenta, o zum do besouro é perturbador. E paixão é isso tudo mesmo: uma perturbadora reunião de elementos fantasiosos, frutos de nosso desejo, que dura até o momento em que percebemos o quão patéticos a paixão nos deixou. Em tempo: “paixão” e “patéticos” têm a mesma raiz etimológica, &lt;em&gt;pathos&lt;/em&gt;, que significa doença ou sofrimento. Nada mais correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em janeiro deste ano, comentei com um grupo de amigos que não tinha tido boas experiências com a paixão, e que não queria voltar a me apaixonar novamente. Mordi minha língua, me apaixonei, e, curada da enfermidade (ou não, não sei), volto a afirmar: não quero me apaixonar novamente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nunca consegui corresponder os homens que se apaixonaram por mim (e olha que eu tentei!) – e nunca consegui fazer com que os homens por quem fui apaixonada me correspondessem (e olha que eu tentei mais ainda!). E entendo o porquê – e por isso lhes dou razão. Pessoas apaixonadas não são atraentes. E digo isso porque, como já disse, já estive na condição de objeto da paixão e não consegui me sentir atraída – a não ser fisicamente, mas isso não conta – por tais homens. Quando estamos apaixonados, nos submetemos a situações quase humilhantes, aceitamos certas coisas em que o natural era que parássemos tudo e disséssemos “Péra lá um pouquinho, o que você pensa que eu sou?” Mas não dizemos. Não é o caso de sufocar a revolta. É pior do que isso: é o caso de não se revoltar, porque quando estamos apaixonados, achamos que tudo o que a pessoa faz é lindo, ou, no mínimo, natural. E ao nos comportarmos assim, estamos afastando a pessoa ao invés de atraí-la. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Amy Winehouse diz em uma música lindíssima que o amor é um jogo para perder. Discordo. O amor sequer é um jogo. A paixão, sim, é um jogo para perder, um jogo em que aquele que se sabe apaixonante adota, ainda que sem percebê-lo, uma postura de quem já está com o jogo ganho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me venham falar que a graça está em tentar manter a pessoa apaixonada: em geral, assim como não foi preciso fazer nada para que a pessoa se apaixonasse, não é preciso fazer nada para que a pessoa mantenha tal estado. Basta você manter a já mencionada postura – o que não é nem um pouco difícil. Conheço casos que já duram anos – sem mentira! – em que o cara – ou a mulher – faz e acontece, e a mulher – ou o cara – continua de quatro por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me remete a uma conversa que tive com um aluno. Perguntou-me ele, certo dia, qual é a minha relação com a língua inglesa. Vendo que eu não entendia a pergunta, ele explicou que, contrariando as expectativas que se tem em relação a músicos, em certos momentos, ele não suporta ouvir música. Então o compreendi perfeitamente e respondi que tenho uma ótima relação com a língua inglesa porque nunca fui apaixonada pelo idioma. Tive, sim, uma paixão avassaladora pela literatura, que nasceu na infância, tão logo fui alfabetizada, e que me levou a ler vorazmente uma infinidade de livros e a fazer quatro anos de faculdade de Letras e dois de mestrado em Teoria da Literatura, e a lecionar por mais dois anos e meio a disciplina de Literatura Brasileira no Ensino Médio, até que este casamento se esgotasse e eu pedisse divórcio. Cansei de ler por obrigação e de obrigar meus alunos adolescentes a lerem. Para mim, leitura é como sexo: é ótimo, mas quem quer fazer à força? De onde eu concluí que não posso trabalhar com aquilo pelo que sou apaixonada, apenas com aquilo de que eu gosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isso me faz lembrar de um outro aluno que, nos seus tenros 17 anos, preencheu o campo "paixões" do seu perfil do Orkut com a singela frase "Fuja de todas elas!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabedoria, de fato, não tem idade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-236159435663785737?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/236159435663785737/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=236159435663785737&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/236159435663785737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/236159435663785737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/08/paixo-sf-do-grego-pathos-sofrimento.html' title='Paixão: &lt;em&gt;s.f.&lt;/em&gt; do grego &lt;em&gt;pathos&lt;/em&gt;, sofrimento'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/SLBbiyVznkI/AAAAAAAAAEA/43Q2LqZkZFU/s72-c/dor.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-1096309543370072432</id><published>2008-08-09T15:12:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T15:46:21.416-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Por gosto ninguém vai lá!</title><content type='html'>Ouvi falar que, perguntado sobre qual é o sentido da vida, Freud respondeu “Amor e trabalho”. Também já ouvi uma música do Ismael Silva – em parceria com mais dois compositores cuja identidade a preguiça me impede de pesquisar na Internet – que diz que “o trabalho não é bom/ninguém pode duvidar/Oi, trabalho só obrigado/por gosto ninguém vai lá”. E agora, quem tem razão, o pai da psicanálise ou o mestre do samba?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos contextualizar: quando disse “trabalho”, talvez Freud não estivesse se referindo ao trabalho tal como é comumente visto no dia-a-dia, mas como qualquer atividade laboriosa cujo sentido é a intenção de proporcionar uma vida melhor para si e para a sua família. Assim, tanto faz se o cara exerce a medicina, profissão nobre e pensante, ou a cata de lixo, trabalho mecânico que não possibilita, diretamente, ao trabalhador evoluir intelectual ou espiritualmente. O que importa é que este médico e este lixeiro tenham claro para si o porquê fazem o que fazem – nem que este porquê seja o investimento em um filho para que ele não precise ser também lixeiro. A perspectiva de ver seu filho traçando uma história melhor do que a sua pode ser a grande motivação para este trabalhador. Da mesma forma, a dondoca que prepara jantares para os colegas do marido executivo também pode tirar daí uma grande realização, pois está, de certa forma, participando de negócios cujos lucros vão beneficiar sua família. Nem todo trabalho é formal e tem carteira assinada, e suspeito que era a esta forma generalizada de trabalho que Freud se referia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando Ismael Silva usou a palavra “trabalho”, a que será que ele se referia? Bom, se ele teve as mesmas origens da maioria dos sambistas – um morro carioca, em que sabemos, a renda é pouca –, ele provavelmente estava se referindo aos trabalhos braçais e mal remunerados que as pessoas deste contexto faziam. Que realização tem uma pessoa que trabalha duro o dia inteiro para ganhar apenas o suficiente para sobreviver, ou seja, que não tem perspectivas de um dia mudar de vida? Uma coisa é ser motoboy para pagar a faculdade sabendo que, daqui quatro ou seis anos, estará trabalhando em outra área com um salário melhor. Outra coisa é ser motoboy com a certeza de que será motoboy para o resto a vida – se a empresa não demiti-lo – e que provavelmente seu filho também será. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, concordo com Ismael. E penso que, ultimamente, o trabalho deixou de ser uma fonte de realização para muitas pessoas. Vide o número de pessoas largando suas carreiras para serem servidoras públicas. Há quem diga que estas pessoas são as que fracassaram no mercado, ou que são acomodadas. Discordo. Eu acredito que muitas dessas pessoas apenas se deram conta de que mesmo as profissões universitárias, com o tempo, se tornam mecânicas. Como tudo tem girado em torno do dinheiro, os médicos, que antes queriam salvar vidas, agora querem atender o maior número possível de pacientes por hora, os advogados, que queriam fazer justiça, querem pegar as causas mais lucrativas, e os professores, que queriam ensinar, querem o maior número de horas-aula. Evidentemente, quando se trabalha assim, a qualidade do serviço prestado cai, e a satisfação de trabalhar se esvai, porque percebemos que não estamos fazendo o melhor que sabemos fazer e não atingimos nossos objetivos satisfatoriamente. Outra crítica que ouço ao trabalho público é a falta de desafios. De fato, não deve ser mesmo desafiador. Mas o trabalho não deve ser a única fonte de desafios. Tem tanta coisa aí nos desafiando. Quer desafio maior do que construir uma família hoje em dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frente a isso, acho que o negócio é trabalhar em algo tolerável (porque fazer algo que se detesta é horrível!) e bem remunerado para se tirar realização de verdade de outras atividades, como um hobby, um curso ou até um trabalho voluntário, um desses a que se vai por gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: a palavra "trabalho" tem a mesma raiz etimológica de "tortura".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-1096309543370072432?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/1096309543370072432/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=1096309543370072432&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1096309543370072432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1096309543370072432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/08/por-gosto-ningum-vai-l.html' title='Por gosto ninguém vai lá!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-555936625506877273</id><published>2008-06-21T10:15:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T15:56:20.808-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Sobre as restrições do Estado e da vida</title><content type='html'>Acabo de ler na Zero Hora – tenho comprado com alguma freqüência, já que minha cachorrinha precisa de um banheiro, hehehe – sobre a nova lei de tolerância zero em relação a motoristas que dirigem sob o efeito do álcool. Segundo esta lei, não poderá haver um mísero resquício de álcool no sangue do condutor do veículo, ou ele pagará multa de R$ 955,00 e perderá a carteira de habilitação por um ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me remeteu a um fato que vivi na última quinta-feira: estava atravessando a Oswaldo Aranha quando, no canteiro que divide a avenida, deparei-me com uma grade de proteção. Pensei: “Ué, e agora, como vou atravessar?”. Olhei para os lados e vi que mais adiante havia uma abertura que desembocava exatamente na faixa de segurança. Fui até lá, atravessei em segurança enquanto os carros esperavam o sinal abrir e cheguei à calçada ilesa e refletindo sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei um saco não poder atravessar a avenida do ponto em que me encontrava, mas sei que o Estado pôs aquela grade ali para me proteger. Se não houvesse grade, eu e mais uma porção de gente atravessaríamos fora da faixa, confiantes na própria capacidade de avaliar velocidade, tempo e distância para atravessarmos sem nos machucar – e sem amassar o carro e atrasar o compromisso de alguém. Ora, nem eu nem um monte de gente somos retardados a ponto de não sabermos fazer tal avaliação. Mas acidentes acontecem mesmo, e é melhor evitá-los. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é: por que o Estado tem de tomar este tipo de medida para que o cidadão não se estrepe todo? Seria melhor confiar: “não é necessário colocar grade de proteção, pois o cidadão sabe que é melhor para si atravessar na faixa de pedestres”. Acontece que o cidadão não pensa assim (ou pensa, mas não age), do mesmo modo como não pensa que é mais seguro para si e para os outros dirigir sóbrio. E tome restrições do Estado! Do que resulta uma pergunta tostines na minha cabeça: o cidadão é infantil por que o Estado o trata como criança ou o Estado trata o cidadão como criança porque ele é infantil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra questão é: por que o Estado não educa ao invés de usar paliativos como barras e leis? Não seria melhor conscientizar as pessoas do que é mais seguro? Seria, mas campanhas de conscientização não funcionam – e custam dinheiro. Além do mais, educação é um projeto de resultados a longo prazo, uma lavoura de cuja colheita, muitas vezes, quem semeou não desfruta. Portanto, até que as campanhas começassem a fazer efeito – se fizessem –, muita gente ainda morreria na contramão atrapalhando o tráfego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma terceira questão é: se o pedestre não tem amor pela sua vida e não se cuida, por que o Estado não deixa que ele morra de uma vez? Bom, primeiro, porque pode ser que ele não morra. Pode ser que ele só se quebre todo, e será um hospital público que vai arcar com seu tratamento. Sai mais barato pôr grade de proteção. Sem contar que o pedestre deve ter família – uma família que não lhe deu subsídios para que construísse amor próprio, é verdade, mas ainda assim, uma família que sentirá sua falta. Segundo, porque morrendo o pedestre ou não, o pobre do motorista que vinha dirigindo direitinho provavelmente vai se incomodar com isso. Eis a complexidade da vida em sociedade: quem quer se ferrar, não se ferra sozinho. A pessoa pode levar consigo quem não tinha nada a ver com a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis o ponto em que eu queria chegar: reconheço e louvo as boas intenções do Estado, mas considero sua luta inglória, porque no conflito indivíduo versus coletividade, vence o indivíduo. De nada adiantam campanhas contra a direção embriagada e o uso de drogas ou pelo sexo seguro. Estas campanhas apontam os malefícios destas práticas perigosas sem levar em conta que o problema é que as pessoas que as praticam querem mesmo é se prejudicar. Ou porque são oriundas de lares desestruturados, ou porque não têm auto-estima nenhuma, sei lá! A única coisa que eu sei é que se esse povo quisesse se preservar, não estaria dirigindo alcoolizado, transando sem camisinha ou se drogando. Apontar em campanhas os prejuízos que isso causa às demais pessoas, então, é piada! Se o sujeito não se importa consigo próprio, acham mesmo que ele vai se importar se a droga que ele consome financia a violência ou se ele vai matar alguém na estrada? Come on!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que essas pessoas estão desorientadas. Faltou-lhes quem lhes desse um rumo na vida do mesmo modo como o Estado me deu um rumo para atravessar a rua com segurança. Nem todos os limites que (a família, o chefe, o governo e a própria vida) nos impõem devem ser vistos como obstáculos para nos impedir de chegar aonde queremos. Às vezes eles são justamente um meio para que cheguemos bem ao outro lado. Acontece que para alguns essa boa intenção não ficou clara - o que resultou em rebeldia -, e para outros, não houve intenção nem limite - o que resultou em irresponsabilidade. Deixaram que eles atravessassem a rua onde bem entendessem, e eles estão aí, vivendo numa eterna roleta russa. Estes vivem dando oportunidades para que o acaso lhes apresente a morte, e para quem vive assim, a vida alheia não é importante, assim como também não são R$ 955,00 e um ano sem habilitação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-555936625506877273?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/555936625506877273/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=555936625506877273&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/555936625506877273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/555936625506877273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/06/sobre-as-restries-do-estado-e-da-vida.html' title='Sobre as restrições do Estado e da vida'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-4707480124491414740</id><published>2008-05-01T15:24:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T15:57:48.275-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>O cárcere do amor</title><content type='html'>No livro &lt;em&gt;A odisséia&lt;/em&gt;, de Homero, em que se narra o retorno de Ulisses a Ítaca, há uma passagem em que a deusa Circe adverte o herói para o perigo das Sereias. “Se alguém, por ignorância, se avizinha e escuta a voz das sereias, adeus regresso! Não tornará a ver a esposa e os filhos inocentes sentados alegres a seu lado, porque com seu canto melodioso, elas o fascinam, sentadas na campina, em meio a montões de ossos de corpos em decomposição, cobertos de peles amarfanhadas”. Por isso, Ulisses ordena que seus tripulantes tampem seus ouvidos com cera. Mas ele, ah, ele não quer perder a oportunidade de conhecer a beleza do canto, e desse modo, decide manter seus ouvidos bem abertos. Para não ceder aos encantos das sereias, no entanto, ele se prende no mastro da galé. Assim, enquanto seus homens continuam a remar, ele escuta a melodia fatalmente fascinante, mas mantém-se vivo para chegar a sua casa e encontrar a esposa Penélope e o filho Telêmaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando li &lt;em&gt;A odisséia&lt;/em&gt;, aos 19 anos, este trecho – e aposto que muitos outros – passou batido. Não que eu não tenha entendido a metáfora. Eu sequer percebi que havia ali uma metáfora. Hoje, leio a passagem com outros olhos – e com outro coração, principalmente, pois é para ele que a literatura e todas as artes são feitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses prendeu-se ao mastro por amor à família. Provavelmente o canto das sereias é mais atraente que a família, do contrário, ele não precisaria ter se prevenido com amarras. Mas de tal prevenção também se deduz que deve haver algo de muito bom nesta família. Suponho que seja a vida, de modo geral – ele sabia que as sereias levam à morte – e o amor, de modo específico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amar é quase uma dor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já li em livros de filosofia que, por ser uma via pela qual o sujeito descentra-se de si mesmo para doar-se a outro, o amor é libertador. Bobagem! O amor é uma prisão – e o é justamente porque envolve outro. Viver centrado no próprio umbigo é que é ser livre. Não é preciso conviver com o medo da perda do objeto do amor – e não é necessário dar satisfações de onde, quando, como e com quem se vai – e se vem! A solidão não exige horário para voltar para casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor exige – isso e muito mais. O amor demanda cuidados – e aí está o dilema. Cuidar quando estamos a fim chega a ser prazeroso. Nem sempre, contudo, estamos a fim. Às vezes, temos mais vontade de ouvir o canto das sereias. Mas se não aceitarmos este fardo de cuidar mesmo quando estamos sem vontade de fazê-lo, perderemos o que amamos – e não queremos isso. E haja corda para nos amarrar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidar do que se ama dá trabalho. Perder o que se ama por desleixo dá tristeza. Djavan está certo: amar é quase uma dor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é bonito, meu Deus, o canto desta sereia!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tenho outra interpretação para as cordas de Ulisses. Se ele se amarrou para poder manter-se vivo, e se ele quis manter-se vivo para encontrar Penélope e Telêmaco, as cordas podem ser uma metáfora dos próprios Penélope e Telêmaco. Foram eles que amarraram Ulisses à vida. Se é possível afirmar que o amor tem uma função, eu arriscaria dizer que esta função é mesmo a manutenção da vida. O mundo é cheio de tentações – as sereias estão por toda parte. Se não tivermos algo que nos prenda, não resistiremos. É por amor que trabalhamos e diminuímos o sal, a gordura e o cigarro. Eis porque considero A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, um livro genial: a leveza não é, de fato, uma posição sustentável. É preciso um peso, é preciso uma cruz que nos curve e nos deixe mais próximos do chão. É preciso algumas cordas, uma Penélope e/ou um Telêmaco que nos dê motivo para nos amarrar ao mastro quando as sereias cantarem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me, entretanto, que cada vez mais pessoas têm preferido entregar-se às sereias. Penso e não consigo chegar a uma conclusão do porquê. Estará sendo difícil encontrar alguém por quem valha a pena nos amarrar? Estarão estas pessoas frágeis demais para carregar o peso de um relacionamento? Ou será que elas não aprenderam a fazer o que não gostam e, por isso, não sabem conviver com aquele dilema de ter de cuidar mesmo quando não se está com vontade? Suspeito que a resposta correta seja: todas as alternativas anteriores – e mais algumas outras que a inexperiência me impede de perceber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-4707480124491414740?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/4707480124491414740/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=4707480124491414740&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/4707480124491414740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/4707480124491414740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/05/o-crcere-do-amor.html' title='O cárcere do amor'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-6102283362045196174</id><published>2008-02-19T19:07:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T13:54:11.855-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Você vai ver um dia em que fria você vai entrar...</title><content type='html'>Fui assistir ao filme &lt;em&gt;Sangue Negro&lt;/em&gt; no último domingo. Confirmei minha tese de que o máximo permitido antes de ver um filme é ler sua sinopse, mas nunca as críticas. Entrei absolutamente inocente na sala de cinema quando fui assistir a &lt;em&gt;O show de Truman&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Pequena Miss Sunshine&lt;/em&gt;, e em ambas as vezes saí de alma lavada. Com &lt;em&gt;Sangue negro &lt;/em&gt;foi diferente. Li várias críticas, e todas me pintaram um épico inesquecível. Decepcionei-me. O filme não chegou a me comover. Mas devo admitir que ele tem, sim, suas qualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, a trilha sonora original é, de fato, muito original! E muito bem usada. Há seqüências longas com peças musicais insistentes – e que têm toda razão de sê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, o enredo suscita uma reflexão que para mim não é nova, mas é sempre bom reforçá-la: a de que patrimônios gigantescos ruem depressa quando não são construídos sobre bases sólidas. Daniel Plainview, interpretado por Daniel Day-Lewis, é um mineiro que aprende a perfurar o solo e a encontrar petróleo como ninguém. Portanto, enriquece. Mas Plainview é um homem cuja sensibilidade é inversamente proporcional ao seu tino para negócios, e se ele consegue tirar fortuna do solo, não sabe fazer o mesmo com pessoas – em quem, afirma, não consegue encontrar nada de bom. Ora, como dizia Kant, não vemos as coisas como elas são, mas como &lt;em&gt;nós&lt;/em&gt; somos. Plainview não enxerga nada de bom nas pessoas porque não tem nada de bom dentro de si mesmo. Ou melhor, não acredita que possa ter algo bom dentro de si – para mim, a descrença no outro, nos termos em que falo aqui, é sempre o reflexo de uma descrença em si –, e por isso prefere escavar a terra ao invés de escavar a si mesmo. De qualquer forma, eu pergunto: se não consegue conviver com outras pessoas, para que construir um patrimônio assombroso? Para jogar boliche na sua pista particular - sozinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me lembra um amigo da minha irmã, Luciano, que semanas atrás comentava sua viagem a New York. Dizia ele em tom melancólico: “Eu visitava os museus e via telas incríveis, mas meus amigos não estavam lá para que eu discutisse a respeito delas...” É claro que, tendo a oportunidade de ir a New York, eu iria de qualquer maneira – sozinha ou acompanhada. Mas sei exatamente o que Luciano quis dizer. Há momentos na vida que não fazem sentido se não forem compartilhados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada de Plainview ao topo foi totalmente solitária. Como é a de muitos Plainviews por aí, homens e mulheres que priorizaram a vida profissional em detrimento da vida pessoal na crença de que as duas são obstáculos mútuos (quando, me parece, é justamente o oposto) e resolvem realizar-se primeiro numa para depois – crentes de que são donos de seu próprio destino, totalmente descrentes das surpresas da vida e dos caprichos da morte – na outra. Como diz Dalai Lama, vivem como se nunca fossem morrer e depois morrem como se nunca tivessem vivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito descobre a cura da AIDS, ou vence um campeonato mundial de tênis, ou ganha o Nobel da Literatura... Enfim, chega lá. Chega aonde sempre quis. Mas quando chega em casa, bebe sozinho a garrafa de champagne. Tem lá fora uma legião em quem desperta admiração, e aqui dentro ninguém em quem despertar orgulho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-6102283362045196174?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/6102283362045196174/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=6102283362045196174&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/6102283362045196174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/6102283362045196174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/02/voc-vai-ver-um-dia-em-que-fria-voc-vai.html' title='Você vai ver um dia em que fria você vai entrar...'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-1075977499637559305</id><published>2008-02-07T13:49:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T15:57:18.429-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>Sobre a fé a hierarquia social</title><content type='html'>Esta é daquele livro sobre sociobiologia que eu comentei alguns posts atrás – e sobre o qual falarei em muitos outros posts futuros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Algumas coisas virtualmente não existem: ateus em ninhos de metralhadoras e relações meio a meio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chupem esta manga!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente fantástica a citação! Concordo em gênero, número e grau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca pude presenciar – ainda bem! – uma situação que confirmasse minha hipótese, mas tenho minhas dúvidas de que um ateu mantenha-se implacável na sua descrença ao receber um diagnóstico de tumor maligno no cérebro de seu filhinho de 3 anos. Quem consegue confiar só em médicos, tão humanos – e falíveis – quanto qualquer um de nós? Na hora do aperto, acredito que todos se recusem a aceitar que estamos mesmo entregues ao nosso próprio destino. Nunca rezo, não fiz catequese, nem primeira comunhão, e nem lembro quando foi a última vez que entrei em uma igreja. Não fui sequer à missa de minha formatura de graduação. Mas em horas drásticas, aquela em que a gente costuma pensar “tô f*!”, clamei infantilmente a um ser superior que interviesse em meu favor. Ele nem sempre atendeu. Talvez porque achasse que eu precisava passar mesmo por aquilo. Talvez porque sadicamente estava a fim de rir às custas da minha desgraça. Talvez – hipótese mais provável – porque não exista mesmo. Mesmo assim, em situações posteriores, voltei a recorrer a ele, e ainda recorrerei outras tantas, o que me faz concluir que a fé não serve para conseguir sair da tempestade, mas para tolerá-la. Gil tem razão, a fé não costuma falhar. Se o objetivo dela é este mesmo de que suspeito, então ela não falha. Ela realmente nos dá forças incomensuráveis. E não posso deixar de dizer que, se lembro deste ser superior para pedir, também lembro para agradecer. Todas as noites – sem exceção! – quando eu chego da night em casa, assim que coloco os pés no corredor do meu prédio e fecho atrás de mim o portão, digo, não sei bem para quem, se para Deus, ou para o universo, sei lá, “Obrigada por ter chegado sã e salva mais uma vez!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sobre as relações meio a meio? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor completa: “Entre animais sociais, a falta de hierarquia definida produz situações muito instáveis. Ponha juntos diversos macacos (ou cães ou galinhas) pela primeira vez e voarão pêlos (ou penas). Continuarão a voar até decidirem quem é chefe e quem não é. Uma vez estabelecida a hierarquia, porém, reina a paz, interrompida apenas por pequenas brigas quando alguém tenta subir na escada social. Qualquer tentativa de mudar de posição tem probabilidade de causar rompimento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com seres humanos acontece o mesmo. Sei que não somos apenas animais, e que poderíamos utilizar a razão de que tanto nos vangloriamos para viver numa sociedade igualitária. Mas justamente por causa de toda a sucessão de fracassos neste sentido que colecionamos ao longo de nossa história, começo a desconfiar de que há, sim, razão para vivermos em hierarquia. Não existe a exploração do homem pelo homem, para utilizar uma expressão de Marx, apenas porque isso é da nossa natureza. Ela existe porque talvez – quem poderá ter certeza no que diz respeito a isso? – seja mesmo necessária e inevitável. Mudanças são possíveis, mas só na superfície. Como a Revolução Francesa deu demonstrações ostensivas, o poder pode mudar de mãos, mas a tirania continua – e continua a haver quem se submeta a ela, ou porque não tem escolha, ou porque uma das alternativas exija sacrifícios pelos quais não estão dispostos a pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que defendo nesta história é que todos tenham o direito de querer e de lutar para subir na escada social. Parece cinismo da minha parte – e talvez seja mesmo – mas todo explorado deve ter o direito de se tornar um explorador, se assim o quiser e fizer por merecê-lo (será que existe um limbo entre estas duas classes, será que existem os que não são explorados, nem exploradores, os apenas bonzinhos? Deixemos a hipocrisia de lado: sinceramente, creio que não). E acredito que todos podem operar essa mudança em suas vidas. Só que para isso é preciso uma série de fatores: trabalho duro, senso de oportunidade, competência, boas relações sociais (olha aí elas de novo!), sorte. E, é claro, fé, que ela não costuma falhar! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;; )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-1075977499637559305?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/1075977499637559305/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=1075977499637559305&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1075977499637559305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/1075977499637559305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/02/sobre-f-hierarquia-social.html' title='Sobre a fé a hierarquia social'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-8889928808767614273</id><published>2008-02-02T19:52:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:03:27.374-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Porto Alegre é demais!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6U8qntXAXI/AAAAAAAAADQ/vnBqr7NiFBo/s1600-h/porto+alegre.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6U8qntXAXI/AAAAAAAAADQ/vnBqr7NiFBo/s320/porto+alegre.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162599250761548146" /&gt;&lt;/a&gt;Porto Alegre é muito grande, e tão pequena!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, escrevendo sobre Porto Alegre, não pude me furtar de voltar aqui e prestar uma homenagem a ela. Eu poderia esperar o dia 26 de março – dia de seu aniversário (impressionante como me dou bem com arianos!) – para fazê-lo, mas não me agüentei e cá estou, rendida a ela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No post imediatamente anterior a este, eu mencionei um bar, o bar a que eu fui ontem. Pois então, ele é o único bar rock n’ roll de Florianópolis – o pessoal aqui curte demais reggae e MPB. Entrando lá, pensei com todo o bairrismo a que eu jamais tinha me permitido até então: “Que legal! Parece os bares de Porto Alegre!” Vim a saber, mais tarde, que os dois donos do dito cujo são porto-alegrenses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentados à mesa, bebendo cerveja, conversamos sobre diversos assuntos, até que, não sei por quê, minha irmã e o amigo dela começaram a tal conversa sobre Porto Alegre que desencadeou a minha saudade de que falo aqui embaixo (ah, detalhe: houve um requinte de crueldade, no bar tocou a música Anoiteceu em Porto Alegre!). E falando nisso, ele – o amigo – disse “Eu adoro morar em Floripa, mas como eu gosto daquela p* daquela cidade!” E isso me fez lembrar uma frase deste mesmo cara, só que dita alguns anos atrás: “Porto Alegre é uma cadela!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo! Ela nos dá um monte de motivos para não gostar dela: trânsito, violência, caos em dias de chuva, agenda pobre de shows internacionais e temperaturas de verão que só não são mais altas que o custo de vida... Sem contar os problemas que só os oriundos do interior – como eu! – identificam. Por exemplo, grande parcela dos porto-alegrenses se preocupam demais demais demais com imagem! Gastam o que têm e o que não têm para sustentar uma aparência para seus amigos que também vivem de aparência. O charmosíssimo bairro Moinhos de Vento, então, tem flora exuberante – com suas ruas arborizadas – e uma fauna bizarríssima! 99% das mulheres são incrivelmente iguais: cabelos artificialmente louros, pele artificialmente alaranjada e sorrisos e gestos artificialmente premeditados. Um dia, lendo uma revista de moda, chamou-me a atenção o comentário de duas estilistas de São Paulo sobre o estilo das gaúchas: “Elas têm muito bom gosto, mas se vestem todas iguais!” Cada vez que vou a algum bar deste bairro (porque ao contrário de muitas pessoas, a mim importa aqueles me acompanham, e não os habitués dos lugares), sinto-me exótica com meus cabelos crespos e escuros! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que estranhei assim que cheguei a Porto Alegre foi a maneira de os homens “azararem” as mulheres, quase sempre tentando impressionar com aquilo que cada um acha que tem de melhor: sobrenome, posição social, emprego promissor, músculos, erudição. No interior não é assim: todo o mundo se conhece – no mínimo, conhece alguém que te conhece – e, portanto, não precisa falar – ou não adianta mentir – sobre sua família, profissão ou endereço, porque todo o mundo sabe – ou muito em breve vai poder confirmar – ou desmentir – as informações. Então o cara simplesmente conversa sobre seus interesses em relação à moça. Simples, não? Felizmente, nem todos que moram em Porto Alegre são porto-alegrenses, e nem todos os porto-alegrenses são assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Porto Alegre é uma cadela, e mesmo com tudo isso, a gente não consegue não gostar dela! O atendimento em estabelecimentos comerciais de toda ordem é excelente, os serviços são bem – e rapidamente – prestados, o sistema de transporte coletivo é ótimo, as corridas de táxi são baratas e as ruas são lindas e arborizadas. Há locadoras de vídeo em que se pode encontrar de tudo – e onde os atendentes entendem de cinema –, cafés aconchegantes e parques lindos, como o da Redenção, que é pertinho da minha casa e tem uma feira bem legal nos sábados de manhã! Tem um pôr-do-sol maravilhoso e lugares como o Mercado Público. E tem o que eu chamo de “gente como a gente”. Na cidadezinha em que passei minha adolescência, eu me ressentia da falta de amizades, porque só havia duas alternativas: as patricinhas e as maconheiras bicho-grilo (nada contra nenhuma das tribos, a questão é que eu simplesmente me sentia deslocada em ambas). Ninguém era como eu, assim... normal, sabe? Gente para quem roupas de grife não são tudo na vida, mas para quem também não é o cúmulo do materialismo e da futilidade malhar em uma academia e almejar comer em um restaurante bacana. Eu moro em Porto Alegre desde 2003, e desde então, não houve um único ano em que eu não tenha acrescentado um número razoável de pessoas legais à minha lista de amigos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto Alegre também tem algumas peculiaridades. O centro da cidade não fica no centro da cidade. A Rua da Praia – cujo nome, de fato, é Rua dos Andradas – não tem praia nenhuma. E na zona sul existe um rio que na verdade nunca existiu, mas que arde em fins de tarde de luz vermelha, de dor vermelha, vermelho-anil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-8889928808767614273?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/8889928808767614273/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=8889928808767614273&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8889928808767614273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8889928808767614273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/02/porto-alegre-demais.html' title='Porto Alegre é demais!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6U8qntXAXI/AAAAAAAAADQ/vnBqr7NiFBo/s72-c/porto+alegre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-525758370678502963</id><published>2008-02-02T18:10:00.001-08:00</published><updated>2009-02-21T16:04:52.297-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Eu sou feliz... e sei!!! : )</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6UixntXAUI/AAAAAAAAAC4/h4C8M26VBXI/s1600-h/pampas_portoalegre_redecao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6UixntXAUI/AAAAAAAAAC4/h4C8M26VBXI/s400/pampas_portoalegre_redecao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162570783718310210" /&gt;&lt;/a&gt; Detalhe do Parque da Redenção: "quintal" saudoso da minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente utilizo este espaço para discutir assuntos objetivos: política, comportamento, arte. Hoje, no entanto, vou me egocentrar (não sei se existe este verbo – o Word não reconheceu –, mas se não existe, estou inventando agora!) e falar um pouco de mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje faz dez dias que estou em Florianópolis. Tirando o recente dilúvio, não tenho do que reclamar. A casa em que estou hospedada não poderia ser melhor: os anfitriões são supergentis, a piscina é gostosíssima e no “meu” quarto tem computador plugado na internet. Ah, claro, tinha esquecido as praias... Mas dessas não preciso nem falar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, tive um momento epifânico ontem. Num bar, no momento em que ouvi minha irmã dizer algo do tipo “Fica ali na Vasco”, referindo-se a uma rua do bairro Bom Fim, Porto Alegre, bairro este em que moro, me vieram à mente diversos elementos do meu cotidiano: o Zaffari, a locadora Espaço Vídeo, minha ruazinha amada, Fernandes Vieira, minha casa, minha cama, meus livros, meus cd’s, meu computador, MEUS AMIGOS, meus alunos, meu trabalho, os lugares que freqüento – a Redenção, a academia, a escola de música, os bares da Cidade Baixa, a Lancheria do Parque – enfim, A MINHA VIDA, e meu deu uma saudade doída dela, uma vontade louca de que o carnaval passe de uma vez e que tudo volte ao normal!!!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi neste momento, afastada de tudo e de todos, que percebi como minha vida, de uns tempos para cá – mais precisamente a partir de outubro de 2007, mais ou menos –  tem sido maravilhosa!!! Tanta gente reclama da rotina, mas eu amo tanto a minha! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então fiquei me perguntando: será que foi a minha vida que mudou ou fui eu que mudei o jeito de vivê-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei a resposta, mas aposto na segunda hipótese. Houve, sim, algumas mudanças, das quais a que mais se destaca é o fato de eu ter começado a estudar canto. Não sei explicar o porquê, mas esta aproximação com a arte – e uma arte que envolve outras pessoas, como é o caso da música, porque desde sempre eu tenho o hábito de escrever, mas escrever é solitário, não envolve troca – mexeu muito comigo, me fez mais sociável, mais alegre, mais autoconfiante, e mais receptiva para as boas vibrações do mundo. Inclusive, justamente um colega da escola de música observou que eu tenho muita necessidade de me expressar. Ele tem razão. Mas eu não era assim. Tanto que publicava com muito menor freqüência neste blog. E me manifestava pouco em presença de outras pessoas, fosse em reuniões de trabalho, fosse em reuniões de amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas todas essas mudanças provocadas pela música só foram possíveis porque eu mudei. Dois anos atrás, eu não teria me permitido interagir tanto com os colegas. Aliás, dois anos atrás, eu não teria me matriculado na tal escola de música. Tanto é que não me matriculei. : )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passou comigo para que essas mudanças fossem possíveis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo imaginar nenhuma outra resposta que não seja os quatro anos de análise. Quando me vejo quatro anos atrás, percebo o quanto eu era bruta, fria, medrosa. E sovina. Não em termos financeiros, porque não tinha tanto a poupar. Mas em termos de emoções – e isso eu já tinha de sobra, e economizava, escondia tudo debaixo do colchão, temerosa de investir em maus negócios, a espera daquele negócio da China que um dia chegaria e que, é evidente, nunca chegou. E, sendo assim, eu acumulava, e o acúmulo desvalorizava, embolorava e me fazia mal. Tanta economia resultava naquele famoso barato que sai caro. E o pior é que jamais suspeitei disso. Foi meu terapeuta que me mostrou. A muito custo, é claro, porque eu resistia a admiti-lo. O meu terapeuta, tem que ser tão paciente ele!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, nas emoções, assim como nas finanças, quem não aposta não ganha. E quem quer ganhar tem de estar disposto a perder. Tem de estar disposto a demonstrar mesmo sem a certeza de que a recíproca será verdadeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste sentido, posso dizer que estou me tornando uma investidora agressiva! Alguns riscos são irrelevantes, outros são bem grandes. Mas são eles que estão dando tanta cor à minha vida. A ponto de estar em férias em Floripa, morrendo de saudade da minha rotina em Porto Alegre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6UnLXtXAWI/AAAAAAAAADI/bPLK73U1Hds/s1600-h/eu+rindo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6UnLXtXAWI/AAAAAAAAADI/bPLK73U1Hds/s200/eu+rindo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162575624146452834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Eu desejo do fundo do meu coração que todas as pessoas que fazem parte da minha vida estejam tão de bem com suas vidas como estou com a minha! ; )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-525758370678502963?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/525758370678502963/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=525758370678502963&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/525758370678502963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/525758370678502963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/02/eu-sou-feliz-e-sei.html' title='Eu sou feliz... e sei!!! : )'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6UixntXAUI/AAAAAAAAAC4/h4C8M26VBXI/s72-c/pampas_portoalegre_redecao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-5315182133337995455</id><published>2008-02-01T16:19:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T15:58:50.715-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>Sexo com amor?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6O473tXARI/AAAAAAAAACg/7A5FraE9Wuo/s1600-h/o+beijo+rodin.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6O473tXARI/AAAAAAAAACg/7A5FraE9Wuo/s400/o+beijo+rodin.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162172936602714386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O beijo, de Rodin: o sexo sem amor é um pré-requisito do erotismo autêntico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estréia nos cinemas brasileiros a comédia &lt;em&gt;Sexo com amor?&lt;/em&gt;, primeiro filme de Wolf Maya, adaptação de um longa chileno sobre três casais que passam por uma fase turbulenta no décimo ano de vida em comum. Não vi o filme, mas as breves sinopses a que tive acesso e o título me fizeram lembrar de súbito justamente o capítulo que estou lendo de um livro sobre sociobiologia, ramo da ciência que pretende encontrar razões biológicas para o comportamento humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me deparei com várias idéias com as quais discordei totalmente. Exemplo: os pais protegem tanto sua filha adolescente porque não querem que ela engravide cedo demais, pois neste caso, ela não terá perfeitas condições de criar seu bebê, que pode vir a morrer ou, caso vingue, crescer com fragilidades que impedirão a transmissão dos seus genes adiante. Em suma: os pais protegem porque querem garantir sua continuidade genética. Nada a ver com o sofrimento da menina em sacrificar sua adolescência e complicar sua vida pessoal e profissional no futuro. Francamente!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa de que não gosto é a insistente idéia de analisar os seres humanos como se fosse um animal qualquer. Humanos têm psique, e isto muda, senão tudo, muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o autor diz que os machos (humanos, inclusive), por melhores que sejam em relação aos seus semelhantes, perdem sua posição no mercado sexual quando sua fêmea está prenhe (para humanos, leia-se “quando está comprometido”), porque tem uma companheira que precisa vigiar (proteger dos predadores, prover, etc, afinal, é o seu filho – seus genes – que está em jogo) e que também o vigia (para que outras fêmeas não venham seduzi-lo e, desse modo, abandone-a neste momento em que a força de um macho é imprescindível), e “por isso é menos desejável para outras mulheres. (...). Ele agora perde para machos que talvez sejam claramente inferiores, mas que são escolhidos em seu lugar simplesmente porque estão ‘livres’” (p.91). Pela lógica, as outras fêmeas preferem um macho que, apesar de não tão “bom partido”, estarão ao lado delas para criar a prole. Mas entre humanos, a lógica é outra, não obedecendo a relações de causa e efeito. Muitas mulheres se interessam, sim, por homens comprometidos, justamente porque são comprometidos! As razões podem ser várias: uma pode acreditar que só merece homens pela metade, ser a reserva, a segunda colocada no pódio; outra pode temer sofrer por um possível futuro abandono, e por isso, evita envolvimentos mais sérios. E nem todas querem ter prole (isto pode não ser natural – particularmente, acho muito bizarro alguém não querer ter filhos –, mas aí é que está o ponto em que eu insisto: humanos não são apenas naturais, mas também, e talvez principalmente, culturais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há contudo idéias interessantes que encontram, em alguma medida, correlato entre humanos. Por exemplo, quando se questiona sobre a suposta queda de freqüência sexual depois de determinado tempo de casamento, o autor, Robert Wallace, argumenta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pessoas estabelecem laços. Alguns chamam isto de amor. Parece também que laços não se desenvolvem da noite para o dia. Se, para estabelecer laços, leva tempo, deve haver algum meio de conservar os sexos juntos por tempo suficiente para que os laços sejam formados – e sexo puro e bruto é um meio. Depois de formados os laços, a cópula se torna menos importante e muitas vezes diminui de freqüência.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler este trecho, me veio à memória aquele verso da música de Arnaldo Jabor gravada por Rita Lee: “Sexo antes, amor depois”. Pois então, é aí que entra o título do filme de Wolf Maya: “sexo com amor?” Como diz Wallace, amor não brota da noite para o dia. Amor é uma construção. Aquilo de que os românticos do século XVIII falam em seus poemas e romances é outra coisa – projeções narcisistas, talvez – mas certamente não é amor. Portanto, ninguém faz sexo com amor sem antes tê-lo feito sem amor. Primeiro você faz sexo por uma série de outras motivações – atração física, carência afetiva, etc – e depois, com o tempo da convivência, das conversas pós-sexo (se você não teve o azar de estar com parceiros que dormiam – ou iam embora – logo depois – a não ser que você tenha levado para casa alguém tão desinteressante e sem assunto que quis mais é que a pessoa fosse embora de uma vez!), etc, etc, etc, vão surgindo outros interesses, outros encantos, e aí, sim, formam-se os laços para se fazer, enfim, sexo com amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não concordo quando o autor diz que “a cópula se torna menos importante”. Na minha opinião, não é que se torne menos importante. É que o casal passa a copular de outras maneiras – simbólicas. Freud pegou justamente de Darwin o conceito de evolução – segundo o qual dois se unem para criar um terceiro melhor – para sustentar a teoria de que o casal se une para criar terceiros melhores, o que não necessariamente são filhos. Pode ser a construção de uma casa, a formação de um negócio ou uma viagem. Enfim, qualquer projeto conjunto em que haja investimento – não só financeiro, mas emocional – de ambas as partes. Segundo Freud, tudo isso também é sexo. E com amor. Porque sexo sem amor você pode fazer com qualquer um, mas você não faria sociedade com o primeiro que lhe aparecesse pela frente, certo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-5315182133337995455?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/5315182133337995455/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=5315182133337995455&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/5315182133337995455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/5315182133337995455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/02/sexo-com-amor.html' title='Sexo com amor?'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6O473tXARI/AAAAAAAAACg/7A5FraE9Wuo/s72-c/o+beijo+rodin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-2360965263415169640</id><published>2008-01-30T12:56:00.001-08:00</published><updated>2009-02-23T13:54:42.005-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Nothing is gonna change my world</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6DqQntXAQI/AAAAAAAAACA/mUB2z0Y1NMQ/s1600-h/jude.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6DqQntXAQI/AAAAAAAAACA/mUB2z0Y1NMQ/s400/jude.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161382744224628994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Jude observa seu campo particular de morangos eternos: "é preciso cultivar nosso jardim"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inspiração vem de todos os lados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao cinema assistir ao filme &lt;em&gt;Across the universe&lt;/em&gt; pela segunda vez, e mais uma vez, saí da sala do cinema levitando, apesar de a cabeça estar pesada de idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se passa na época da gênese da contracultura, há uma personagem, a Lucy, que é superidealista e participa de um grupo de pacifistas contrário ao envio de jovens americanos à Guerra do Vietnã. Ela se envolve tanto com sua luta, que acaba deixando em segundo plano o seu namorado, o Jude, que, é claro, fica puto com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas personagens são faces de uma mesma moeda. Jude também vive neste mundo, portanto, de um jeito ou de outro, é afetado pelos rumos que ele toma. Lucy tem mais consciência disso, e tenta interferir nesta trajetória do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que não adianta. No final das contas, os pacifistas também constroem bombas – assim como o próprio John Lennon teve ligações escusas com o IRA (sinal de que ele não era tão “give peace a chance” assim, ou era, só que para ele, a palavra “paz” tem um sentido diferente do sentido que os outros dão, assim como “democracia” tem sentidos diferentes para a esquerda e para a direita, e “justiça”, para palestinos e israelenses...). Os pacifistas também são humanos, e como todos os humanos, fazem besteira, muitas vezes – acho que quase sempre – as mesmas dos seus inimigos, o que me faz pensar se não estamos todos brigando pela mesma coisa em conversa de surdos. É esta a dúvida cruel de Hamlet quando ele se pergunta: “Ser ou não ser, eis a questão!” Hamlet tem duas escolhas: aceitar covardemente que seu tio tenha assassinado seu pai para tomar o trono, ou honradamente vingar o pai, assassinando o tio e tomando o tr... ops, peraí: mas, neste caso, não estaria ele cometendo a mesma infâmia que o tio? A vida nos coloca em cada encruzilhada... (Parêntese: você já leu &lt;em&gt;Hamlet&lt;/em&gt;? Pois então leia, leia já, pare agora de ler este blog – outra hora você volta e termina de ler – e vá atrás de uma edição de &lt;em&gt;Hamlet&lt;/em&gt;, não ouse morrer sem antes ler &lt;em&gt;Hamlet&lt;/em&gt;!!! E leia com atenção, porque cada frase, cada singela linha, é como aquelas caixas de presente que tem outra caixa por dentro, que tem outra e mais outra, uma loucura! – e uma lucidez impressionante!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy condena Jude, que vive só em seu mundo, fazendo seus rabiscos (no filme, Jude é artista plástico), enquanto o mundo está se destruindo. Pobre Lucy, não percebe que a alienada é ela. Ela é que vive num mundo de sonhos. Ela é quem vive no céu. E rodeada de diamantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso como a letra da música &lt;em&gt;Revolution&lt;/em&gt;, que Jude canta para Lucy:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You say you want a revolution&lt;br /&gt;Well you know&lt;br /&gt;We all want to change the world&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You tell me that it's evolution&lt;br /&gt;Well you know&lt;br /&gt;We all want to change the world&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But when you talk about destruction&lt;br /&gt;Don't you know you can count me out&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Don't you know it's gonna be&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You say you got a real solution&lt;br /&gt;Well you know&lt;br /&gt;We'd all love to see the plan&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You ask me for a contribution&lt;br /&gt;Well you know&lt;br /&gt;We're all doing what we can&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But if you want money for people with minds that hate&lt;br /&gt;All I can tell you is brother you have to wait&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Don't you know it's gonna be&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You say you'll change the constitution&lt;br /&gt;Well you know&lt;br /&gt;We'd all love to change your head&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You tell me it's the institution&lt;br /&gt;Well you know&lt;br /&gt;You'd better free your mind instead&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But if you go carrying pictures of Chairman Mao&lt;br /&gt;You ain't going to make it with anyone anyhow&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Don't you know it's gonna be&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;Alright&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, alright,&lt;br /&gt;alright, alright, alright, alright, alright, alright,&lt;br /&gt;alright, alright, alright, alright, alright...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho esta letra fantástica! É claro que todos queremos mudar o mundo, mas como? Ah, você tem a solução? Qual? Existem 6 bilhões de pessoas no planeta, acha mesmo que todas as outras 5.999.999.999 vão concordar? Acredita que consegue convencê-las todas? Creio que não. A não ser que use a força para isso, mas aí... Hamlet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero dizer com isso que estou me lixando para o mundo. A questão é que querer transformá-lo todo é uma luta inglória. Mas há uma medida possível: nunca esqueço de algo que Renato Russo disse naquele álbum ao vivo &lt;em&gt;Como é que se diz eu te amo&lt;/em&gt;, “Consertar a gente já ajuda pra caramba!” A maioria dos militantes acusa os “alienados” de se preocupar de menos com o mundo e demais com seus próprios umbigos. Pois é justamente isso que eu recomendo aos militantes: olhem um pouco mais para seus próprios umbigos! Vocês descobrirão coisas incríveis, muitas tendo muito o que consertar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jude diz, a certa altura, que seu problema é não ter causa nenhuma. Ele está enganado. Ele tem. Mesmo sem saber, está seguindo o conselho de Voltaire de cultivar seu próprio jardim. Assim como eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudar eu mesma é a minha causa. Esta é a minha maior utopia. E sei que utopia é um lugar que não existe, mas o que imorta é o tanto que eu caminho em direção a ela, como diz Eduardo Galeano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu caminho dez passos, ela se afasta dez passos;&lt;br /&gt;Eu caminho vinte passos, ela se afasta vinte passos;&lt;br /&gt;Eu caminho trinta passos, ela se afasta trinta passos.&lt;br /&gt;Para isso serve a utopia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;; )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-2360965263415169640?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/2360965263415169640/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=2360965263415169640&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2360965263415169640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2360965263415169640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/01/nothing-is-gonna-change-my-world.html' title='Nothing is gonna change my world'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6DqQntXAQI/AAAAAAAAACA/mUB2z0Y1NMQ/s72-c/jude.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-556866194039697889</id><published>2008-01-29T17:50:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:01:08.433-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Sobre dias de sol e ameaças de chuva...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6CiwHtXAPI/AAAAAAAAAB4/CwapICnzVXo/s1600-h/Ferrugem,+dia+2+025.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6CiwHtXAPI/AAAAAAAAAB4/CwapICnzVXo/s400/Ferrugem,+dia+2+025.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161304120553308402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu curtindo um dia de sol sem me preocupar com os dias vindouros de nuvens carregadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembram da Soninha Francine, a VJ da MTV que foi demitida da TVE por admitir no ar que fumava maconha? Pois é, ela escreve uma coluna para a revista &lt;em&gt;Vida Simples&lt;/em&gt;, que é, por sinal, uma revista muito interessante. Um dia, ela escreveu sobre curtir os dias de sol sem se preocupar com os dias nublados que estavam por vir. Era uma metáfora, óbvio. Na época, Soninha enfrentava o tratamento da filha de 7 anos, que sofria de leucemia. Evidentemente ela estava se referindo ao fato de aproveitar os dias com sua pimpolha sem se preocupar se no dia seguinte a menina estaria internada num hospital ou... bem, não vamos falar no pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminando de ler a coluna, olhei para a foto da Soninha como se olha para um totem! Francamente, não sei se eu teria forças para exibir aquele sorriso e a serenidade daquelas palavras se tivesse uma garotinha de 7 anos com leucemia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso da Soninha era grave. Mas o de muitas outras pessoas não é. Nem por isso elas deixam de se preocupar com a tempestade em dias esplendorosamente ensolarados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo: um casal em fase de aproximação. Eu sei que as dores do passado nos deixam calejados, mas para que se preocupar com a certeza – que pode não se confirmar – de que toda a magia desta fase inicial vai se acabar? Aproveite-se a magia enquanto ela existe e vê-se o que se pode fazer quando ela acabar – se é que ela vai acabar, porque ela pode simplesmente passar por uma transformação, o que não é sinônimo de fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me lembra a última cena do filme &lt;em&gt;Brilho eterno de uma mente sem lembranças&lt;/em&gt;. Quando Joel demonstra querer ficar com a Clementine, ela começa a fazer uma lista de seus defeitos. Joel apenas olha para ela com uma expressão que parece dizer “Ok, eu te quero mesmo assim!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entendo a Clementine. Alguns relacionamentos nos deixam mesmo numa situação muito delicada: ou vivemos para corresponder às expectativas do parceiro, ou o decepcionamos – e, que desforo!, ainda temos de dar satisfações por não sermos aquilo que ele idealizou de nós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu também entendo o Joel. Qualquer pessoa minimamente saudável sabe – e se conforma com isso – que todos têm defeitos. E às vezes, surpresa!, é dos defeitos mesmo que a gente gosta! Ou vocês acham que Joel não adora o jeito doidinho da Clementine?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, um dos melhores professores que eu tive na minha vida, o professor Jaime Ginzburg, de Literatura Brasileira, na faculdade de Letras da UFSM, disse que o amor é uma aceitação mútua de precariedades: “Você aceita a minha precariedade e eu aceito a sua”. Eu, que tinha apenas 19 ou 20 anos, sempre tinha visto o amor como uma admiração mútua de qualidades. E não mudei de opinião, apenas acrescentei a ela a perspectiva do professor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o fato é que prefiro admirar as qualidades sem ficar me preocupando com a precariedade. Isso não é viver de um modo ingênuo. Não ignoro os defeitos. Mas só lhes dou atenção quando eles pedem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-556866194039697889?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/556866194039697889/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=556866194039697889&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/556866194039697889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/556866194039697889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/01/sobre-dias-de-sol-e-ameaas-de-chuva.html' title='Sobre dias de sol e ameaças de chuva...'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R6CiwHtXAPI/AAAAAAAAAB4/CwapICnzVXo/s72-c/Ferrugem,+dia+2+025.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-3976323219774294127</id><published>2008-01-29T13:02:00.001-08:00</published><updated>2009-02-21T16:00:33.750-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>Ainda sobre a felicidade...</title><content type='html'>Escrevendo ontem sobre o hábito de algumas pessoas de postergarem a felicidade, não pude deixar de lembrar de dois poemas. O primeiro é o excelente &lt;em&gt;Adiamento&lt;/em&gt;, de Álvaro de Campos, o heterônimo mais melancólico de Fernando Pessoa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...&lt;br /&gt;Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,&lt;br /&gt;E assim será possível; mas hoje não... &lt;br /&gt;Não, hoje nada; hoje não posso. &lt;br /&gt;A persistência confusa da minha subjetividade objetiva, &lt;br /&gt;O sono da minha vida real, intercalado, &lt;br /&gt;O cansaço antecipado e infinito, &lt;br /&gt;Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico... &lt;br /&gt;Esta espécie de alma... &lt;br /&gt;Só depois de amanhã... &lt;br /&gt;Hoje quero preparar-me, &lt;br /&gt;Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte... &lt;br /&gt;Ele é que é decisivo. &lt;br /&gt;Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos... &lt;br /&gt;Amanhã é o dia dos planos. &lt;br /&gt;Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo; &lt;br /&gt;Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã... &lt;br /&gt;Tenho vontade de chorar,&lt;br /&gt;Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo. &lt;br /&gt;Só depois de amanhã... &lt;br /&gt;Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana. &lt;br /&gt;Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância... &lt;br /&gt;Depois de amanhã serei outro, &lt;br /&gt;A minha vida triunfar-se-á, &lt;br /&gt;Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático &lt;br /&gt;Serão convocadas por um edital... &lt;br /&gt;Mas por um edital de amanhã... &lt;br /&gt;Hoje quero dormir, redigirei amanhã... &lt;br /&gt;Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância? &lt;br /&gt;Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã, &lt;br /&gt;Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo... &lt;br /&gt;Antes, não... &lt;br /&gt;Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser. &lt;br /&gt;Só depois de amanhã... &lt;br /&gt;Tenho sono como o frio de um cão vadio. &lt;br /&gt;Tenho muito sono. &lt;br /&gt;Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, talvez só depois de amanhã... &lt;br /&gt;O porvir...&lt;br /&gt;Sim, o porvir... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito do poema parece estar convicto de que realmente tem condições de conquistar o mundo – e não duvido de que as tenha mesmo –, mas deixa para fazê-lo no futuro porque... bem, porque, como já escrevi no post anterior, conquistar não tem graça. Almejar a conquista é que tem. Ou talvez o sujeito seja apenas preguiçoso. Deixa para amanhã porque... acredita que o futuro lhe pertence. Confia na vida e não conta com a morte. Eis o risco de deixar as coisas para amanhã. Nem sempre o porvir de fato vem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgar que “depois de amanhã é que está bem o espetáculo” é raciocínio de quem vive de imagem, de quem quer agradar aos outros, de quem pensa que precisa provar algo para alguém. Por que não fazer o espetáculo hoje? Porque ainda não está bem ensaiado? Porque ainda faltam alguns detalhes? E daí? Quem se importa? Você? Tem certeza que é mesmo à sua auto-exigência que quer atender? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, para que (ou para quem) fazer espetáculo, hein? Tive oportunidade de participar de um tempos atrás e posso assegurar que os preparativos &amp; bastidores foram muito mais interessantes do que o espetáculo em si. E é melhor que tenha sido assim – e seria bom que fosse assim sempre, tanto no sentido real quanto (e principalmente) no metafórico –, porque em tudo na vida o processo é mais longo do que o fim. No caso do espetáculo real, só fiquei 3 minutos e 54 segundos no palco, veja só!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro poema que me veio à mente é o &lt;em&gt;Eterna mágoa&lt;/em&gt;, de Augusto dos Anjos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eterna mágoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem por sobre quem caiu a praga&lt;br /&gt;Da tristeza do Mundo, o homem que é triste&lt;br /&gt;Para todos os séculos existe&lt;br /&gt;E nunca mais o seu pesar se apaga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não crê em nada, pois, nada há que traga&lt;br /&gt;Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.&lt;br /&gt;Quer resistir, e quanto mais resiste&lt;br /&gt;Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe que sofre, mas o que não sabe&lt;br /&gt;É que essa mágoa infinda assim, não cabe&lt;br /&gt;Na sua vida, é que essa mágoa infinda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transpõe a vida do seu corpo Inerme;&lt;br /&gt;E quando esse homem se transforma em verme&lt;br /&gt;É essa mágoa que o acompanha ainda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, se você acha que vai ser feliz quando atingir este ou aquele objetivo, esqueça! A pessoa que é infeliz não o é porque lhe falta algo, e nem mudará sua condição quando suprir esta carência. A felicidade – assim como a infelicidade – jamais virá de uma circunstância externa. O problema – e, eureka!, a solução – estão dentro da gente, e em nenhum outro lugar! (parece papo piegas de livro de auto-ajuda, mas a culpa é destes livros que tornam diversas verdades piegas!) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia deixar de terminar esta seção sem aqueles versos da música &lt;em&gt;O que vem a ser felicidade?&lt;/em&gt;, de Orlando Morais (sim, mais conhecido como o-marido-da-glória-pires, mas que tem algumas composições muito legais, sim, senhor!): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sentimento poderoso&lt;br /&gt;é um estado, é capital, é um país, &lt;br /&gt;e o que há de mais maravilhoso é descobrir &lt;br /&gt;que o tempo inteiro estava a um palmo do nariz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-3976323219774294127?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/3976323219774294127/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=3976323219774294127&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/3976323219774294127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/3976323219774294127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/01/ainda-sobre-felicidade.html' title='Ainda sobre a felicidade...'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-228875195638830373</id><published>2008-01-28T09:40:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:01:49.963-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Quem não tem presente se conforma com o futuro</title><content type='html'>Quando tinha 13 anos, B. foi com a mãe retirar as fotos do Natal – na época, foto era algo que se tirava em máquinas analógicas e que se esperava algum tempo para que fossem reveladas – e ficou pasma como que viu: ela descobriu que era gorda. Engraçado, ela não se via exatamente daquela maneira no espelho, mas era fato, as fotos não mentiam: ela estava gorda. E a sensação de se ver assim era muito desagradável. B., então, decidiu que não tiraria mais fotos até emagrecer. Quem sabe até o seu aniversário ela estaria mais magra? Ou então até o próximo Natal? A decisão estava tomada: não tiraria mais fotos até ficar magra. Aliás, ela também não iria a festinha nenhuma até emagrecer. Não flertaria com nenhum menino. Não seria feliz até emagrecer. Porque felicidade não ficava bem num manequim 44. A felicidade só era compatível com a sua imagem idealizada de magra. Para tudo havia um padrão, e com a felicidade não seria diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E B. seguiu em frente em busca da melhor forma para a sua felicidade. Fez a dieta da lua, da proteína, dos pontos. Fez sessões exaustivas de ginástica, passou os mais variados produtos na pele. Perdeu quilos em poucas semanas, e depois ganhou o dobro deles em uma.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B. tem agora 25 anos. E não tem fotos da adolescência. Nem da fase universitária. B. nunca emagreceu. E nunca foi tão gorda assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem feliz. B. caiu numa cilada que armou para si mesma: a de impor condições para a própria felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mude-se a inicial por qualquer outra letra do alfabeto, e também o objetivo. B. é só um exemplo. Existem milhões de Xs, Ys e Zs que pensam só poder ser felizes quando diminuírem as orelhas de abano, forem ricos ou morarem em outra cidade. E muitas vezes, ao contrário da minha infeliz B. fictícia, elas conseguem atingir seus objetivos. Mas que engraçado, mesmo assim, elas não conseguem sentir aquilo que elas esperavam sentir. Por que será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, porque quem adia a felicidade é feliz de um modo torto; é feliz em adiar a felicidade. Para estas pessoas, a verdadeira felicidade é aguardá-la. Quando fez a cirurgia nas orelhas, X começou a implicar com o nariz, é claro, porque do contrário, ele estaria feliz, e ele não sabe muito bem lidar com isso. Tendo atingido a felicidade, o que ele faria com ela? Ele não está acostumado com isso. X não sabe ser feliz. X só sabe esperar pela felicidade. Esta é a sua especialidade: aguardar o futuro, ignorando o presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que quando o futuro chega, não há passado, não há experiência. E quando não se tem passado, é como estar numa estrada reta, sem placas de sinalização, nem árvores, nem nada: nenhuma referência. Tudo é igual. E nesta situação nos sentimos perdidos. Não sabemos em qual trevo entrar. Não sabemos aproveitar a felicidade quando ela chega. Nós a tratamos como aquele hóspede que julgamos ser muito exigente, ficamos sem jeito de recebê-la, só porque não temos os melhores lençóis, nem o melhor vinho para oferecer. Não, não, não. Não temos condições de hospedá-la da melhor forma, e se não for da melhor forma, não pode ser de forma nenhuma. Volte outra hora, volte quando estivermos melhor preparados. E ela, que na sua simplicidade, só queria uma porta aberta, vai embora, em busca de melhores anfitriões, que são simplesmente os que demonstram prazer em receber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-228875195638830373?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/228875195638830373/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=228875195638830373&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/228875195638830373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/228875195638830373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/01/quem-no-tem-presente-se-conforma-com-o.html' title='Quem não tem presente se conforma com o futuro'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-2091376314524182264</id><published>2008-01-24T19:05:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:05:20.911-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Complain, monkeys, complain!!!</title><content type='html'>“Tenho náusea física da humanidade, que é, aliás, a única que há”. Assim disse Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa, no seu &lt;em&gt;Livro do Desassossego&lt;/em&gt;. Afortunadamente, não tenho náusea física da humanidade. Só de uma parcela dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a parcela mais nauseabunda que há é a daquelas pessoas descrentes da humanidade – da qual, parece, Soares fazia parte – de Pessoa não me arrisco a falar, porque ele era muitos. Dia desses eu assisti a um vídeo no YouTube chamado &lt;em&gt;Dance, monkeys, dance&lt;/em&gt;! O vídeo dedica-se a debochar do ser humano, focando a sua ridícula pretensão de acreditar ser superior aos demais animais. Tudo o que eu penso quando vejo tal vídeo é “Perdoai-os, Senhor, eles não sabem o que dizem”. E não estou falando dos humanos. Nem dos animais. Refiro-me aos humanos que pensam assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama a atenção o trecho do vídeo que afirma, cheio de sarcasmo, que o ser humano é o único animal que acha que deveria ser feliz. Os outros animais se contentam em simplesmente ser. O que o autor do vídeo sugere? Que nós deveríamos também nos contentar em “simplesmente ser”? Então deveríamos viver apenas para dormir, comer, transar, parir e fugir de predadores? Deveríamos viver como animais?! Ah, esqueci: é que, para o autor, nós somos animais como quaisquer outros. Aham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que quem pensa assim nunca se emocionou com uma música. Nem com um filme. Nunca leu um livro e ficou pasmo com a habilidade do autor de descrever exatamente o que ele sentiu naquela mesma situação. Aliás, nunca se consolou por saber que não é um solitário na sua dor – ou na sua alegria. Nunca se surpreendeu ao descobrir que também outras pessoas já sentiram aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pensa assim nunca precisou de anestesia. Nunca teve pressa e precisou de um carro ou de um avião. Quem pensa assim não acha ruim comer carne crua. E não se incomoda de dormir ao relento. Quem pensa assim nunca pôs a cabeça em um travesseiro de penas, nem mergulhou em uma piscina em dia de calor escaldante. Também nunca tomou uma cerveja gelada com amigos num dia quente. Nem um café quentinho numa tarde hostil de inverno. Quem pensa assim acha ótimo tomar banho gelado no inverno. E não tem fotografias da sua infância. Quem pensa assim escreve tudo à mão e não vê mal nenhum em gastar o triplo de tempo para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pensa assim nunca ouviu “eu te amo”, nem “eu te odeio”. Nunca ouviu “como é bom ser tua irmã!” ou “por que não foste lá?, fizeste falta!”. Nunca ouviu, nem disse “adorei te conhecer”. Nunca teve o prazer de dar um presente. Nunca ajudou um cego a atravessar a rua ou pegou um bebê no colo. Nunca curtiu saudade, muito menos teve a alegria de matá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O narrador diz que os homens negam ser macacos. Que eles querem ser outra coisa que não macacos, mas que não são. Eu digo que são, sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não sou especista. Respeito o animais e acredito que todos devem ter seu espaço e dignidade respeitados. Sou contra o uso de animais em circos. Não tenho casaco de pele, nem como &lt;em&gt;foie gras&lt;/em&gt;. Eu acho o Knut um fofo. Apóio a luta pela preservação dos ursos pandas. Também quero que salvem as baleias. Mas os animais que pensam como o autor desse vídeo, a extinção desses não me comove.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-2091376314524182264?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/2091376314524182264/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=2091376314524182264&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2091376314524182264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2091376314524182264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/01/complain-monkeys-complain.html' title='Complain, monkeys, complain!!!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-341595526415914236</id><published>2008-01-16T22:39:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T13:55:19.581-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Tudo pode ser seu!...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R475-t_dABI/AAAAAAAAABQ/XhOCHqBgyk4/s1600-h/marina.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R475-t_dABI/AAAAAAAAABQ/XhOCHqBgyk4/s320/marina.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156333479278739474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fale em cantoras brasileiras, e todos lembrarão dos mesmos nomes: Elis, Gal, Bethânia, Marisa Monte... Mais recentemente uniram-se ao grupo Ana Carolina, Ivete Sangalo. Quase ninguém lembra da Marina. Sim, a Marina Lima. E a Marina deveria ser lembrada com mais carinho e mais respeito. É dela a versão mais sensual que existe de &lt;em&gt;Garota de Ipanema&lt;/em&gt;. E de &lt;em&gt;Only You&lt;/em&gt; também. Se um homem fizesse uma serenata para mim cantando &lt;em&gt;Only You&lt;/em&gt; como os The Platters, eu ia achar divertido. Se ele cantasse como a Marina canta, eu me apaixonaria. Sério, eu casaria com o cara! E a parceria com o Caetano Veloso em &lt;em&gt;Nosso estranho amor&lt;/em&gt;? Lindíssima. Isso sem falar na versão que ela fez de &lt;em&gt;Mesmo que seja eu&lt;/em&gt;, mais viril do que a do próprio Erasmo Carlos (aliás, que letra, Erasmo, que letra!!!). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como se não bastasse a forma que a Marina dá às músicas, ainda tem o conteúdo das suas próprias composições, aquelas que ela fez com seu irmão, o filósofo Antônio Cícero. Não vou falar do “você me abre seus braços/e a gente faz um país” porque este, embora bonito, já está caindo na pieguice e no descrédito na atual conjuntura do Brasil. Mas tem “a única morada de um homem está no extraordinário”, da canção &lt;em&gt;Próxima parada&lt;/em&gt;.  Se isso for mesmo verdade, o que estamos fazendo aqui, no tão terrivelmente ordinário? Vendo a vida passar?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Isso acaba de me lembrar uma aula de recuperação que dei não faz muito tempo. Uma aluna que fez bagunça o ano inteiro resolveu prestar atenção na aula de recuperação. Me ouviu, fez perguntas, resolveu todos os exercícios. No final, saiu da sala de aula dizendo “Gostei desta aula”. Eu respondi que ela podia ter gostado das aulas do ano inteiro, bastava ela ter se envolvido como ela se envolveu naquela aula derradeira. Qualquer coisa é chata se a gente não mergulha nela. Coisa bem ruim é pintar uma parede ou fazer uma faxina com medo de sujar as mãos. Vamos passar o tempo todo nos estressando – e o trabalho vai resultar mal feito. Para mim, o extraordinário a que se refere Marina está em tudo ao qual a gente se entrega – mas a entrega não pode ser unilateral, tem que ser de todos os envolvidos! Nós acabamos todos sujos, mas é de uma sujeira compartilhada, e dá tanta satisfação ver o resultado do trabalho que nem percebemos nossa imundície. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro verso da Marina de que gosto muito é o “Agora descubra de verdade o que você ama/Que tudo pode ser seu”, da música &lt;em&gt;Pra começar&lt;/em&gt;. Eu não diria que fazer tal descoberta seja o bastante, mas é um grande passo! Sua vida está parada? Descubra algo de que goste muito e faça um movimento, um simples movimento: pode ser se matricular num curso de pintura em acrílico, ou buscar contatos na área em que você deseja abrir um negócio. Comece! Dê esta tacada inicial, e verá como uma bola baterá em outra, que baterá em outra, que baterá em outra de cuja existência você nem suspeitava, e o jogo se desenhará numa nova configuração para você, talvez não muito fácil, mas tão sedutora, que você não quererá sair deste jogo antes do fim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um movimento! Faça um simples movimento! E nas horas vagas, escute Marina. Ela merece sua atenção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-341595526415914236?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/341595526415914236/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=341595526415914236&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/341595526415914236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/341595526415914236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/01/tudo-pode-ser-seu.html' title='Tudo pode ser seu!...'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R475-t_dABI/AAAAAAAAABQ/XhOCHqBgyk4/s72-c/marina.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-8379459146194740475</id><published>2008-01-09T20:08:00.001-08:00</published><updated>2009-02-21T16:05:50.952-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Há dias em que não estou bem</title><content type='html'>Há dias em que não estou bem. Não é o não estar bem de quando se tem preguiça de ir trabalhar. Não é o não estar bem de quando se bebeu demais. Não é o não estar bem de quando sentimos fome, sede ou frio – não é falta de alimento, água ou agasalho. É um não sentir-se bem que vem da escassez de algo de que nem se desconfia o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São dias em que não se tem vontade de fazer nada, nem mesmo as coisas de que se mais gosta. Gosto de assistir a filmes, mas não tenho vontade de assistir a algum. Gosto de ler, mas nenhum livro agrada a mim. Gosto de navegar na Internet, mas que aborrecida é a Internet! Gosto de conversar com amigos, mas que preguiça de ligar para eles!     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que sentimentos negativos atraem vibrações negativas. Mas como evitá-los? Como evitar sentir inveja do amigo que vem fazendo progressos financeiros ou da amiga que anuncia gravidez? Pior: como evitar sentir-se culpada por ter um sentimento tão execrado – embora sentido – por todos, a ponto de às vezes não admiti-lo sequer para si mesmo? Para onde vai esta inveja, se não a reconheço e não lhe dou um destino? Contra quem ela se volta? Contra mim, é claro. Prostra-se, senhora de si, sob este disfarce de não estar bem. E como evitar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, pior ainda, quando a inveja não é de algo nobre, como progredir materialmente ou formar família? E quando a inveja é de um amigo desempregado que pode dormir até tarde durante a semana? E quando a inveja é de alguém que nossa razão diz ser apenas digno de piedade? Como não se sentir mal? Como não sentir, somada à culpa de sentir inveja, vergonha de sentir inveja de coisas mesquinhas? Como evitar a bola de neve formada pela inveja, culpa, vergonha e o que mais esta última trouxer consigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma etiqueta das emoções. É o que o homem criou. Um código do que é certo e errado no quesito sentir, assim como no vestir-se e no portar-se à mesa. Tem até o vai-e-vem de modas. Ambição, por exemplo, já esteve fora de moda. Ou pelo menos já foi muito condenada. Houve tempo em que todos os vilões das telenovelas eram ambiciosos, ao passo que os mocinhos enriqueciam sem querer. Hoje, ambição é bem vista, como aquelas roupas espalhafatosas da década de 80, para quem todo o mundo torcia o nariz pouco tempo atrás, o mesmo todo o mundo que agora as estão usando e achando o máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E será que, como na moda indumentária, há sentimentos que só ficam bem para os outros, e não para mim? Será que alguns sentimentos combinam apenas com determinados tipos de pessoas. Mini-blusas só ficam adequadas em mulheres sem barriga. Será que a alegria só cai bem para certas pessoas? E a raiva? E o desejo de vingança? E o orgulho? E a compaixão? E a nostalgia? E a autocomiseração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é que quando saem de moda, os tais modelos deixam de ser produzidos. Mas e os sentimentos? Deixam de se criar e se desenvolver dentro da gente só porque são politicamente incorretos? Será que o meio interfere tanto nas nossas vidas a ponto de determinar até nossos sentimentos? Ou será que eles continuam a nos acompanhar sob disfarces insuspeitáveis, e ficam a nos assombrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.1: Este texto foi escrito há muito tempo, num dia em que não estava mesmo bem. Ele não reflete, de modo algum, o meu estado de espírito dos dias de hoje. Ainda bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.2: Vívian, como não deixas um contato para que eu possa agradecer a ti  pelos elogios? Faço-o aqui. Não sabes o bem que fazem palavras encorajadoras como as tuas! Muito obrigada mesmo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-8379459146194740475?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/8379459146194740475/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=8379459146194740475&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8379459146194740475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8379459146194740475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2008/01/h-dias-em-que-no-estou-bem.html' title='Há dias em que não estou bem'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-7128201564834468925</id><published>2007-12-31T06:26:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:07:09.578-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Saldo 2007: positivo</title><content type='html'>Depois que li minha última postagem percebi que deixar tal texto como última postagem do ano seria muito amargo para um ano que foi muito generoso comigo. Vamos à lista de pontos positivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Finalmente consegui um emprego em um colégio particular de Porto Alegre! :)&lt;br /&gt;2) Fiz amizades ótimas neste colégio!&lt;br /&gt;3) Finalmente comecei a fazer aulas de canto!&lt;br /&gt;4) Cantei no Teatro de Câmara Túlio Piva!&lt;br /&gt;5) Fiz mais amizades ótimas na escola de música!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que estas novas amizades perdurem e que tragam sempre mais novas amizades!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thank you very much, 2007!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz 2008 a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R3j_xd_dAAI/AAAAAAAAABI/qKtmSIeSh_8/s1600-h/cordas+e+cordas.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R3j_xd_dAAI/AAAAAAAAABI/qKtmSIeSh_8/s320/cordas+e+cordas.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150147399227604994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Marcos, Ester, Maurício, Eu, Gilson e Fabinho pouco antes de entrarmos no palco: algumas das pessoas muito legais que conheci em 2007.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-7128201564834468925?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/7128201564834468925/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=7128201564834468925&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7128201564834468925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7128201564834468925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/12/saldo-2007-positivo.html' title='Saldo 2007: positivo'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/R3j_xd_dAAI/AAAAAAAAABI/qKtmSIeSh_8/s72-c/cordas+e+cordas.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-7463466370693160279</id><published>2007-12-31T05:33:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:06:20.447-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Vale tudo na Republiqueta da(o)s Bananas</title><content type='html'>Em 2008, a novela Vale Tudo, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères e exibida pela Rede Globo, completa vinte anos. Quem assistiu não esquece. Não lembro de novela mais cruamente realista. Odete Roitman esculhambando o país, Marco Aurélio dando uma "banana" para ele enquanto foge com uma mala de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de uma cena em que Maria de Fátima (Glória Pires) tentava aplicar um migué em Marco Aurélio (Reginaldo Faria), ao que este respondeu, do alto da sua mesa de executivo da empresa do setor de aviação (ironia do destino!) TCA, em bom sotaque carioca: "Só se for pra tuas nêga!" Se Bakhtin tivesse visto isso, iria adorar ver um representante da elite emitindo esse discurso com desvio do padrão formal da língua. Ponto para os autores do diálogo, que chamaram a atenção do povo para o fato de que a elite brasileira pode até ser elite, mas, ainda assim, continua sendo brasileira - e isso dispensa comentários. Daí o "só se for pra tuas nêga!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me fez lembrar desta novela foi uma foto publicada na edição de retrospectiva 2007 da Veja: uma foto de Renan Calheiros literalmente fazendo careta de deboche para todos nós. Como não lembrar da "banana" de Marco Aurélio? Como não lamentavelmente concordar com Odete Roitman?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho graça quando alguns brasileiros escrevem em letras garrafais pelos cartazes e muros afora que querem sua dignidade de volta. De volta? Algum dia houve dignidade? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil só vai ter dignidade - e a partir disso, começar a crescer - quando admitirmos, primeiro para nós mesmos, depois para o mundo (que já está careca de saber) que nós somos escravos, que fazemos o trabalho sujo que os países desenvolvidos preferem pagar para que façamos para eles porque estão ocupados com atividades mais nobres. Quando realmente conseguirmos não mais nos ofender quando os estrangeiros pensam que Brasil é só futebol e samba - porque, de fato, o Brasil é mesmo só futebol e samba, se não fosse, o povo não teria ficado mudo diante da absolvição de Renan Calheiros -, e decidirmos tirar proveito disso, aí, sim, talvez façamos progressos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2001, em um discurso para empresários brasileiros, o então presidenciável Lula disse que os países desenvolvidos precisam saber que o Brasil não é uma republiqueta das bananas. Mas o Brasil &lt;strong&gt;é&lt;/strong&gt; uma republiqueta das bananas. E as bananas, aqui, têm triplo sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cena de Odete Roitman falando mal do Brasil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=gloar9xq-ok&amp;feature=related&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-7463466370693160279?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/7463466370693160279/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=7463466370693160279&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7463466370693160279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7463466370693160279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/12/em-2008-novela-vale-tudo-escrita-por.html' title='Vale tudo na Republiqueta da(o)s Bananas'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-876433253930096949</id><published>2007-12-02T11:21:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:16:11.235-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>"Eu pensava que era assim"</title><content type='html'>Outro dia fiquei sabendo de uma notícia infelizmente não tão incomum: um pai que levava diariamente a filha à escola abusava dela – também diariamente – no meio do trajeto. Perguntada sobre o porquê de nunca ter reclamado do abuso a outros adultos, a menina respondeu singelamente, como só as crianças sabem ser: “eu pensava que era assim”. &lt;br /&gt;Não me chamou tanto a atenção a violência. Chamou-a a resposta da menina: “eu pensava que era assim”. É verdade, quando somos crianças, o mundo é a nossa família. Se nossos pais costumarem beber água do bico da chaleira, vamos achar que doidos são os que têm o estranho hábito de tomar água em copo. Talvez a menina achasse natural não só ser abusada – para ela, nem era abuso – mas também tenha crescido acreditando que aquilo tudo fazia parte do “ritual” de ir à escola. Pode ser que ela supusesse, ao chegar na sala de aula, que também suas coleguinhas faziam aquilo com seus respectivos pais. E que também elas tinham sangramentos e desconfortos, coisas naturais de se ir à escola e do relacionamento com os pais. &lt;br /&gt;Fico imaginando a perplexidade da menina diante da perplexidade dos demais adultos quando lhe perguntaram porque nunca havia se queixado. Deve ter se sentido como nós nos sentiríamos caso um grupo de adultos nos tivesse perguntado, quando éramos crianças: “O quê?! A sua mãe manda você tomar banho todos os dias depois que chega da escola?! Gente, a mãe dela manda ela toma banho todos os dias quando chega da escola!” Vêm dois ou três adultos e me abraçam com compaixão: “Meus Deus! Banho todos os dias ao chegar da escola! Fazer isso com uma criança inocente! Como tem gente doente neste mundo!!!” Tiram-me da guarda da minha mãe, prendem-na, e passo a conviver com olhares piedosos em minha direção. E eu, que achava que tomar banho depois da escola era a coisa mais trivial do mundo! Que jurava que todos os meus colegas faziam o mesmo!&lt;br /&gt;Mas mais do que tudo isso, fico pensando em quantas coisas fazemos até hoje – conosco mesmos e com os outros – só porque “pensamos que é assim”. Quantas atitudes e reações absurdas não temos porque nos naturalizamos com elas? Aquela resposta atravessada, aquela omissão, aquelas renúncias, aquele acesso de riso, aqueles planos... Será que muito de tudo isso não é também algo bizarro? &lt;br /&gt;Isso tudo me lembra o texto É preciso olhar a vida com olhos de criança, do pintor Henri Matisse. Diz ele:&lt;br /&gt;“Ver já um ato criador que exige esforço. Tudo o que vemos, na vida cotidiana, sofre, mais ou menos, a deformação gerada pelos hábitos adquiridos, e o fato é talvez mais sensível em uma época como a nossa, onde cinema, publicidade e periódicos nos inundam diariamente com imagens preconcebidas, que são um pouco, na ordem da visão, o que é o preconceito na ordem da inteligência. O esforço necessário para desembaraçar-se disso exige uma espécie de coragem, e essa coragem é indispensável ao artista, que deve ver tudo como se visse pela primeira vez.”&lt;br /&gt;Penso que devemos levar este jeito artístico de olhar à vida de modo geral. Não digo que devamos perceber tudo como se fosse a primeira vez – porque seria ingênuo e tolo. E também porque perdemos muitos detalhes nas primeiras vezes, porque há sempre algo que nos chama mais a atenção e ofusca os outros elementos. Nos ocupamos demais aprendendo a lidar com o novo, de modo que não podemos aproveitá-lo totalmente. Mas deveríamos procurar encontrar novos aspectos nas experiências, perceber o sol, a chuva, ou um beijo sem o tédio do hábito, e não sempre do mesmo modo simplesmente porque “pensamos que é assim”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-876433253930096949?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/876433253930096949/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=876433253930096949&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/876433253930096949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/876433253930096949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/12/eu-pensava-que-era-assim.html' title='&quot;Eu pensava que era assim&quot;'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-355326468649824507</id><published>2007-09-22T15:22:00.000-07:00</published><updated>2009-02-23T13:56:04.018-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>O resgate da delicadeza</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RvWjqmzUlYI/AAAAAAAAABA/chWDCb-4PJs/s1600-h/saving+ryan.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RvWjqmzUlYI/AAAAAAAAABA/chWDCb-4PJs/s320/saving+ryan.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113172904314705282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Apenas recentemente assisti ao filme &lt;em&gt;O resgate do soldado Ryan&lt;/em&gt;. Tenho resistência a filmes de guerra – assim como a tenho em relação a livros também (dos quais &lt;em&gt;Guerra e Paz &lt;/em&gt;entra na minha lista dos mais enfadonhos) –, mas, resolvi dar crédito a Steven Spielberg. E não me arrependi. Spielberg demonstrou extrema habilidade ao retratar o horror e a delicadeza que mesmo no pior dos horrores nunca deixa de brotar. A obra até evocou em minha memória o poema &lt;em&gt;A flor e a náusea&lt;/em&gt;, de Drummond, aquele em que um eu lírico amargurado manda o mundo parar porque uma flor furou o asfalto, o nojo e o tédio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;O resgate do soldado Ryan &lt;/em&gt;é cinema de verdade. Sim, porque nem todo filme é cinema, assim como nem todo livro é literatura. No filme em questão, a imagem não é apenas um suporte para mostrar personagens em ação. Ela é um instrumento de expressão, assim como o mármore o é para o escultor. Chamou minha atenção a cena em que uma das personagens conta aos demais soldados, durante um raro momento de repouso, que na infância fazia um esforço danado para se manter acordado até a mãe, enfermeira, voltar do trabalho. Contudo, quando ela chegava, ele fingia estar dormindo, ainda que percebesse a presença da mãe na porta de seu quarto, louca de vontade de conversar com o filho e saber como foi seu dia. “Eu não sei porque eu fazia isso”, diz ele emocionado. Vale ressaltar que ele lembra desta história porque um companheiro reclama da falta de sono, ao que este aconselha: “É só tentar não dormir”. De fato, há coisas das quais quanto mais se tenta fugir, mais facilmente com elas se depara.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que faz desta cena uma cena de cinema são os recursos visuais a que o diretor recorreu para contribuir na construção do seu significado. Enquanto o soldado fala deste seu conflito – ter sono quando se tenta se manter acordado, fingir dormir depois de ter feito um esforço para não dormir –, o ambiente está todo escuro, e algumas velas permitem ao espectador ver apenas as faces das personagens que falam. Praticamente uma tela de Caravaggio. Spielberg foi buscar na arte barroca, a arte das antíteses e do jogo de luz e sombra, um meio de expressar visualmente a ambivalência da personagem – e quem sabe da própria missão de salvar o soldado Ryan e da guerra como um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, foi outra cena que conquistou cadeira cativa na lista das minhas favoritas de todos os filmes a que já assisti. Trata-se daquela em que quatro soldados escutam Edith Piaf em meio a ruínas de um vilarejo da França. Tudo é lindo na cena: a incidência dos raios solares, a disposição simétrica das personagens – com um afastamento do soldado intérprete, porque seu temperamento difere muito mesmo do perfil dos demais –, as ruínas, a vitrola, e, é claro, a tristeza da voz quase inaudível de Piaf. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso serve a arte: para ser um repouso da loucura. Para mostrar através dos sentidos do corpo que este corpo, além de ferramenta de batalha, também é o templo de uma alma capaz de transcendê-lo, mesmo que se seja um estrangeiro em meio a ruínas de um massacre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música de Edith Piaf que faz parte da cena não foi uncluída no álbum da trilha sonora do filme (!!!). Mas ela está no YouTube, no vídeo abaixo:&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/B6mzVELFIWc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/B6mzVELFIWc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-355326468649824507?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/355326468649824507/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=355326468649824507&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/355326468649824507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/355326468649824507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/09/o-resgate-da-delicadeza.html' title='O resgate da delicadeza'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RvWjqmzUlYI/AAAAAAAAABA/chWDCb-4PJs/s72-c/saving+ryan.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-8944314120684855727</id><published>2007-07-21T18:21:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:06:45.316-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>Cartas a um velho poeta</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RqO2vyYdbsI/AAAAAAAAAA4/5FtaGa7xKyw/s1600-h/as+3+idades+da+mulher.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RqO2vyYdbsI/AAAAAAAAAA4/5FtaGa7xKyw/s320/as+3+idades+da+mulher.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090112935953264322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meu caro senhor Rilke,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou há tempos lendo, gradativamente, as cartas que enviaste ao jovem poeta Kappus; e as leio em doses homeopáticas porque creio que, como um cálice de bom vinho, devem ser sorvidas aos poucos, para que eu assimile o quanto possa a sabedoria de que o senhor as impregna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso me furtar, no entanto, de lhe trazer más novas referentes à carta que escreveste em 14 de maio de 1904, quando se encontrava em Roma. Lamento muito, senhor Rilke – e não entenda este lamento como mera figura de retórica, mas como puro sentimento de alguém que se sente profundamente atingida pelo estado das coisas que a seguir vou lhe descrever –, mas suas previsões com relação à mulher e ao amor foram parcialmente equivocadas. E o pior é que o que deu de errado parece que não poderia ter saído pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, conforme o senhor profetizou, a mulher conseguiu se desvencilhar de muitas “convenções do exclusivamente feminino”, como o senhor escreve. Porém, esta libertação resultou de uma migração às “convenções do exclusivamente masculino”, se me permite parafraseá-lo, o que, a meu ver, não me parece uma solução, mas a configuração de um novo problema cheio de dramáticos – se não trágicos – desdobramentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o senhor acreditava, no início do século passado, que a mulher se submetia a sucessivos e ridículos disfarces para purificar sua própria essência das influências deformadoras do sexo masculino, qual não seria sua perplexidade se a visse hoje?! A mulher se deixou deformar mais do que jamais havia permitido em sua época, senhor Rilke. Ela continua passando batom, usando brincos, caminhando sobre sapatos de salto alto e, depois de um período de suspensão cuja duração não posso precisar agora, até voltou a vestir saias. Entretanto, o que se observa é um descompasso entre forma e conteúdo. As mulheres, senhor Rilke, masculinizaram-se. Muitas têm, por exemplo, renunciado à maternidade, e outras tantas que não o fizeram parecem ter tido filhos apenas para cumprir um dever social, recusando-se a dar à luz por parto normal, a amamentar e a outras tarefas próprias do &lt;em&gt;metier&lt;/em&gt;. Elementos que antes eram considerados parte de um processo natural são agora evitados ao máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não as culpo completamente. Há de se levar em consideração o fato de que as últimas gerações de mulheres têm mesmo aprendido que ser homem é melhor do que ser mulher. Desde cedo as menininhas escutam que menstruar, engravidar, parir e amamentar são desvantagens da condição feminina, e o senhor certamente concordará que o que se escuta cedo dificilmente deixa de ecoar até muito tarde. Incutem-lhes a idéia de que ser um desbravador como Ulisses é muito melhor do que esperar como Penélope, como se despertar ao raiar do sol e atravessar o dia até depois do crepúsculo sob a pele de uma mulher não fosse por si só uma odisséia esplêndida em terreno muito acidentado. O senhor compreenderá que quem lhes transmite tais pensamentos são pessoas como as que o senhor descreve na carta do dia 17 de fevereiro, ignorantes demais para perceberem o universo que há dentro de si mesmas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também as atitudes da mulher com respeito ao sexo mudaram. Dou-lhes razão no que se refere à sua liberdade de experimentar as sensações que seus corpos podem lhes proporcionar. O problema, senhor Rilke, é que a excessiva disponibilidade das mulheres tornou os homens menos viris. Ao receber uma negativa, o homem não insiste. Não sei o que passa por sua cabeça. Talvez ele pense que ela esteja fingindo desinteresse – e talvez ela esteja mesmo, porque outra coisa que as mulheres ouvem desde cedo é que homens apreciam mulheres difíceis, verdade da qual começo a desconfiar. E talvez ela esteja mesmo desinteressada. Pois, então, o natural seria que ele tentasse fazê-la se interessar! Qual o quê, senhor Rilke?! Há outros milhões de mulheres dizendo “sim” ao primeiro convite, e os homens, que, aí, sim, estão de acordo com o que o senhor afirma na carta do dia 14 de maio (“resolveram tudo da maneira mais fácil e pelo lado mais fácil da facilidade”), optam pelas que dão menos trabalho para satisfazer instantaneamente seus desejos. Em suma, os homens estão sem paciência para convencer, e as mulheres, para serem convencidas. A conquista tem sido uma etapa cada vez mais queimada nos relacionamentos, o que talvez contribua para explicar a fragilidade e brevidade dos mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que há exceções, não tenha dúvida. Mas, mesmo nestes casos há problemas. Parece-me que, uma vez encontrando-se diante de mulheres menos disponíveis, os homens julgam estar diante de divindades inatingíveis e, por isso, não ousam ultrapassar a linha do flerte, acreditando que jamais serão acolhidos por elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, meu caríssimo poeta, a mulher transformou-se sim, e esta transformação alterou profundamente a vivência do amor, mas, infelizmente, não do modo como o senhor previa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-8944314120684855727?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/8944314120684855727/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=8944314120684855727&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8944314120684855727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8944314120684855727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/07/cartas-um-velho-poeta.html' title='Cartas a um velho poeta'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RqO2vyYdbsI/AAAAAAAAAA4/5FtaGa7xKyw/s72-c/as+3+idades+da+mulher.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-2561763795361293744</id><published>2007-07-15T14:46:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:20:26.150-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Os caprichos da inspiração</title><content type='html'>Embora o escasso número de comentários desminta esta informação, este blog é visitado regularmente por um seleto grupo de leitores que costumam reclamar da pouca freqüência com que o atualizo. De fato, não sou blogueira assídua. Tenho assunto de sobra para escrever, mas só isso – acreditava eu – não basta. É preciso inspiração para colocar tantos temas num discurso. Mas mudei de idéia. A inspiração é aquele tipo de amigo que sempre diz que “qualquer dia desses vai aparecer para tomarmos um café”. “Qualquer dia desses” é um dia que nunca chega. Ou quase nunca. Às vezes, o amigo até aparece, mas sempre em horas que ou são inoportunas, ou são breves demais para que possamos lhe dar a merecida atenção. Resolvi que, de agora em diante, vou tomar o café sozinha. Cansei de esperar. E é aí que surge a surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sento ao computador e começo a escrever, assim, desacompanhada mesmo, sem a presença da amiga tratante, eis que ela surge de mansinho, e aos poucos, vai tomando conta do espaço. Quando a convidamos, ela sempre arranja uma desculpa para sua ausência, ou pior, diz que vai, mas nos deixa esperando. Porém, quando percebe que organizaram uma festa e a deixaram de fora, aí, sim, a inspiração aparece toda prosa, sem o menor constrangimento pela condição de penetra. A inspiração tem os seus caprichos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a escrever sobre qualquer tema, desgostosa com o estilo insípido, até que a madame aparece e começa a me soprar palavras e expressões que fazia tempo eu não empregava, e à medida que meus dedos vão digitando tais termos, estes vão me trazendo novas idéias não só referentes ao vocabulário, mas ao próprio tema. Em outras palavras, eu tenho um assunto, começo a escrever sobre ele sem saber exatamente que palavras utilizar, e, quando estas surgem, me levam a pensar sob outras perspectivas acerca do determinado assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confuso? Posso dar um exemplo: me propus agora a escrever sobre a inspiração, mas conforme fui escrevendo os parágrafos acima, já me foi ocorrendo a idéia de que, na verdade, não podemos esperar pela inspiração em nenhum aspecto da vida. Tudo o que precisamos é começar e nos envolver. Vivi isso este ano com uma turma de oitava série para a qual ensino Língua Portuguesa. A turma era danadíssima. Se eu deixasse, os alunos se pendurariam no ventilador do teto. Contudo, não podia desistir da turma – eu não me permitiria tomar uma atitude tão infantil quanto às deles. Fui propondo alguns ajustes, entre os quais apresentar atividades mais dinâmicas, em troca de eles se comprometerem mais com os estudos. Está dando certo. E hoje, acreditem, eu gosto daquelas pestes, a ponto de sentir saudade quando algum feriado cai justamente nos dias em que lhes dou aula. Não sei se eles estão tirando alguma lição comigo além da de ocorrência de crase, mas eu aprendi de modo mais maduro o fato de que, realmente, o amor é uma construção. Não nasce pronto. Exige empenho e paciência. Como se fosse um ser vivo, desenvolve-se no dia-a-dia e modifica-se ao longo do tempo. Às vezes não é mais o que já foi um dia, o que não quer dizer que tenha piorado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me faz lembrar um diálogo que tive com algumas alunas de outra turma, esta do segundo ano do ensino médio. Uma delas disse que odiou os primeiros capítulos de &lt;em&gt;Memórias póstumas de Brás Cubas&lt;/em&gt;, mas que depois começou a gostar. Eu aproveitei a deixa para dizer a toda turma: “Levem isso para a vida de vocês: &lt;strong&gt;tudo o que é realmente bom, a gente nunca gosta no começo&lt;/strong&gt;. Amores à primeira vista, daqueles que nos fazem sentir o coração acelerar e as pernas ficarem bambas, nunca fazem aniversário. Só vão para frente aqueles relacionamentos em que a gente investe &lt;em&gt;só para ver qual é que é&lt;/em&gt;”. Todos concordaram. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Utilizei um exemplo próximo da realidade deles, mas poderia usar outros tantos. Eu custei a gostar de cerveja, de vinho seco, de Beatles e de fazer musculação. E os melhores livros que li na minha vida não me cativaram desde a primeira página. Precisamos desconfiar do que nos conquista logo de cara. É como um homem ou uma mulher sedutores: sim, te deixam de quatro no ato, mas não têm consistência para sustentar um relacionamento. Vejam a música pop: é uma delícia, gruda no ouvido. E é uma droga. Um amor de verão sem resistência suficiente para subir a serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vim aqui para falar de inspiração, e acabei falando de outras coisas. É que a inspiração é assim mesmo: ela nunca gosta daquilo para o que a convidamos. Entretanto, basta que nos engajemos no processo para ela começar a se interessar – e, assim, a ajudar a tornar tudo mais interessante!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-2561763795361293744?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/2561763795361293744/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=2561763795361293744&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2561763795361293744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2561763795361293744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/07/os-caprichos-da-inspirao.html' title='Os caprichos da inspiração'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-3508230992159655802</id><published>2007-07-01T18:01:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:08:04.394-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>O legado da nossa riqueza</title><content type='html'>Estou tendo que trabalhar com &lt;em&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas &lt;/em&gt;com minhas turmas de segundo ano. Li este romance anos atrás e, de certa forma, o releio todos os anos, uma vez que tenho que ensiná-lo. Esta é justamente uma das maiores vantagens de se dar aulas de Literatura: tu te obrigas a reler as obras, e é incrível como a cada leitura fazemos uma interpretação diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança que percebi este ano tem relação com a famosa frase final do romance: “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”. Foi uma excelente medida: Cubas poupou sua prole de ter um pai imbecil! E, muito embora não devamos confundir autor e personagem, o fato de Machado de Assis também não ter tido filhos me leva a pensar que ele concorda com sua criatura. Felizes também dos herdeiros de Machado que poderiam ter sido e não foram. Miséria?! Então é somente isso que a humanidade tem a transmitir? E a arte?! E a ciência?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brás Cubas era um chato! E Machado de Assis devia ser também! Odeio pessimistas! O pessimismo é a posição mais confortável para os acomodados: ela os isenta do esforço para mudar alguma coisa. E nem é preciso muito esforço para fazer a vida valer a pena: se Machado de Assis tivesse dançado ao som de Dancing Queen num salão com um globo de espelhos girando no centro do teto, jamais escreveria uma bobagem dessas!   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem milhões de razões para se celebrar a vida. Milhões de pequenos momentos que por si só já teriam justificado nossa passagem na Terra. Posso enumerar os meus: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) assistir a um espetáculo de ballet ao som do Bolero de Ravel. Eu tinha 8 anos de idade e, pelo que me lembro, foi a primeira vez em que senti êxtase, a primeira vez em que senti o que anos depois eu descobriria que Kant chamou de sublime. Aliás, o Bolero de Ravel sem coreografia já é sublime; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) A propósito, há várias músicas que ouvidas uma única vez já seriam mais do que suficientes para morrermos felizes: Eleanor Rigby (ai, aquele coral de vozes!...), Come together (ai, aquela guitarra do refrão!...), Tomorrow never knows (AI, O SOLO INVERTIDO DA GUITARRA DO GEORGE HARRISON!!!), Miss you (alguém consegue escutar sua introdução sem pensar em sacanagem?!), Can’t been seen, Moonlight drive, Try a little tenderness, Don’t stop me now, The song remains the same... Vamos parar por aqui, senão a lista não terminará!;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3) Chorar de rir com meu amigos naqueles momentos em que me perguntei por que me mato tanto fazendo abdominais na academia, se é muito mais gostoso me matar de tanto gargalhar;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4) Perder o fôlego olhando o pôr-do-sol do Guaíba – há quem diga que há crepúsculos mais belos em outras paragens, mas como diz Fernando Pessoa, “O Tejo é mais belo que o rio da minha aldeia, mas o Tejo não é mais belo que o rio da minha aldeia, porque ele não é o rio da minha aldeia...” ; ) – ao som de Insensatez no saxofone;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5) Beijar na boca;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Estar bem por baixo e, depois, encontrar-se bem por cima, olhar para trás e perceber que consegui superar o obstáculo tão aparentemente intransponível;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) Dar colo ao meu sobrinho quando ele teve medo do tubarão do Procurando Nemo – a doce sensação de proteger...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8) ...e ter a dulcíssima sensação de ser protegida, é claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) Sentir dor, prazer e beleza em doses extremas – a indescritível sensação de estar vivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) A vida, em suma, é MARAVILHOSA, e eu quero, sim, transmitir a algumas criaturas o legado dessa riqueza, mostrar-lhes músicas, poemas, telas, pessoas, vinhos, cerveja, árvores, mares, e dizer-lhes: "olhem, meus filhos, isso tudo é de vocês!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engraçado é que eu nunca havia pensado nisso nas outras vezes em que li o romance em questão. Taí: reler livros e rever filmes são ótimos termômetros para mensurar nosso crescimento espiritual, já que o valor do objeto avaliado depende do valor de quem o avalia. Pode ser que tu vejas o mesmo filme centenas de vezes e não sintas nada de diferente. Mau sinal: não evoluíste! Reler um livro é mais ou menos como voltar à sala de aula em que cursamos a pré-escola. Nesta situação, sempre nos admiramos “Nossa, parecia tão grande naquela época!”. Mas não era. A sala continua a mesma. Nós é que crescemos. No caso da leitura, pensamos “Nossa, eu não lembrava que era tão bom!” Ou tão ruim, sei lá.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E não era. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós é que crescemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;; )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-3508230992159655802?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/3508230992159655802/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=3508230992159655802&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/3508230992159655802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/3508230992159655802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/07/o-legado-da-nossa-riqueza.html' title='O legado da nossa riqueza'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-6972474056062440638</id><published>2007-05-30T18:51:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:19:12.762-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Edição revista e ampliada das dores passadas</title><content type='html'>Dias atrás um amigo comentava que sua atual esposa tem ciúme mortal da mulher com quem ele esteve envolvido pouco antes de conhecê-la. Eu então lhe perguntei se esta mulher também não tinha ciúme em relação à moça com quem ele teve um romance logo após o fim de seu primeiro casamento. Ele, que nem havia percebido a coincidência, confirmou. De fato, aquela que hoje é motivo de ciúme também já esteve na posição de ciumenta. Definitivamente, este amigo vive se metendo nesta mesma situação: uma atual que morre de ciúme da ex. E é por isso que eu sempre digo: a tendência é repetir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tendemos a repetir porque o desejo é um filho da mãe! Quanto mais tentamos fugir dele, mais dele nos aproximamos. Damos de cara com ele na cozinha, e saímos em disparada em direção ao quarto, topando em todos os móveis, derrubando o abajur, batendo o dedinho do pé na perna da mesa, mas tão logo entramos no quarto e fechamos a porta, qual não é a nossa surpresa quando o vemos esplendidamente deitado na cama, com sorriso sarcástico e olhar astuto: o desejo! Este bandido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta correr em direção oposta à dele. O desejo é onipresente. Está em todos os lugares, aproveitando todas as brechas para se manifestar. Às vezes as manifestações são discretas, mas outras são cheias de espalhafato, nos fazendo perder o controle. É como se ele dissesse: “isso é só para você ver quem é que manda!”. O desejo é um déspota! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos que um rapaz tenha uma namorada cuja característica mais marcante seja a chatice. A moça é chata. Vive reclamando que ele é pobre, que seu carro tem design ultrapassado e faz um barulho constrangedor, que ele nunca a leva para jantar em restaurantes bacanas, e que ela já está cansada de enterrar o seu verão em uma casa desconfortável em Noiva do Mar. “Ninguém merece Noiva do Mar”, é o que ela sempre diz. Em suma, chata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara enche o saco e resolve mudar de vida. Larga a moça e jura para si que de agora em diante só vai se envolver com mulheres independentes, que tenham seu próprio dinheiro, que não lhe exijam despesas astronômicas. “Quer jantar em restaurante caro, pague você, eu não tenho dinheiro!” E como quem procura, acha, o cara encontra exatamente uma mulher como esta. É tudo o que ele sempre quis desde que se livrou daquela mala. A atual quer sempre se vestir bem, dirigir bons carros e freqüentar os melhores restaurantes da cidade, mas ela faz isso com seu próprio dinheiro. E o que é melhor: acha isso o máximo. Detestaria depender de homem. Ela enche a boca para dizer que tudo o que ela tem, tem com o suor do próprio rostinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com o tempo ela começa a se incomodar com o modo como ele se veste, com seu corte de cabelo e até com alguns de seus deslizes na norma culta da língua portuguesa. E uma mulher incomodada é uma mulher incômoda. Em pouco tempo, ela já está diariamente lhe apontando – ou criando – defeitos. Bingo! O cara está com outra chata. Coincidência? Carma? Destino? Não, desejo! O desejo sempre nos faz ler as mesas histórias, só que em reedições dramaticamente revistas e ampliadas. No caso do personagem em questão, por alguma razão, ele gosta de mulheres que passem o tempo todo lhe fazendo cobranças. Ele se aborrece, é verdade, mas nem se dá conta de que na verdade seu gozo está justamente neste aborrecer-se, nesta angústia de não corresponder às expectativas da amada. O seu desejo é ficar devendo. O desejo, este tirano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta se rebelar contra o desejo. A rebeldia só machuca – como quando se corre da cozinha para o quarto. Debater-se contra o desejo é inútil – sem contar que resulta em cenas patéticas. Mas podemos negociar com o desejo. É possível deixar de ser seu escravo. Mas essa negociação é longa e dolorosa – o desejo é um osso duro de roer! Ele exige muita paciência – e diplomacia. Mas o processo de dominá-lo também pode ser fascinante. Depois de tanto se alfinetar com ele, não há nada melhor do que mostrar-lhe quem, afinal, é que manda!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-6972474056062440638?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/6972474056062440638/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=6972474056062440638&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/6972474056062440638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/6972474056062440638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/05/edio-revista-e-ampliada-das-dores.html' title='Edição revista e ampliada das dores passadas'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-7242764626948165370</id><published>2007-05-20T17:40:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:20:00.512-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>Prazer doloroso</title><content type='html'>Cada um com suas esquisitices: às vezes, eu tenho saudade de algumas passagens de romances, contos ou poemas que já li. Estava agora mesmo ouvindo uma música lindíssima da Barbara Lewis, Hello stranger, que fez eu correr para minha estante de livros e procurar uma passagem de Vida e época de Michael K, do sul-africano JM Coetzee (a vantagem de se ter os livros em casa, ao invés de pegá-los emprestados de amigos ou bibliotecas). Não foi difícil encontrar a passagem, pois tenho com meus livros favoritos a mesma intimidade que tenho com as pessoas por quem nutro grande estima. E a passagem estava sublinhada. Sinal de que eu já tinha gostado dela quando li a obra quatro anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem se refere ao momento em que o protagonista, depois de um longo período comendo grama, e às vezes passando fome mesmo, come a primeira fatia de abóbora que plantou em uma fazenda abandonada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Levou a primeira fatia até a boca. Debaixo da pele crocante e torrada, a carne era macia e suculenta. Mastigou com lágrimas de alegria nos olhos. A melhor, pensou, a melhor abóbora que eu comi na vida. Pela primeira vez, desde que voltara para o campo, teve prazer com a comida. O sabor da primeira fatia deixou sua boca dolorosa de prazer sensual”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dolorosa de prazer sensual. Foi mais precisamente esta expressão que fez com que eu lembrasse da passagem escutando Barbara Lewis. Sua voz, ao menos na canção mencionada, deixa meus ouvidos dolorosos de prazer sensual. Seu timbre e melodia são tão delicada e sofisticadamente belos, que cada segundo passado da canção me causa prazer, mas também tristeza, porque é um segundo a menos, um passo a mais rumo ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me lembra aquele meu post sobre &lt;em&gt;A felicidade clandestina&lt;/em&gt;, da Clarice Lispector. De novo volto a falar sobre o preço exigido pelo que é bom para que o apreciemos. É preciso muita coragem para desfrutarmos da felicidade, muita maturidade para sabermos lidar com a tristeza de quando ela acabar – a parte dolorosa do prazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-7242764626948165370?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/7242764626948165370/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=7242764626948165370&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7242764626948165370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7242764626948165370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/05/prazer-doloroso.html' title='Prazer doloroso'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-7770547129267766789</id><published>2007-05-20T17:29:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T19:20:19.936-07:00</updated><title type='text'>Palavra final</title><content type='html'>Resolvi fazer para mim mesma as perguntas da seção Palavra Final, da revista Época:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não vale a pena?&lt;br /&gt;Discutir com gente burra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maior mentira que já contou...&lt;br /&gt;Não lembro de nenhuma grande mentira que eu tenha contado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lugar especial na Terra...&lt;br /&gt;Minha casa, sem dúvida!&lt;br /&gt;E a praia de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher interessante...&lt;br /&gt;Quase todas, com poucas exceções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem interessante...&lt;br /&gt;Oscar Niemeyer,&lt;br /&gt;O meu amigo Cleber&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o seu lema?&lt;br /&gt;Mesmo nas piores situações há pontos de que se pode tirar proveito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia perfeito...&lt;br /&gt;Um dia de sol em que eu consiga fazer tudo o que eu tenha planejado no dia anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua qualidade mais marcante...&lt;br /&gt;A minha disposição para ouvir, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quem você tem inveja?&lt;br /&gt;No momento, de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pele de quem você gostaria de passar um dia?&lt;br /&gt;De uma águia, para voar, voar, voar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é a pessoa viva que você mais admira?&lt;br /&gt;No momento, minha colega Valéria. Ela tem 58 horas-aula por semana, planeja aulas criativas, faz exercícios físicos regularmente e ainda é boa mãe: sou professora do filho mais velho dela e posso afirmar que o garoto é ótimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua maior extravagância...&lt;br /&gt;Fazer terapia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o seu preço?&lt;br /&gt;Eu não tenho preço, mas a minha hora-aula particular tem. É baratinho, deixa um comentário, podemos negociar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que você tem orgulho?&lt;br /&gt;De já estar completando dois anos no meu emprego! Da relação que tenho com meus alunos. De um dia em que um aluno que era líder de turma resistiu a participar de uma reunião só porque ela aconteceria bem na hora da minha aula (disso eu vou lembrar até no meu leito de morte!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que você mais sente falta?&lt;br /&gt;No momento, de dinheiro! Ainda bem que é disso. Podia ser de algo ainda mais imprescindível, como saúde ou ânimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para você, o que é felicidade?&lt;br /&gt;O próprio processo de construção da felicidade, que vem a ser a busca por preencher algumas lacunas. Sem lacuna, ninguém é feliz. É morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você compra sempre?&lt;br /&gt;Comida. Não sou consumista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ganhasse poderes sobrenaturais por um dia, qual seria sua primeira ação?&lt;br /&gt;Ficar com um corpão, hahaha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você gostaria de ouvir de Deus ao chegar ao céu?&lt;br /&gt;Pode voltar lá e aproveitar mais uns minutinhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-7770547129267766789?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/7770547129267766789/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=7770547129267766789&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7770547129267766789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/7770547129267766789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/05/palavra-final.html' title='Palavra final'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-5291133415537111676</id><published>2007-04-26T14:51:00.001-07:00</published><updated>2009-02-21T16:51:41.119-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Produção literária própria'/><title type='text'>Iceberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RjEe6UvdD8I/AAAAAAAAAAs/SwZy5R4mjAg/s1600-h/iceberg2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RjEe6UvdD8I/AAAAAAAAAAs/SwZy5R4mjAg/s320/iceberg2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057857843862769602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é isto?&lt;br /&gt;Um iceberg&lt;br /&gt;Diriam os céticos&lt;br /&gt;Uma fotografia de um iceberg&lt;br /&gt;Diriam os puristas&lt;br /&gt;Uma metáfora,&lt;br /&gt;Diria eu,&lt;br /&gt;Da obra de arte&lt;br /&gt;Do amor&lt;br /&gt;Do ódio&lt;br /&gt;Da inveja&lt;br /&gt;Do ciúme&lt;br /&gt;Do desejo de agradar&lt;br /&gt;Do medo da rejeição&lt;br /&gt;Da sua auto-sabotagem&lt;br /&gt;Da sua vontade de desistir justo agora que está tão perto de alcançar&lt;br /&gt;Do seu desinteresse pelo que conseguiu alcançar depois de almejar tanto&lt;br /&gt;Da sua coragem&lt;br /&gt;Da sua determinação de aço&lt;br /&gt;Dessa generosidade incomum&lt;br /&gt;De tanta magnanimidade&lt;br /&gt;Desse interesse repentino pelo que até ontem era indiferente&lt;br /&gt;Do seu consumismo&lt;br /&gt;Da sua avareza&lt;br /&gt;Da sua preguiça&lt;br /&gt;Da sua gula&lt;br /&gt;Da sua gordura&lt;br /&gt;Da sua obsessão por ficar belo&lt;br /&gt;Da sua curiosidade&lt;br /&gt;Da sua elegância&lt;br /&gt;Do seu vocabulário chulo&lt;br /&gt;Dos seus hábitos bizarros&lt;br /&gt;Do seu desejo por quem não deveria desejar&lt;br /&gt;Da sua atração irresistível justamente pelo que mais lhe causa repulsa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da religião&lt;br /&gt;Da ciência&lt;br /&gt;Da política&lt;br /&gt;Do racismo&lt;br /&gt;Do machismo&lt;br /&gt;Do feminismo&lt;br /&gt;Da social-democracia&lt;br /&gt;Do preço da gasolina&lt;br /&gt;Do estado das coisas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, é claro,&lt;br /&gt;Sobretudo&lt;br /&gt;De ti,&lt;br /&gt;Dele,&lt;br /&gt;Deles,&lt;br /&gt;De mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-5291133415537111676?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/5291133415537111676/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=5291133415537111676&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/5291133415537111676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/5291133415537111676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/04/blog-post.html' title='Iceberg'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RjEe6UvdD8I/AAAAAAAAAAs/SwZy5R4mjAg/s72-c/iceberg2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-2995930271875096587</id><published>2007-04-26T14:10:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:52:09.636-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Conversa de botequim</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.tcnj.edu/~brown82/RosaParks.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://www.tcnj.edu/~brown82/RosaParks.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dias atrás, numa edição já passada do jornal Zero Hora que me caiu nas mãos, li a coluna da Martha Medeiros. Dizia ela que queria participar do Big Brother, e em seguida enumerava suas razões, entre as quais ficar isolada dos problemas do mundo, sem telefone, televisão, internet, notícias indigestas, etc, e conviver com um bando de descerebrados. Para ela, todos os participantes são descerebrados. E têm a favor de si a grande vantagem de não saber quem é João Hélio, de quem só terão conhecimento daqui um ano, quando lerem uma notinha acerca do aniversário funesto no jornal, se é que lêem jornal, “me permitam o otimismo”. Foi o que ela escreveu: “me permitam o otimismo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insinuação de que ela considera pouco inteligentes os participantes deste programa me parece clara. E, posso estar errada, mas quando ela os chama de descerebrados, me parece que, a seu ver, ela, sim, é cerebrada. Ou seja, ela é inteligente, eles são burros. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que não quer calar é: qual será o conceito de inteligência da “inteligente” Martha Medeiros? A impressão que dá é que, para ela, ser inteligente é ter aquele tradicional hábito de pensar como homem, rico, branco, judaico-cristão e ocidental. Qualquer pensamento inclinado ao modo oriental, não-cristão, não-branco, pobre e feminino não é um pensamento diferente, é um pensamento burro. Logo, os big brothers só seriam considerados inteligentes se discutissem aquilo que o establishment julga ser inteligente. Mas eles não discutem. E nem devem conhecer Martha Medeiros. Se me permitem o otimismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martha Medeiros é típica intelectual de classe média brasileira, que pensa como todo o mundo da sua classe e cor pensa. Mas o mundo não é só a classe média, dona Martha! Nem só o Moinhos de Vento. Existe muito mais para além das fronteiras dos bairros elegantes da provinciana Porto Alegre. Existe um público que lê Diário Gaúcho, que aliás pertence ao mesmo grupo do jornal para o qual a senhora escreve os seus textos cerebrados. E não há um motivo sequer que permita que eu, a senhora ou qualquer outro “cerebrado” que lê Shakespeare e assiste a Fellini nos consideremos superiores a tal público. E sabe por quê? Porque toda o nosso conhecimento de Shakespeare e Fellini não conseguiu impedir a morte de João Hélio, para citar o mesmo episódio a que a senhora recorre na sua coluna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa erudição não serviu para nada. E não tem de servir mesmo. Ela não é uma ferramenta para ter um uso. Ela é apenas a expressão de um ponto de vista, assim como a preferência de alguns pelo Diário Gaúcho é a expressão de outro. Os programas favoritos desse público não acrescentam nada à nossa cultura, é o que dizem seus detratores. Mas os nossos, também não! Assistir a uma entrevista com Chico Buarque é um deleite, porque ele diz coisas inteligentes. Mas isso não muda nada. No dia seguinte, vão continuar incendiando ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer saber um exemplo de alguém que realmente acrescentou alguma coisa à nossa cultura? Rosa Parks. Um dia, um homem branco entrou num coletivo e, como era praxe entre os brancos na época, pediu à negra Rosa que se levantasse para dar lugar a ele. Rosa olhou para ele e voltou a cabeça para a janela. Não levantou. Criou celeuma. Talvez não no mesmo dia, talvez não naquela semana, mas graças a Rosa, os negros americanos não precisaram mais passar pela humilhação de ter de se levantar para dar lugar a um branco. Rosa era mulher, pobre e negra. Não preenchia mais da metade daqueles cinco requisitos básicos para ser considerada inteligente no mundo ocidental. Mas ela, sim, mudou alguma coisa, e sem dizer uma palavra, muito menos de um vocabulário erudito! Isto provoca mudanças: gestos! O resto é conversa de botequim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-2995930271875096587?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/2995930271875096587/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=2995930271875096587&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2995930271875096587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/2995930271875096587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/04/conversa-de-botequim.html' title='Conversa de botequim'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-3947747258596025553</id><published>2007-04-22T21:04:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:53:33.875-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Produção literária própria'/><title type='text'>Recuo</title><content type='html'>Esses passos para trás&lt;br /&gt;      não são um retrocesso.&lt;br /&gt; São apenas &lt;br /&gt; o recuo&lt;br /&gt; necessário&lt;br /&gt;      para o impulso&lt;br /&gt;                                                             para o grande salto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-3947747258596025553?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/3947747258596025553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=3947747258596025553&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/3947747258596025553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/3947747258596025553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/04/recuo.html' title='Recuo'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-4230283288988044775</id><published>2007-04-22T10:02:00.000-07:00</published><updated>2009-02-23T13:57:16.240-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>O costume suspenso pela arte</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RjEbmEvdD5I/AAAAAAAAAAU/HSfCcGCaRZk/s1600-h/exterior16-i.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RjEbmEvdD5I/AAAAAAAAAAU/HSfCcGCaRZk/s320/exterior16-i.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057854197435535250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui ao cinema assistir ao documentário A vida é um sopro, sobre Oscar Niemeyer. Não é bem como eu esperava. O filme não conta a vida do arquiteto, não menciona nada ou quase nada sobre sua infância e adolescência, sobre sua vida pessoal, em suma. Isso, no entanto, não torna menos interessante a obra, que privilegia o trabalho de Niemeyer e suas opiniões sobre assuntos diversos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das sete artes, a arquitetura seja talvez aquela sobre a qual eu menos conheço. Na verdade, sempre a entendi como arte pelo modo com que expressa traços de uma cultura ou época. Niemeyer alargou minha visão. E foi isso o que mais me chamou a atenção no documentário: a apresentação de obras arquitetônicas como obras de arte que, a exemplo de qualquer outra, surpreendem e encantam olhos viciados na mesmice da paisagem de todos os dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, esse foi um dos principais objetivos do arquiteto em todas as suas obras: fazer diferente. A palavra “diferente” é dita várias vezes por ele ao longo do documentário. E parece ser repetida em seu discurso diário. Estas palavras, atribuídas a ele, tirei do site www.niemeyer.org.br: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"... Quando projetei o Espaço Oscar Niemeyer, no Havre, exigindo na praça um rebaixamento de quatro metros, o fiz para protegê-la melhor dos ventos e do frio, tornando-a visível de cima pelos que a volta dela passavam. Uma característica que a faz diferente de todas as outras da Europa." (grifo meu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que ele não fez diferente apenas na arquitetura. O fez também no próprio modo de falar. Observem o fragmento da sua fala: “...visível de cima pelos que a volta dela passavam”. A ordem mais usual, a direta, seria “visível de cima pelos que passavam a volta dela”. Niemeyer inverte as posições do verbo e do adjunto adverbial, criando um efeito, lá vem a palavrinha de novo, diferente. Em que esta inversão lhe altera o sentido? Isto varia de acordo com a visão de cada um. A mim parece que ele enfatiza a própria praça em detrimento do movimento dos transeuntes. Mas isso, agora, é o que menos me interessa.  Mais importante é que, ainda que não alterasse em nada o sentido da frase, a inversão da forma soa nova aos ouvidos – pelo menos aos mais sensíveis – e mostra que é possível inovar com ações muito simples, nem que seja apenas para criar uma descontinuidade na rotina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente fala mal da rotina. Eu confesso que adoro rotina, mas também gosto de sair dela de vez em quando. E como se sai dela? Através de algo que lhe faça total contraste. Às vezes temos a impressão de que ficamos dois meses de férias, quando tudo o que fizemos foi fazer algo completamente atípico durante um único fim de semana.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, apreciar uma obra de arte causa este mesmo efeito. O espanto que ela provoca é uma suspensão do hábito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-4230283288988044775?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/4230283288988044775/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=4230283288988044775&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/4230283288988044775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/4230283288988044775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/04/o-costume-suspenso-pela-arte.html' title='O costume suspenso pela arte'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/RjEbmEvdD5I/AAAAAAAAAAU/HSfCcGCaRZk/s72-c/exterior16-i.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-8766485468058512710</id><published>2007-04-22T08:16:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:09:24.400-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>É que narciso acha feio o que não é espelho...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/Rit-b1yIfxI/AAAAAAAAAAM/ARCU6jgpAUA/s1600-h/Narciso+Caravaggio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/Rit-b1yIfxI/AAAAAAAAAAM/ARCU6jgpAUA/s320/Narciso+Caravaggio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056274023412432658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, ser professora! Melhor: ser professora de alunos inteligentes, como são os meus! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para trabalhar sobre o Surrealismo no terceiro ano, interpretei com a turma as telas Cisnes refletindo elefantes, de Dalí, e A clarividência, de René Magritte. Por fim, pedi a eles que analisassem sozinhos a tela Attempting to impossible, do mesmo pintor belga. Fiquei maravilhada com as observações por eles feitas! Chamaram minha atenção para detalhes que eu nunca havia percebido – a conveniência de trocar impressões!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na obra, eu só havia conseguido enxergar o individualismo do homem que cria uma mulher segundo os seus caprichos, conforme a sua idealização do que seja uma mulher perfeita, ignorando, portanto, a riqueza de se conviver com a imperfeição dos feitos de carne e osso. Mas meus alunos me fizeram ver mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dupla de alunos observou a expressão séria do criador e da criatura. Eu nunca tinha atentado para isso. Sim, estão sérios os dois. Como não poderiam deixar de estar, penso eu, pois que alegria e vivacidade pode ter alguém pretensioso a ponto de inventar para si uma companhia, como se todo o resto do mundo não fosse suficiente? E o que se pode esperar de alguém que é criado por um criador com tal espírito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra dupla ponderou que a criatura tem traços físicos semelhantes aos do criador. É verdade! Tem mesmo! E tal apontamento enriquece a leitura – e confirma a prepotência do artista. Quer dizer então que a perfeição só é possível tendo semelhanças com ele? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me faz lembrar aquele verso de Caetano Veloso, de que gosto muito – “É que narciso acha feio o que não é espelho...”, e aquele poema de Ricardo Reis, Ninguém a outro ama:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém a Outro Ama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém a outro ama, senão que ama  &lt;br /&gt;O que de si há nele, ou é suposto.  &lt;br /&gt;Nada te pese que não te amem. Sentem-te  &lt;br /&gt;Quem és, e és estrangeiro.  &lt;br /&gt;Cura de ser quem és, amam-te ou nunca.  &lt;br /&gt;Firme contigo, sofrerás avaro  &lt;br /&gt;        De penas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que nos apaixonamos por pessoas que têm características que não encontramos em nós, buscando uma complementaridade. Bobagem! O que nos fascina nos outros é o que eles têm de semelhante a nós. E, às vezes, disfarçamos nossa pretensão com traje diametralmente oposto. Mas é só um disfarce, e um disfarce que cai tão logo a convivência faça as diferenças salientarem-se. Então a queda do véu revela o que o outro realmente é: um estrangeiro. E nós todos sofremos de xenofobia. Mal conseguimos suportar o que há de estrangeiro em nós mesmos, olhamos com expressão nauseabunda para a distorção entre o que somos e a imagem que construímos do que somos. Porque haveríamos de suportar no outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor do poema, entretanto, é o consolo que nos dá por não sermos amados. Os que não nos amam não têm nada contra nós. Apenas percebem o abismo que nos separa deles, e é custoso amar quem está longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais custoso ainda é amarmos a nós mesmos quando tomamos uma distância de nós, confiantes de que não esqueceríamos o caminho de volta. Esquecemos o caminho de volta. Perdemos o ponto de referência. Temos uma vaga lembrança de como ele seja, mas não conseguimos chegar até ele. Nem ir adiante, construir um novo caminho. Não conseguimos partir tendo esta sensação de estar deixando algo para trás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não recuamos, porque nos falta a bússola. Não avançamos, porque nos falta coragem. Ficamos estáticos. Nos resta aprendermos a sermos mais generosos com nosso estrangeiro. Aceitar que somos o que aprendemos – ou inventamos – que era feio ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-8766485468058512710?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/8766485468058512710/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=8766485468058512710&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8766485468058512710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/8766485468058512710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/04/que-narciso-acha-feio-o-que-no-espelho.html' title='É que narciso acha feio o que não é espelho...'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VqiXsiDbel0/Rit-b1yIfxI/AAAAAAAAAAM/ARCU6jgpAUA/s72-c/Narciso+Caravaggio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-117545005222241574</id><published>2007-04-01T10:47:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:20:57.354-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Os pseudo-intelectuais contra o Big Brother</title><content type='html'>É o que eu costumo dizer: pior que alguém sem espírito crítico algum, é alguém sem espírito crítico algum que acredita tê-lo. O segundo tipo existe em número bem menor do que o primeiro, mas já começa a se proliferar, manifestando suas opiniões enlatadas em discursos gastos pelo uso e repletos de lugares-comuns.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Recebi por e-mail semanas atrás uma mensagem que, aparentemente, pretendia fazer o leitor “refletir” sobre a mediocridade do povo brasileiro a partir do gosto deste pelo programa Big Brother Brasil. E como, sabe-se lá por quê, de uns tempos para cá “refletir” virou sinônimo de falar mal, dizia a mensagem que, se 29 milhões de pessoas ligam para eliminar um “bobão” ou uma “bobona” (palavras do autor) a cada paredão, e se cada ligação custa hipotéticos R$ 0,30, isso significa que a Rede Globo e a operadora do 0300, em caso de terem feito um acordo de divisão igual do valor arrecadado, embolsarão semanalmente, cada uma, a quantia de R$ 4,35 milhões. Feito este raciocínio, o autor – que, creio eu, considera-se crítico – abusa do senso comum: escreve que é um absurdo o trabalhador gastar tanto dinheiro com um programa que nada acrescenta à sua formação (ao invés de investi-lo em livros de literatura e filosofia que o fariam exercitar sua autocrítica); que quem paga esta fortuna para votar em quem deve sair do programa não sabe em quem votou na última eleição; que os participantes do programa não têm cultura nem vocabulário básico, enfim, aquele blábláblá batido de pseudo-intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns argumentos são tão rasos que chega a dar preguiça de contrariar. Em primeiro lugar, não é em toda semana que há 29 milhões de ligações, aliás, 29 milhões de votos não significam o mesmo número de ligações: pode-se votar – gratuitamente – pela Internet. Em segundo, a quantia assombrosa apontada pelo autor é, como ele próprio afirma, a soma arrecadada. Se algum telespectador votar em todos os paredões, ao final do programa ele terá gasto cerca de R$ 3,00. Nem a literatura e a filosofia mais baratas custam isso. Ontem mesmo paguei o dobro deste valor por uma edição de bolso usada de Hamlet. Em terceiro, o argumento de que o programa não acrescenta nada à formação do público é totalmente inválido. Digamos que a afirmação seja verdadeira. Não vejo razão para que isso sirva de base para classificá-lo como inútil. Os torcedores também empregam fortunas para assistir a jogos de futebol – nos estádios ou em canais de pay-per-view – que também nada acrescentam às suas faculdades intelectuais. E não vejo mal nenhum nisso. Tanto a proposta do Big Brother quanto a do futebol são outra: divertir. Em quarto lugar, o autor da mensagem utiliza o termo “cultura” equivocadamente. Não existe ser humano sem cultura. O que existe é variação cultural. O autor poderia, no máximo, afirmar que os participantes não são eruditos, nunca que eles são incultos. E em quinto, há, sim, participantes inteligentes em todos as edições do programa. Alguns se destacam pela habilidade nas relações interpessoais, outros, no planejamento estratégico do jogo, e outros, para a surpresa do autor, no uso correto do português. Eu mesma já testemunhei uma sister corrigindo os erros de concordância nominal – e utilizando exata e corretamente esta nomenclatura – de uma colega. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, de todos as idéias veiculadas pela mensagem, a que me parece ser a mais superficial é a de que o Big Brother Brasil faz sucesso porque o público é, digamos assim, pouco dotado intelectualmente. Tenho outra teoria: a de que este programa tenha uma função simbólica. O ponto mais evidente é a recorrente vitória de membros de minorias da sociedade, como pobres e homossexuais. Finalmente se pode assistir a alguém humilde e justo vencer na vida, desejo de todo cidadão brasileiro! Mas há ainda outros aspectos. O Big Brother é o único espaço em que o brasileiro tem reais condições de avaliar quem é honesto ou não, para poder premiar os primeiros e banir os últimos (a quem contra-argumentar que as edições da emissora são tendenciosas, sugiro voltar algumas linhas neste texto e reler a palavra “simbólica”). É a única oportunidade em que o brasileiro pode fazer e refazer esta avaliação semanalmente, e expulsar quase que imediatamente quem traiu sua confiança. Em nenhum outro caso, acredito, o brasileiro testemunha, julga, condena e pune os fisiologistas. Deve ser por isso que quem paga para votar no Big Brother não lembra em quem votou de graça em Brasília. Aliás, Brasília deveria se inspirar em alguns detalhes do programa. Substituir os salários astronômicos pelo regime de estalecas, por exemplo. Liderança na câmara? Prova de resistência (moral, é claro) neles! E, como não poderia deixar de ser, as câmeras e microfones por todos os lados, vigiando e delatando ininterruptamente. Com uma eliminação por semana, para excluir os imorais ou, no mínimo, aqueles que não comparecem às sessões e, por isso, acabam não fazendo diferença.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não quero dizer com tudo isso que o programa em questão não tenha pontos negativos, mas apenas que os pontos que a mensagem levanta como tal são imediatistas. Ser crítico não é falar mal das coisas, mas se perguntar por que elas são do jeito que são. Sempre há uma razão – no mínimo! E não existe produto cultural que nada acrescente àqueles que dele desfrutam. Se estes realmente tiverem espírito crítico, terão a oportunidade de exercitá-lo não importa diante do quê. O olhar que se dirige ao objeto é muito mais relevante que o próprio objeto. Pensar que “se está na Globo, e o povo gosta, certamente é porque é ruim” é o extremo oposto da crítica consciente: é preconceito, idéia preconcebida, pseudo-intelectualidade. Pro paredão com tudo isso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-117545005222241574?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/117545005222241574/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=117545005222241574&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/117545005222241574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/117545005222241574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2007/04/os-pseudo-intelectuais-contra-o-big.html' title='Os pseudo-intelectuais contra o Big Brother'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-116088709600950675</id><published>2006-10-14T21:05:00.000-07:00</published><updated>2009-02-23T14:00:12.349-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Elogio do singelo</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ObdOyhv6cZ0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ObdOyhv6cZ0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinema tem algumas cenas antológicas. A do menino sobrevoando de bicicleta tendo como fundo a lua em ET é um exemplo. E acho que merece mesmo ter este lugar nesta categoria. Agora a cena pode ser vista como piegas, mas convenhamos: é bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, no entanto, cenas que, talvez por serem muito singelas, por não usarem recurso algum de efeito especial, edição ousada, ou o que quer que seja, ficam de fora dessa galeria de cenas antológicas - pelo menos da oficial, ou da do imaginário coletivo. Para mim, porém, algumas deixam marcas indeléveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No filme &lt;em&gt;Quase famosos&lt;/em&gt;, de Cameron Crowe, há uma dessas cenas muito simples e que, apesar disso - ou, no meu caso, que gosto da simplicidade, por isso mesmo - me comoveu bastante. É a cena - na verdade, seqüência - em que o protagonista - um menino de 15 anos que acompanha a turnê de uma banda de rock para escrever um artigo sobre ela para a revista &lt;em&gt;Rolling Stone &lt;/em&gt;- declara seu amor por Penny Lane e, em seguida, percebe o quanto este sentimento é forte. Penny está completamente embriagada e sob o efeito de altas doses de um remédio, devido ao fato de não se conformar por não ser amada por um dos membros da banda. "Why doesn´t he love me?" (Por que ele não me ama?), pergunta ela justamente ao garoto, pouco antes de perder a consciência. Este então diz-lhe que a ama e em seguida chama um médico para socorrê-la. Enquanto o doutor faz lavagem estomacal na moça no banheiro, do quarto, o garoto a observa, os olhos fixos em Penny, como se nada mais existisse no mundo. Perdidamente apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que mais gostei na cena foi o seu realismo. O menino não perdeu seu olhar em Penny num momento em que ela estava linda - como de fato a atriz que a interpretou, Kate Hudson, é - e soberana. Penny estava em condições degradantes, bêbada, drogada, nas mãos de um médico e de sua auxiliar, vomitando na banheira as subtâncias que ingerira para se matar por causa de um amor não correspondido. Condição miserável, portanto, humana. Prova de que o rapaz não estava apaixonado apenas pela sua imagem de bela e popular entre as groupies. Amava, sim, sua pessoa, sua personalidade, o que incluía algumas atitudes desmedidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia deixar de apontar, é claro, outro detalhe da cena que contribuiu muito para que eu fosse cativada por ela: ela ocorre ao som de &lt;em&gt;My&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Cherie&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Amour&lt;/em&gt;, de&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Stevie&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Wonder, cuja letra tem tudo a ver com a situação do menino. Linda, linda, linda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem escutar a música na íntegra:&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0vQUzfMkdhw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/0vQUzfMkdhw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-116088709600950675?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/116088709600950675/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=116088709600950675&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/116088709600950675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/116088709600950675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/10/elogio-do-singelo.html' title='Elogio do singelo'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-115715967291249014</id><published>2006-09-01T17:20:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:18:46.846-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>Um elogio da leitura</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/1600/mulher%20lendo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/320/mulher%20lendo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias eu redescubro a maravilha da literatura. Seria natural que meus olhos já estivessem acostumados a ela. Que o fascínio já tivesse se desgastado, perdido um pouco do seu brilho. Mas ocorre o contrário. Quanto mais eu vivo, mais me encanto. Este é, de fato, um caso em que me identifico com aquele poema do Caeiro,&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;E o que vejo a cada momento&lt;br /&gt;É aquilo que nunca antes eu tinha visto,&lt;br /&gt;E eu sei dar por isso muito bem...&lt;br /&gt;Sei ter o pasmo essencial&lt;br /&gt;Que tem uma criança se, ao nascer,&lt;br /&gt;Reparasse que nascera deveras...&lt;br /&gt;Sinto-me nascido a cada momento&lt;br /&gt;Para a eterna novidade do Mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me nascida a cada momento para a eterna novidade da literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura de um texto literário é como um relacionamento amoroso, sexual. No início deste, há uma certa cerimônia, uma cautela, principalmente se passamos muito tempo com outra pessoa de um relacionamento anterior. Vamos tateando, conhecendo aos poucos a nova pessoa, ansiosos para descobrir suas qualidades, temerosos quanto aos seus defeitos. E tem a questão da insegurança. Será que estou agradando? Será que ele ou ela vai me satisfazer? Então há um receio por um possível fracasso, um abandono, pelo desperdício de tempo e energia investidos. De qualquer maneira, é preciso tentar. Pode ser que dê certo, e se insistirmos mais um pouco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o texto literário é a mesma coisa. Principalmente se ficamos muito tempo lendo outro antes do atual. Levamos tempo para nos acostumar com o novo estilo, o novo enredo, as personagens diferentes, a temática original. Quase nunca sou pega desde a primeira página. Aliás, nem no primeiro capítulo. Como nas minhas relações pessoais, eu custo um pouco a me entregar. Às vezes a falta de encanto é tanta, que não chego ao seu fim. E, como num relacionamento rompido, há a frustração - "poderia ter empregado meu tempo lendo outra coisa" -, e até uma certa culpa: "se eu tivesse tentado mais um pouco, não teria eu lido o melhor livro da minha vida?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o fato de algumaas pessoas não gostarem de ler literatura se deva à expectativa de um  gozo instantâneo. Mas como no sexo, é preciso suar para atingir o êxtase. É necessário esforço e envolvimento. E, é claro, é necessário um tesão inicial. E é engraçado como me sinto quando percebo que só faltam vinte páginas para o final. Leio com mais lentidão, atraso o processo para aproveitar um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hemingway disse que quando terminava de escrever, sentia um cansaço "semelhante ao de quando se termina de fazer amor". Eu sinto isso quando termino uma leitura. E nunca mais olho para aquele amontoado de páginas, aquela capa na minha estante da mesma maneira. É sempre um olhar de cumplicidade, como o de dois amantes em um evento social. Um bom livro sempre nos modifica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-115715967291249014?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/115715967291249014/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=115715967291249014&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/115715967291249014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/115715967291249014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/09/um-elogio-da-leitura.html' title='Um elogio da leitura'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-114998587632912018</id><published>2006-06-10T17:03:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:18:14.963-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Beautiful, beautiful, beautiful...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/1600/shalott6.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/400/shalott6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A belíssima imagem acima é a reprodução do quadro &lt;em&gt;The Lady of Shalott&lt;/em&gt;, do pintor John William Waterhouse. A obra, pertencente ao Tate Gallery, em Londres, é uma referência ao poema de mesmo título do poeta Lord Tennyson. O poema conta a história de uma jovem que vive sozinha em uma ilha. Seu trabalho é ver o mundo refletido em um espelho e reproduzi-lo em peças de tapeçaria. Em função de um feitiço, ela é proibida de olhar para o mundo diretamente através da janela. Confinada, ela reproduz em suas tapeçarias as imagens refletidas em seu espelho: pessoas comuns, casais de namorados, cavaleiros. Um dia, no entanto, ela vê o reflexo de alguém que a impressiona: Sir Lancelot, o cavaleiro do Rei Arthur. A Lady of Shalott manda sua proibição às favas e dirige-se à janela para pôr seus olhos no próprio cavaleiro, ao invés de em seu reflexo. Ao fazê-lo, sente o poder de sua maldição: o espelho se estilhaça, a tapeçaria voa janela afora e uma torrencial tempestade de outono começa a cair. A jovem sai de seu castelo, encontra uma canoa e corre rio abaixo, cantando a canção de sua morte. Sua canoa e seu corpo são encontrados tempos depois pelos moradores do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não elaborei uma interpretação para esta bela história. Mas como leitora experiente, algo me diz que esta história oferece muitos elementos para muitas reflexões. Reflitam daí, que eu reflito daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-114998587632912018?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/114998587632912018/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=114998587632912018&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114998587632912018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114998587632912018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/06/beautiful-beautiful-beautiful.html' title='Beautiful, beautiful, beautiful...'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-114937865669516953</id><published>2006-06-03T16:22:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:11:00.056-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Interpretações...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/1600/la%20craivoyance.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/320/la%20craivoyance.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Oscar Wilde dizia que a única função da arte era ser bela. Concordo em parte. Torço mesmo o nariz para muitas das obras das últimas exposições a que fui ultimamente e confesso que nem me dei ao trabalho de interpretá-las. Sua feiúra me espantou tão lougo pus meus olhos nelas. A feiúra agride os olhos. Desagrada. Causa repulsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, no entanto, quadros que, embora não primem pela beleza, são passíveis de uma interpretação tão interessante que me fazem esquecer Wilde. Observem este quadro do pintor surrealista René Magritte. Um pintor mira seu "modelo" - um ovo - e pinta uma ave. Em outras palavras, ele representa um ovo como um pássaro. Na minha opinião, o quadro é um elogio ao artista, ser humano dotado de percepções especiais acerca da realidade. Onde a maioria enxerga um ovo, quem sabe até um alimento, o artista enxerga a beleza de um pássaro, a tranqüilidade do vôo. O artista não se limita àquilo que seus olhos vêem materialmente. No caso em questão, não se restringe a um pequenino objeto, limitado, fechado, capaz de caber na palma de nossa mão. Ele vê, sim, a liberdade das asas abertas, a doce habilidade de voar com a qual o homem só pode sonhar. E desse modo, o artista dá asas ao próprio olhar. O artista vê adiante. E é generoso com aqueles que apreciam suas obras. Dão-nos poucos elementos para que possamos também nós partilhar, ainda que em escala menor, do poder de enxergar longe, de dar às coisas a &lt;em&gt;nossa &lt;/em&gt;visão. Como deuses que dão aos mortais um poder divino, os artistas dão aos seus apreciadores um pouco de seu gênio, do poder de criar. James Joyce disse certa vez que é mais difícil encontrar um bom leitor do que um bom escritor. Eu sempre pensei que aquele que lê (ou ouve, vê, enfim) um gênio também deve ser considerado um pouco gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você, qual é a sua interpretação para o quadro de Magritte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bjs!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-114937865669516953?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/114937865669516953/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=114937865669516953&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114937865669516953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114937865669516953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/06/interpretaes.html' title='Interpretações...'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-114920710577687491</id><published>2006-06-01T17:10:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:10:18.017-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Uma mulher e seu amante?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/1600/grav_mulher_lendo_p.1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/400/grav_mulher_lendo_p.1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-114920710577687491?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/114920710577687491/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=114920710577687491&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114920710577687491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114920710577687491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/06/uma-mulher-e-seu-amante.html' title='Uma mulher e seu amante?'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-114920701008085554</id><published>2006-06-01T16:19:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:11:28.950-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura e afins'/><title type='text'>Felicidade clandestina</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/1600/generometasONU.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/320/generometasONU.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda era muito jovem - logo, entendia muito pouco da vida - quando li pela primeira vez o título deste conto: &lt;em&gt;Felicidade clandestina&lt;/em&gt;. Na verdade, eu nem sabia que era título de conto. Era o título de um livro, um livro da Clarice Lispector, que era uma mulher que aparecia nos livros didáticos de Literatura Brasileira dos meus irmãos mais velhos. Eu xeretava aqueles livros. Xeretava os livros de que falavam aqueles livros. E xeretava as estantes das bibliotecas - das livrarias, nem tanto, porque onde eu morava não havia livrarias. E em algumas dessas oportunidades, meus olhos passaram por esta coletânea de contos cujo título era este: &lt;em&gt;Felicidade clandestina&lt;/em&gt;. Não retirei o livro - era livro de adulto. Mas eu já sabia o que era, pelo menos semanticamente, "felicidade" e "clandestina", embora ainda não soubesse, é claro, o que era "semântica". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o tempo passa, vamos compreendendo certas coisas. Incrível como elas passam a fazer sentido. Mas o que eu acho mais engraçado é que, normalmente, só registramos as informações, palavras e imagens que já fazem sentido no momento em que tomamos contato com elas, ou seja, quando elas têm com o que se associar nas nossas mentes. Não é comum fazermos tais registros quando as idéias a serem associadas ainda estão por serem assimiladas. Mas isso, de vez em quando, também acontece. Já cantarolei muitas músicas cujas letras só fui entender muitos anos depois. Já me peguei muitas vezes percebendo a razão por que aquele diretor colocou aquela cena naquele filme que eu vi anos atrás. Parece que nossos sentimentos sabem o que ainda nos vai ser útil. Os sentimentos, são previdentes eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que conforme o tempo passa, vamos compreendendo certas coisas. A observação da vida alheia, a leitura de bons livros e alguns anos de terapia me fizeram compreender melhor aquela combinação original de substantivo e adjetivo: felicidade clandestina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, a combinação é até óbvia, mas antes de ser feita, o era somente para alguém com a singularíssima perspicácia de Clarice Lispector. Há algumas pessoas para quem a felicidade só é felicidade se clandestina, proibida, desfrutada com medos e pudores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li este conto com meus alunos do terceiro ano - que são, para meu deleite, excelentes leitores -, e alguns deles afirmaram acreditar que todos temos um pouco disso: desse pudor da felicidade. Esse desejo de mantê-la por perto, como que para não esquecermos nunca de que ela existe, sim, para enfim mantermos a esperança e a certeza de que viver faz algum sentido, mas de nunca usufruirmos dela, como se ela fosse como comida, cuja apreciação consiste na destruição do apreciado, algo ingerido, desfrutado, digerido e tranformado em dejetos. Será isso o que nos amarra famintos diante da felicidade, o pavor da convivência com os seus resíduos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então contemplamos apenas, e essa contemplação nos transmite segurança. Sim, ela existe, está lá, bem diante de nossos olhos, se eu quiser, posso tocá-la, e saber esta possibilidade é o bastante para que eu continue acordando todos os dias. É como o brinquedo novo que não tirávamos da caixa nos primeiros dias que se seguiam ao dia de nosso aniversário. Mas se assim for, como saberemos se a felicidade é, mesmo, como um bem de consumo não durável? Como saberemos se ela não é o perfume cuja essência estamos deixando que se perca, o vinho que estamos deixando virar vinagre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia o conto e faça seu comentário.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Felicidade Clandestina&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-114920701008085554?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/114920701008085554/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=114920701008085554&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114920701008085554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114920701008085554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/06/felicidade-clandestina.html' title='Felicidade clandestina'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-114920169891403625</id><published>2006-06-01T15:01:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:13:47.896-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>I´VE TAKING MY TIME WITH A NUMBER OF THINGS THAT WEREN´T IMPORTANT YESTERDAY</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/1600/pepper.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/320/pepper.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...And I still gooooooooooooooo..........&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como sempre tem uma música dos Beatles para cada momento da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já não sou mais a mesma. Eu costumava ser aquele tipo de pessoa para quem qualquer coisa está bom. Se a companhia era agradável, não importava que a cerveja fosse barata, e o atendimento, amador. E eu achava bonito ser assim. Legal era ser simples. Tinha até um certo orgulho disso. Pensava até que as pessoas poderiam gostar mais de mim por eu ser assim tão modesta. E tenho certeza de que algumas pessoas se encantaram por mim justamente por causa disso. Humilde, não lhes exigiria muito. Aceitaria sua precariedade de modo passivo, com um sorriso bondoso nos lábios e toda a compreensão do mundo nos olhos. Enfim, uma pessoa fácil de agradar. Eu era o sonho e a solução dos preguiçosos, dos pobres, dos desprovidos de ambição de qualquer espécie. Eu era o cobertor dos acomodados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu hoje seria o pesadelo dessas pessoas. Eu seria o balde de água fria no momento mais profundo do sono. O pesadelo cheio de angústia, daqueles de que já se acorda cansado. Eu tenho sido toda impaciência com a preguiça e com a auto-comiseração. Não acredito mais nas desculpas. Não aceito mais que a doença, a injustiça e a conjuntura econômica sejam os bodes expiatórios do fracasso, do atraso e da probeza. E não tenho mais me contentado com pouco. Nem com o mais ou menos. Tenho desejado com ardor tudo aquilo que antes eu considerava exagero e frescura. Tudo o que antes eu achava que só se obtinha para exibir e ostentar. Mas eu tenho descoberto sensações de cuja existência jamais suspeitei. Descobri que, muito mais do que exibido, o que é do bom e do melhor pode ser desfrutado, aproveitado, curtido. É que a minha visão era de quem não tinha e a quem, portanto, só restava avacalhar. Desdenhava porque não podia comprar - e julgava que não poderia fazê-lo nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas graças a Freud tenho mudado. Graças a ele tenho sido incompreendida por muitos. Mas esta incompreensão é o preço do ingresso para o mundo dos que não avacalham porque podem. Barato. Uma pechincha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-114920169891403625?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/114920169891403625/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=114920169891403625&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114920169891403625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114920169891403625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/06/ive-taking-my-time-with-number-of.html' title='I´VE TAKING MY TIME WITH A NUMBER OF THINGS THAT WEREN´T IMPORTANT YESTERDAY'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-114825664507601942</id><published>2006-05-21T16:51:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:17:35.245-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Enfim, alguma coisa funciona no Brasil!!!</title><content type='html'>Nesta semana que passou, São Paulo provou o que o Rio já tinha demonstrado exaustiva e inegavelmente há muito tempo: há um Estado cada vez menos extra-oficial no Brasil, um Estado que está tomando conta do país, que está deixando de ser paralelo para ser central. Não seguimos mais a cartilha do poder legislativo. Não agimos mais de acordo com as leis oficiais. Obedecemos, sim, às leis dos traficantes. Eles nem precisam mandar. Na segunda, dia 15, apenas aconselharam a todos que deixassem seus locais de trabalho e voltassem para casa. Deu em congestionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que fica é: por que o crime organizado conseguiu controlar o Estado ao invés de o Estado conseguir controlar o crime organizado? Resposta óbvia: por isso mesmo, porque é organizado. Organização é algo que falta aos órgãos oficiais. Querem um exemplo da organização do crime? As regras estabelecidas o são para serem cumpridas. Quem não as cumpre, paga caro por isso. Em outras palavras, quando o traficante avisa ao seu cliente que, se não pagar a mercadoria, o matará, ele o fará mesmo! Não existe impunidade no crime organizado, coisa que na lei desorganizada sobra. Os métodos que sustentam a organização dos criminosos são bárbaros? Sem dúvida! Daí a lástima: custa admitir, mas a barbárie venceu. Deu banhos de ordem na civilização. E o resultado está aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-114825664507601942?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/114825664507601942/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=114825664507601942&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114825664507601942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114825664507601942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/05/enfim-alguma-coisa-funciona-no-brasil.html' title='Enfim, alguma coisa funciona no Brasil!!!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-114627252708534286</id><published>2006-04-28T17:52:00.000-07:00</published><updated>2009-02-21T16:15:26.235-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Miséria, miséria em qualquer canto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/1600/dinheiro.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6695/1963/320/dinheiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Detesto pobreza. Em um dos restaurantes mais próximos do meu local de trabalho, tive meu pedido de um suco de laranja recusado sob a alegação de que a laranja está cara. Como não queria refrigerante, almocei sem suco – e praguejando contra a pobreza. Por que será que o dono do restaurante simplesmente não coloca este custo no preço do suco? me perguntava indignada. Então me dei conta de que talvez era porque sua clientela era pobre a ponto de não poder arcar com este custo extra. Mais: me dei conta de que eu sou habitué do restaurante e que, afinal, isso queria dizer alguma coisa. Tive, enfim, naquele dia, um almoço muito indigesto.&lt;br /&gt;            Isso ainda me fez lembrar de um dia em que, no restaurante do prédio da minha faculdade, perguntei se não havia outra marca de adoçante. Não tinha. Recomendei que comprasse da marca X. A moça respondeu com um largo sorriso: sua patroa só comprava “do mais barato”. Ela usou estas palavras: “do mais barato”. Sinto arrepios só de lembrar.&lt;br /&gt;            Os dois fatos têm entre si uns cinco anos de distância. Posso refletir sobre eles de suas maneiras diferentes. Uma, a coisa não está fácil para ninguém. Isso é pensamento de pobre. Outra, tenho estado nos lugares errados e preciso mudar. Isso é pensamento de quem quer crescer. Prefiro a segunda alternativa.&lt;br /&gt;            Faça uma experiência: aborde o primeiro que aparecer na sua frente e esbraveje: “detesto pobreza!”. Você tem 99% de chance de ser rotulado como preconceituoso. Pois é! O que tem a ver? Sei lá! O fato é que, pelo menos no Brasil, não gostar de pobreza é visto como sinônimo de não gostar de pobre! As pessoas pensam que se você odeia andar de ônibus, invariavelmente odiará também quem anda. Qual é a relação? Pergunte a elas!&lt;br /&gt;            A única relação que eu consigo fazer é a desse tipo de pensamento com a pobreza do Brasil. Se Adam Smith estava mesmo certo – e eu, na minha modestíssima opinião, penso que estava –, a nação é aquilo que o seu povo quer. Diz ele que “se cada indivíduo buscar seu próprio interesse, irá promover o bem comum”. (Discordo em parte do modo como este período está construído. Se o interesse de cada indivíduo for a pobreza, o povo irá promover o mal comum). Enfim, o que importa é que eu não penso que o brasileiro deseja o mal. Mas também não deseja o bem. Como escrevi acima, para o brasileiro, irritar-se com pobreza é coisa feia, de que se deve se envergonhar. Fazer cara feia ao comer bife com nervo ou sobremesa com gosto de maisena é frescura. Bom mesmo é gente “simples”, que gosta de tudo, se contenta com qualquer coisa.&lt;br /&gt;            Pense nas telenovelas brasileiras, a nossa escola de educação moral e cívica. Só quem deseja com ardor tornar-se rico são os vilões – que além de ambiciosos também são mentirosos, dissimulados, traidores, etc. Querer melhorar de vida é sempre, portanto, associado a um conjunto de características que define um sujeito como mau-caráter. Os mocinhos ficam ricos, sim. Mas só no final da novela e porque ganharam uma herança ou coisa do gênero. Eles nunca desejaram o dinheiro, tampouco trabalharam duro para tê-lo. A fortuna foi apenas um prêmio por eles serem tão bonzinhos. Mas isso é novela.             &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra coisa que me irrita são as explicações sociológicas para a pobreza, em que os pobres são sempre vistos como vítimas. O capitalismo é cruel? É, sem dúvida. Mas o papel de vítima não é um papel que não possa ser recusado. A questão é que – de novo a cultura brasileira! – tem-se a idéia de que deixar de ser vítima é invariavelmente virar a casaca, tornar-se algoz. Há culpa em dizer que se tem hora marcada em médico particular. Honrado mesmo é o sujeito que fica horas na fila do SUS. Tem pobre que tem síndrome de estocolmo. É esse pobre e essa pobreza que eu detesto.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-114627252708534286?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/114627252708534286/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=114627252708534286&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114627252708534286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/114627252708534286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/04/detesto-pobreza.html' title='Miséria, miséria em qualquer canto'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-113752315726352508</id><published>2006-01-17T10:37:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:15:46.429-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Verdades desnecessárias</title><content type='html'>Depois de um bom tempo sem postar, por puro esquecimento de meu nome de usuário, estou de volta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E volto falando sobre sinceridade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É senso comum: pergunte a qualquer pessoa que requisito não pode faltar em um amigo ou namorado(a). Dentre várias características, lá vai estar ela, sempre ela, a sinceridade!!! E não podia ser diferente, afinal, todo o mundo gosta da verdade, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há verdades que devem ser ditas para o bom funcionamento de um relacionamento – seja lá de qual natureza for! Porém, há verdades que deve ser omitidas exatamente pelo mesmo motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, por exemplo, o seu subordinado está executando de modo ineficiente a sua função, abra o jogo com ele, é claro! Sou totalmente favorável a críticas construtivas. Elas nos fazem crescer, nos fazem evoluir, nos possibilitam descobrir do quão mais somos capazes, o que eleva nossa auto-estima! Mas se você acha que, gordo, feio, manco e com aquele mau hálito, seu subordinado nunca vai encontrar o amor de sua vida, guarde sua opinião com você. A auto-estima dele já deve ser baixa o suficiente sem ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu procuro ser sincera sobretudo comigo mesma! Quando ouço alguém dizendo que a Fulana é falsa porque se diz amiga da Beltrana, mas fala pelas suas costas que ela é insegura e egocêntrica, nossa, então eu também sou falsa! Eu não comento apenas os pontos positivos das pessoas. Comento os negativos também, e nem sempre os comento com a própria pessoa, simplesmente porque acho desnecessário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, se você tem determinadas opiniões sobre mim, pode comentá-las pelas minhas costas. Mas não fale para mim. Eu não quero saber. Elas podem me deixar triste gratuitamente. Elas podem me tomar a esperança. Podem fazer com eu eu deixe de acreditar em mim. Podem me convencer de que não vale a pena. Podem me levar a desistir de tentar. E não me farão mal nenhum se forem ditas a outras pessoas, principalmente se eu não as conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não é qualquer pessoa que vai me provocar tudo isso. E também já aprendi a ignorar certas pérolas, mesmo que venham que pessoas importantes para mim. Percebi que às vezes somos apenas a válvula de escape mais próxima que as pessoas têm para aliviar suas frustrações. Mas vá que eu esteja nesta posição nada estratégica justamente num dia em que estou frágil e vulnerável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tem gente que detesta pessoas falsas, eu detesto muito mais aquelas que não têm papas na língua, reis e rainhas da polêmica e do constrangimento público. Pessoas que falam o que querem e nem sempre ouvem o que não querem, por não estarem diante de pessoas tão dotadas de presença de espírito e sarcasmo. Pessoas que enchem a boca para dizer “Eu falo o que eu penso!’ Pois eu quero que elas enfiem seus pensamentos em outro lugar! Para o diabo a sua sinceridade! Vão contranger as senhoras suas mães!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um lugar intermediário entre a hipocrisia nojenta e a sinceridade depreciativa. Considero-o o mais saudável para que as engrenagens das relações sociais continuem azeitadas. E é nela que eu procuro sempre estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas vão jurar discordar de mim. Vão dizer que preferem a sinceridade sempre! Mas me engana, que eu gosto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-113752315726352508?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/113752315726352508/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=113752315726352508&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/113752315726352508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/113752315726352508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2006/01/verdades-desnecessrias.html' title='Verdades desnecessárias'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19769387.post-113430979166692858</id><published>2005-12-11T03:53:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T16:17:12.794-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Impressões do cotidiano'/><title type='text'>Estou farta de estupidez!!!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Orkut é mesmo um microcosmo do Brasil. Estão lá os mais variados tipos humanos: os vaidosos (seja pela sua beleza - expressa em magníficas fotos -, seja pela sua popularidade - expressa nos milhões de fãs, depoimentos e "amigos" -, seja pela sua erudição (a lista interminável de clássicos do cinema no campo "filmes"), os devotos dos seus animais de estimação, os depressivos, os nerds, etc, etc, etc. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contudo, a verificar-se pelos &lt;em&gt;posts&lt;/em&gt; em comunidades, acho que o tipo mais comum no Orkut, logo, na sociedade brasileira (falo com base apenas nas comunidades brasileiras que andei analisando), é o agressivo. Em qualquer comunidade, mesmo naquelas em que os mais preconceituosos suporiam encontrar apenas "gente fina, elegante e sincera", como as que têm como tema filosofia, política, música erudita, etc, o usuário do orkut vai encontrar um festival de agressões! Não se pode expressar uma opinião contrária impunemente! A resposta quase que invariavelmente virá recheada de insultos e palavrões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na comunidade "We don't need no education", em cuja descrição há uma referência à banda autora do verso que dá nome à comunidade, um tópico foi aberto para corrigir o nome da banda: é Pink Floyd, e não Floid. A resposta do dono da comunidade? "Foda-se!!! n gosto, bate seu merda... ker aparecer é viado?" Não tenho outra alternativa senão imaginar que o dono da comunidade sentiu-se atacado. De outra forma, porque teria reagido assim? E penso que tal comportamento vem se tornando uma regra: qualquer crítica (mesmo que construtiva, como foi o caso da correção) é interpretada como ataque pessoal. É o mais puro "tudo o que você disser poderá ser usado contra você". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O triste é constatar que os envolvidos neste "debate" foram até cordatos: eles não prolongaram durante vários &lt;em&gt;posts&lt;/em&gt; a troca de ofensas. Em outras comunidades, isto é tão comum que muitas vezes o tópico em si deixa de ser discutido. Propus um tópico na comunidade "Chega de aulas medíocres!" em que, surpreendentemente, muitos participantes fizeram contribuições proveitosas ao debate. Porém, como não poderia deixar de ser, dois dos participantes ofenderam-se à exaustão! Na comunidade "Odeio mulher que fuma", num tópico que alega que toda fumante é promíscua ("faz sexo pistoleiramente" foi a expressão usada por um dos conservadores membros da comunidade), uma anônima postou manifestando seu repúdio a tamanho machismo e caretice. A resposta que a pobre moça obteve (de outro anônimo, é claro, porque as pessoas adoram expressar suas opiniões, desde que não precisem dar suas caras para bater): "Não gostou? Foda-se vagabunda, enfie o dedo no seu cu e rasgue, puta".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pergunta: qual é a necessidade disso tudo?! Por que tanta gente leva tudo como afronta? Arrisco uma resposta, completamente sem base estatística, nem conhecimentos profundos de História: a humanidade, creio, nunca foi tão exigida como na atualidade. Os homens devem construir um patrimônio invejável, ser o melhor no seu trabalho, ter ereções fantásticas, ajudar a esposa com as tarefas domésticas, ser um herói para seus filhos, ter barriga tanquinho. As mulheres devem ser profissionais fora de série e mães exemplares, ter sempre - não importa a idade - um corpo de 20 e maturidade de 50, ter orgasmos cinematográficos todos os dias. As crianças devem ter notas espetaculares na escola. Os adolescentes precisam passar no vestibular. Todos devem ser fluentes em inglês, vestir-se bem e ter "inteligência emocional". Não se admite pessoas sem ambições e sem entusiasmo pela vida, tampouco sedentárias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ok, disso todo o mundo já sabe. Não é lendo isso aqui que você está descobrindo tudo isso, certo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que eu penso é que a necessidade de ser perfeito está fazendo o ser humano levar o mais despretensioso comentário como ataque frontal. Quantos, ao começar a ler este mesmo texto, não pensaram que minha referência a vaidosos, devotos de animais &amp;amp; nerds foi uma crítica? Pois não foi! Em nenhum momento eu escrevi que é "feio" ser vaidoso, nem que eu condeno as pessoas que tratam seus cães como gente. Quantos não interpretaram "magníficas fotos" como ironia, "milhões de depoimentos" como inveja, "nerds" como recalque? Claro, interpretaram assim os vaidosos que, lá no fundo, bem no fundinho, se culpam por serem vaidosos, os "populares" carentes (também não é uma crítica!) que não saberiam viver sem uma legião de fãs e os nerds que às vezes se questionam se não estão desperdiçando suas vidas debruçados sobre livros e computadores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O vaidoso que admite amar se olhar no espelho, o popular que confessa que seu ego precisa de aplauso contínuo, o nerd que considera intensa, sim senhores, uma vida dedicada ao conhecimento, as pessoas bem resolvidas, enfim, essas não levam tais comentários como ataques. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso, meu conselho aos agressivos é: vão se resolver! E enquanto não conseguirem isso, continuem usando o orkut para extravasar sua raiva. Antes virtualmente do que na realidade (pois não é que até essa função social o orkut tem?) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19769387-113430979166692858?l=olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/feeds/113430979166692858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19769387&amp;postID=113430979166692858&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/113430979166692858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19769387/posts/default/113430979166692858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhos-de-caleidoscopioe.blogspot.com/2005/12/estou-farta-de-estupidez.html' title='Estou farta de estupidez!!!'/><author><name>Ana Maria Montardo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16943414065270807542</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_VqiXsiDbel0/R58k3HtXAMI/AAAAAAAAABc/aSvsPv8LrRM/S220/ana.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry></feed>
